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Push-to-talk corta gastos no celular

Comunicação direta de um usuário de celular com outros a apenas um toque de botão – e tudo via internet. Esses são alguns dos atrativos do PoC (Push-to-Talk over Celular), mais uma evolução da telefonia móvel celular.

Fernanda K. Ângelo

14/07/2005 às 16h23

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Comunicação direta de um usuário de celular com outros a apenas um toque de botão – e tudo via internet. Esses são alguns dos atrativos do PoC (Push-to-Talk over Celular), mais uma evolução da telefonia móvel celular. Seu funcionamento lembra o dos rádios de curta distância (walkie-talkie), mas a PoC utiliza voz sobre IP, de modo que os dados trafeguem pelos servidores de internet, eliminando custos com interurbanos.

O serviço é baseado nas redes CDMA2000 1x, GPRS, EDGE e WLAN. Por enquanto, a tecnologia é oferecida pela Claro e pela Vivo, com foco específico no mercado corporativo. Coincidentemente, ambos têm o mesmo nome: Claro Direto e Vivo Direto. A Vivo conta com mais de 2 mil terminais PoC em funcionamento no Brasil. A Claro não divulgou o número de terminais habilitados. Segundo as companhias, os valores variam conforme a quantidade de usuários e os modelos dos aparelhos.

Os números ínfimos confirmam que a PoC ainda engatinha no Brasil. Mas um empurrão providencial deve acontecer em breve, já que a Vivo e a Claro pretendem oferecer serviços nessa área para uso pessoal. Fabio Freitas, gerente de conectividade e produtividade da Vivo, acredita que a adesão ao push-to-talk será semelhante à adoção do SMS, mensagens curtas de texto. “Quando descobrem a funcionalidade de um serviço, a aceitação é boa”, explica.

Se o brasileiro não resistir à nova tecnologia e aos seus avanços, em pouco tempo veremos serviços de localização, compartilhamento e transmissão de fotos e músicas acionados com o toque de um botão (leia abaixo). Hossein Parandeh, diretor da divisão Push-to-Media da Motorola, afirma que a facilidade de uso do PoC impulsionará a adoção dos novos serviços.

A Comverse, por exemplo, já anunciou no Brasil sua solução Push-to-Show. A novidade funciona com celulares e handhelds comandados pelo Windows Mobile, da Microsoft. Com a tecnologia, será possível adicionar a transmissão instantânea de vídeo ao vivo à comunicação de voz. Mas o Push-to-Show da Comverse depende do suporte das operadoras e da oferta de dispositivos que adotem o recurso.

Engana-se quem pensa que a tecnologia PoC desviará receitas das operadoras. “Assim como o SMS é um serviço complementar e não reduziu a receita das empresas com ofertas de voz, isso não deve acontecer com a PoC”, prevê Parandeh, da Motorola. De acordo com dados da IMS Research, 30% dos contatos feitos por push-to-talk nos Estados Unidos levam a uma ligação tradicional. Os interessados em aderir à tecnologia já contam com um pequeno leque de aparelhos. As opções incluem os equipamentos CDMA KX, da Kyocera, e T300P e V60P, ambos da Motorola. Os três modelos são comercializados pela Vivo. A Claro oferece o V400P, também da Motorola, compatível com as redes GSM. Os preços dos aparelhos variam conforme os planos contratados.

O QUE VEM DEPOIS
Nos Estados Unidos, a tecnologia push-to-talk é tão difundida que até deu origem à expressão “PTTing”, que pode ser traduzida como “o ato de usar a PTT”. A Motorola, responsável pelo desenvolvimento das redes de PoC da Claro e da Vivo, apresentou recentemente, durante a Telexpo 2005, tudo aquilo que está em desenvolvimento – e deve estar disponível este ano – para os usuários da tecnologia de comunicação instantânea na América do Norte e na Europa. É o que a companhia chama de Push-to-X (PTx).

Os primeiros serviços a chegar aos Estados Unidos devem ser o P2View e o P2Hear, de acordo com Hossein Parandeh, diretor da divisão Push-to-Media da Motorola. O primeiro permite aos interlocutores o envio de imagens durante as conversações. Assim, se a pessoa está viajando e decide mostrar ao interlocutor, por exemplo, a vista de uma praia, precisa apenas apertar um botão. O P2Hear garante a troca de ringtones e músicas. Segundo a Motorola, a empresa já estabeleceu uma parceria com a Apple para a comercialização de canções.

Outra novidade é o P2Share, que poderá ser usado para o compartilhamento de arquivos como pequenos vídeos. O executivo ainda destaca serviços que possibilitam aos usuários jogar por meio da tecnologia PTx. O P2Find e o P2Let me Know, com serviços como a localização por sistemas de posicionamento global (GPS) e o envio de informações previamente solicitadas, ainda devem demorar um pouco. Além da conversa com o simples pressionar de um botão, será possível enviar arquivos de músicas e vídeos, localizar pessoas e receber conteúdo sob demanda

POC É DIFERENTE DE IDEN
O resultado final é praticamente o mesmo, mas as tecnologias que servem de base para o push-to-talk sobre celular e os serviços oferecidos no Brasil pela empresa Nextel são diferentes. Enquanto a primeira é baseada nas redes GSM ou CDMA, o serviço da Nextel, desenvolvido sobre a tecnologia de comunicação sem fio iDEN, da Motorola, combina redes de telefonia celular digital e de transmissão por rádio. A Nextel está no Brasil desde 1997 e afirma possuir 490 mil usuários, todos no segmento corporativo.

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