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Empresa pode rastrear e-mail de funcionário

A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho reconheceu o direito do empregador de obter provas para demissão em justa causa com o rastreamento do e-mail de trabalho do funcionário, informou o órgão nesta segunda-feira (16/05).

IDG Now!

13/07/2005 às 18h26

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A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho reconheceu o direito do empregador de obter provas para demissão em justa causa com o rastreamento do e-mail de trabalho do funcionário, informou o órgão nesta segunda-feira (16/05).

O procedimento foi adotado pelo HSBC Seguros Brasil S.A depois de tomar conhecimento da utilização por um funcionário de Brasília, do correio eletrônico corporativo para envio de fotos de mulheres nuas aos colegas.

Em julgamento de um tema inédito no TST, a Primeira Turma decidiu, por unanimidade, que não houve violação à intimidade e à privacidade do empregado e que a prova assim obtida é legal.

O empregador pode exercer, "de forma moderada, generalizada e impessoal", o controle sobre as mensagens enviadas e recebidas pela caixa de e-mail por ele fornecidas, estritamente com a finalidade de evitar abusos que possam causar prejuízos à empresa, afirmou o relator, ministro João Dalazen.

Segundo ele, o meio eletrônico tem natureza jurídica equivalente a uma ferramenta de trabalho e destina-se ao uso estritamente profissional, a menos que o empregador autorize o uso para outras finalidades.

Demitido em maio de 2000, o funcionário obteve, em sentença, a anulação da justa causa porque, para a primeira instância a não violação da correspondência seria absoluta. Entretanto, o Tribunal Regional do Trabalho do Distrito Federal e Tocantins (10ª Região) julgou lícita a prova obtida com a investigação feita no e-mail do empregado e no próprio provedor.

De acordo com o TRT, a empresa poderia rastrear todos os endereços eletrônicos, "porque não haveria qualquer intimidade a ser preservada, posto que o e-mail não poderia ser utilizado para fins particulares".

Além disso, o ministro declarou que a senha pessoal fornecida pela empresa ao empregado para o acesso de sua caixa de e-mail "não é uma forma de proteção para evitar que o empregador tenha acesso ao conteúdo das mensagens".

Pela ausência de norma específica a respeito da utilização do e-mail de trabalho no Brasil, o relator recorreu a exemplos de casos ocorridos em outros países. No Reino Unido, país que, segundo ele, mais evoluiu nessa área, desde 2000, pela Lei RIP (Regulamentation of Investigatory Power), os empregadores estão autorizados a monitorar os e-mails e telefonemas de seus funcionários.

A Suprema Corte dos Estados Unidos reconheceu que os empregados têm direito à privacidade no ambiente de trabalho, mas não de forma absoluta. A tendência dos tribunais norte-americanos seria a de considerar que não há expectativa de privacidade em relação ao e-mail fornecido pelo empregador.

Dalazen enfatizou que os direitos do cidadão à privacidade e ao sigilo de correspondência, constitucionalmente assegurados, dizem respeito apenas à comunicação estritamente pessoal. O e-mail corporativo, concluiu, é fornecido ao funcionário e, por ser propriedade da empresa, o empregador pode exercer controle tanto formal como material (conteúdo) das mensagens.

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