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Estamos prontos para 64 bits?

Apple e AMD preparam a próxima geração dos computadores pessoais, com lançamentos previstos para o segundo semestre. Entenda por que essa mudança é importante.

Tom Mainelli

18/07/2005 às 16h48

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Novos processadores vindos da AMD e da Apple sugerem que 2003 é o ano em que a computação de 64 bits vai chegar a um desktop perto de você. Mas o que
isso realmente significa?

Se você acha que os computadores atuais são rápidos, espere até acontecer a
mudança dos 32 para 64 bits. Isso não tem nada a ver com mais megahertz, e
sim com dobrar a capacidade de dados que uma CPU pode processar por ciclo.
Servidores e estações de trabalho de alto nível já se beneficiam dessa
tecnologia há anos.

Um fato é real: um computador de 64 bits não vai fazer com que seu
processador de textos rode mais rápido - desculpe, mas você é o gargalo
nessa equação. Mas um chip de 64 bits tem o poder para melhorar
drasticamente a performance dos aplicativos com mais demanda, como
codificação de áudio e vídeo, programas de engenharia complexa como CAD e, é
claro, os games. A longo prazo, a computação de 64 bits vai dar aos
programadores muito mais poder para criar coisas novas e pode revolucionar o
que o software pode fazer.

"A quantidade de dados que um chip pode processar de uma só vez é uma diferença fundamental entre os processadores de 32 bits, como o Pentium 4,
da Intel, o Athlon XP, da AMD e o G4, da Motorola/Apple, e as futuras CPUs de 64 bits", diz Kevin Krewell, editor-sênior da Microprocessor Report. No campo dos 64 bits já temos o G5, da Apple (produzido pela IBM) e o vindouro Athlon 64, da AMD.

Computadores de 64 bits conseguem lidar com mais memória e arquivos maiores. "A vantagem é permitir um maior endereçamento de memória", afirma Krewell.

Chips Intel ou AMD conseguem lidar com 4 GB de memória (um Apple G4 lida com 2 GB), e esses 4 GB são divididos entre o sistema operacional e os aplicativos. Logo, o máximo de memória que qualquer aplicativo consegue usar
é 2 GB. "Esse limite não é um problema agora, mas pode ser no futuro, principalmente em aplicativos de edição de vídeo e similares", finaliza.

Por outro lado, um processador de 64 bits consegue lidar com 16 exabytes de memória. Traduzindo: são 16 bilhões de gigabytes.

As máquinas G5 da Apple serão compatíveis com até 8 GB de memória física, o dobro dos sistemas 32 bits. Isso será suficiente para manter a CPU ocupada sem precisar diminuir a memória virtual da máquina no disco rígido, de acordo com Greg Joswiak, vice-presidente de marketing de produtos da Apple.

A AMD diz que o Athlon 64 será compatível com até um terabyte de memória física e até 256 terabytes de memória virtual. Dito isso, as primeiras placas-mãe do Athlon 64 virão com quatro slots DIMM. Se os primeiros sistemas tiverem só dois slots, as máquinas terão capacidade de lidar
com até 8 GB de memória instalada. Com isso, os gastos com memória podem ficar mais altos do que o próprio PC.

O primeiro impulso
Fabricantes de games, tradicionalmente os primeiros a usar novas
tecnologias, vêem claras vantagens na computação de 64 bits. "A velocidade
extra permitirá aos programadores criar novos e memoráveis detalhes ao
software", explica Tim Sweeney, fundador da Epic Games, fabricante do game
Unreal. "Teremos melhores texturas, sons mais preciso e maiores ambientes
realísticos."

Além disso, os personagens do jogo serão renderizados com muito mais
detalhes, com representações muito próximas do real de cabelos, pele e
olhos, além de uma inteligência artificial melhorada, segundo Sweeney.

A Epic já tem pronta uma versão de 64 bits do Unreal 2003, pronta para
chegar às lojas com os primeiros sistemas operacionais compatíveis com a
plataforma. A companhia, diz Sweeney, gasta dois anos para desenvolver um
novo jogo e já trabalha no primeiro game projetado apenas para 64 bits, com
previsão de lançamento para 2005.

Codificação de vídeo também é algo que vai melhorar muito no mundo dos 64
bits, segundo Tom Huntington, gerente de comunicações da DivX. O codec DivX
da companhia comprime vídeo com qualidade de DVD até dez vezes mais que o
padrão MPEG2, tornando mais fácl transmitir um filme pela internet.

