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O Ubuntu é gratuito e fabuloso

Absolutamente adoro o Ubuntu Linux 5.04 (release Hoary Hedgehog, normalmente chamado de ‘Hoary’).

Matthew Newton

14/07/2005 às 14h26

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Absolutamente adoro o Ubuntu Linux 5.04 (release Hoary Hedgehog, normalmente chamado de ‘Hoary’). Estou rodando o Ubuntu tanto no meu notebook quanto no meu desktop e acredito que nunca fui tão feliz como usuário de Linux.

Há muito o que apreciar no Ubuntu. Fica até difícil saber por onde começar. Antes de falar do produto propriamente dito, a origem do Ubuntu merece menção. O trabalho dessa distribuição é financiado pela Canonical, uma empresa fundada pelo milionário sul-africano Mark Shuttleworth. Talvez você já tenha ouvido falar dele. Ele decidiu mudar de vida quando vendeu sua empresa de segurança Thawte para a Verisign. Depois, tornou-se o segundo homem a fazer turismo espacial. Agora ele está investindo seu dinheiro no Linux, de olho no crescimento do software livre em todos os cantos do planeta.

O instalador do Ubuntu não vai ganhar nenhum concurso de beleza: ele roda em modo texto e ignora completamente seu mouse. Você também não passará pela experiência excitante que vivenciaria com as versões comerciais do Linux dedicadas aos novatos, como o Xandros ou o Linspire.

Já fiz várias instalações de Ubuntu e descobri que, normalmente, tenho de responder a várias questões antes que o instalador entre no piloto automático e cumpra suas funções.  Nenhuma delas é daquele tipo que costuma fazer das instalações do Linux um pesadelo: você não precisará conhecer detalhes da sua placa de vídeo, por exemplo. Se você está configurando uma máquina com dual boot, precisará ter alguns conhecimentos básicos de particionamento, e o Ubuntu pode ajudá-lo a comprimir uma partição Windows para abrir espaço no disco. Uma vez que o instalador termina a interação com você, ele começará copiando arquivos para o disco, reiniciando uma vez durante o processo. Então, você verá a janela do login do novo Ubuntu.

Uma vez logado, você será apresentado a um desktop Gnome 2.10 muito limpa. Por padrão, todos os ícones do sistema como Computer e Home ficam no menu Places no topo da tela, deixando o desktop propriamente dito vazio. Até mesmo a lixeira não está no desktop – diferentemente, ela é um applet no painel Gnome. Acho que essa abordagem é mais condizente com o jeito como as pessoas usam o desktop: como um espaço para armazenar trabalhos em andamento.

O menu Applications do Ubuntu (equivalente ao Iniciar, no Windows) é muito bem organizado – o que é bom, porque não há nenhum modo integrado de edição desse menu. Esse detalhe revela uma limitação do Gnome 2.10 – e muitos usuários não estão contentes com isso.

Um mundo de software livre
O Ubuntu é baseado no Debian, o vovozinho das distribuições Linux não-comerciais e, assim, herda o sistema de gerenciamento de pacotes de alta qualidade do Debian, chamado Apt. Você pode trabalhar com o Apt pela linha de comando ou por meio da interface Synaptic, que é do tipo aponte-e-clique. A quantidade de software disponível é incrível. Estamos falando em mais de 16 mil diferentes pacotes, desde que você tenha habilitado todos os repositórios oficiais. Concordo que vários desses pacotes sejam extremamente esotéricos. Por exemplo, fique espantado ao encontrar a última versão do Trn, um leitor Usenet respeitável que Larry Wall, o criador do Perl, trouxe à vida mais de duas décadas atrás. Outras são aplicações simplesmente fantásticas que não são instaladas por padrão. Se você é viciado em software, vai curtir navegar pela listas no Synaptic e experimentar as aplicações a torto e a direito. Para acessar essas coisas boas, siga as instruções no Ubutuguide.org.

É difícil propor uma lista de objeções ao Hoary. Os aborrecimentos são, normalmente, pequenos – não há uma tela inicial atraente, por exemplo. A única mancha evidente é uma infeliz decisão de mudar o comportamento padrão do Nautilus, o gerenciador do Gnome.  Já mencionei várias vezes que, começando no Gnome 2.6, o Nautilus teve dois modos de operação. Um –  o modo File Browser – é parecido com o Windows Explorer, com um exibição em dois painéis (árvore de pastas à esquerda, conteúdo das pastas à direita). O segundo, denominado modo Spatial, você consegue quando dá duplo clique em um pasta no seu desktop. Nesse modo, o Nautilus comporta-se de modo muito similar ao Finder nas versões mais antigas do Mac OS – uma nova janela é aberta para cada pasta acessada.

Muita gente pensa que esse é um jeito artificial de operar. Uma dessas reclamações é que se você quer chegar a uma subpasta de uma subpasta, vai acabar com a tela cheia de janelas rapidamente. Não importa o fato de que há uma maneira mais fácil disponível (o double-middle-click). Mark Shuttleworth decidiu, aparentemente por decreto, que existe uma maneira melhor, e ela teve seus códigos implementados imediatamente antes do lançamento do Hoary: clicar duas vezes em uma pasta no Ubuntu não apenas abre uma nova pasta como também fecha a janela da pasta anterior.

Esse sistema resolve o problema da inundação da tela com múltiplas janelas de pastas, mas há muitas razões para não gostar dele. Um exemplo: imagine que você esteja navegando para uma pasta quatro níveis abaixo para localizar um arquivo e movê-lo para a pasta um nível acima. Quando você chega ao destino e localiza o arquivo, seu novo destino desapareceu. Sim, no modo “Spatial Ubutu”, um duplo meio clique dá a você o que um duplo clique costuma oferecer: ele abrirá uma nova pasta sem matar a janela de pasta anterior.

Estou acostumado com o modo Spatial “normal”, que reabilitei nas minhas máquinas Ubuntu. Essa operação é relativamente simples por meio de alterações no GConf, uma espécie de Registro do Gnome. Mas antes de fazer uma grande mudança no Nautilus, a turma do Ubuntu deve oferecer uma opção para este novo comportamento no caixa de diálogo Preferences do Nautilus.

O modo Spatial do Ubuntus é o único transtorno sério. Em todos os outros aspectos, consegui duas máquinas Linux que estão operando exatamente como deveriam. Tudo simplesmente funciona, e é assim que eu gosto. Tiro meu chapéu para o pessoal do Ubuntu não apenas pelo trabalho que fizeram, mas também pelo modo como o oferecem (gratuitamente) para o mundo.

Se você quiser experimentar o Ubuntu antes de instalá-lo, faça o download da versão Live CD. É uma versão baseada em CD auto-iniciável que dará uma boa idéia do que você conseguirá se seguir adiante com a versão completa.

Ubuntu
Desenvolvedor:
Canonical
Preço: gratuito
Onde encontrar: www.ubuntulinux.org

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