Um processador de 64 bits ajuda (e muito) na codificação e decodificação do
vídeo, diz Huntington. "E ao assistir um arquivo de vídeo em um desktop 64
bits, você verá uma diferença notável na velocidade", afirma. O resultado?
Mais frames por segundo e algo muito mais real, parecido com um filme de
verdade.

Eventualmente, os benefícios vão além da velocidade, garante Rich Heye,
vice-presidente da unidade de microprocessadores da AMD. A chave para a
computação de 64 bits é a criação de novas possibilidades para programadores, de maneiras nunca vistas antes.

Por onde começar?
Um computador doméstico de 64 bits faz parte do cenário previsto pelos
executivos da Apple e da AMD. A nova geração de hardware da Apple, baseada
no processador G5, chega ao mercado norte-americano em agosto e até o final
do ano no Brasil. E a AMD deve lançar os primeiros desktops e notebooks com
Athlon 64 a partir de setembro. Uma versão do chip para servidores, chamada
Opteron, já está no mercado.

Mas para aproveitar as vantagens desses sistemas 64 bits, não basta apenas o
computador: é preciso também um sistema operacional compatível com a
plataforma. Aqui, tudo fica mais complicado.

Quando a Apple colocar os G5 nas lojas, eles virão com uma versão atualizada
do Mac OS X, sistema operacional de 32 bits, também conhecida como Jaguar.
Essa nova versão do sistema será compatível com aplicativos 32 bits e terá a
capacidade de lidar com pedidos de 64 bits do processador. 

"Para nós é importante o fato de não criar um sistema operacional diferente
para 64 bits", diz Joswiak, da Apple. "O essencial é que o sistema
operacional e o hardware vão rodar aplicativos de 32 bits sem precisar
recompilá-los." A Apple ainda não falou sobre um sistema operacional puro
para 64 bits. O Panther, versão atualizada de 32 bits prevista para sair até
o final do ano, terá a compatibilidade de 64 bits.

Já o Athlon 64, da AMD, vai trabalhar com o Windows XP, como seus
predecessores de 32 bits, mas o XP não é compatível com as capacidades de 64
bits do chip. Isso leva a uma espera até a Microsoft lançar uma versão ainda
sem nome de 64 bits do Windows XP - e os testes beta devem começar logo.
Esse novo sistema operacional será compatível com aplicações 32 e 64 bits,
mas a Microsoft não informou quando vai colocar o sistema à venda.

Uma vez com o Windows na onda dos 64 bits, ainda há o problema de tornar o
hardware do PC também pronto para 64 bits. "O maior desafio serão os drivers
de aparelhos para os modos de 64 bits", diz Krewell, da Microprocessor
Report. "Será preciso criar novos drivers para todos os componentes chave,
como placas de vídeo, discos rígidos e todo o resto para que o sistema
operacional funcione bem. Se a idéia é ter maior performance com os 64 bits,
não dá para ter um monte de drivers de 32 bits atrapalhando as coisas",
conclui.

Então, finalmente, virão as aplicações nativas de 64 bits. Heye, da AMD,
admite que a transição dos 32 para os 64 bits nos desktops não vai acontecer
do dia para a noite. Mas ao colocar 64 bits nos futuros processadores, a AMD
se prepara para o futuro. "O que vai acontecer em 2004 ou talvez em 2005? É
difícil dizer. A migração vai ocorrer com o tempo, e quando isso acontecer
estaremos em todos os lugares, no servidor, no desktop e no notebook",
finaliza.

Cadê a Intel?
Uma ausência notável da discussão sobre 64 bits no desktop é a Intel, maior
vendedora de chips do mundo.

Embora a companhia tenha gasto tempo e recursos consideráveis para
desenvolver o processador de 64 bits Itanium, agora em sua segunda geração,
esse produto topo de linha é devotado apenas aos servidores. Na real, a
Intel nunca falou sobre planos de 64 bits no desktop. "Essa é uma plataforma
de grande uso nos bastidores, em servidores e bancos de dados", diz o
porta-voz George Alfs. Ele diz que a Intel não está convencida ainda de que
a tecnologia tem lugar no desktop.

"É difícil dizer quando será a hora certa para essa transição", comenta o
porta-voz da Intel. "A infra-estrutura não está aqui hoje, mas mantemos
nossas opções abertas."

A Intel quer manter a computação de 64 bits nos servidores, para vender mais
processadores Itanium, de acordo com Krewell - e não vender o Itanium para o
desktop. Além disso, há uma diferença fundamental entre o Itanium e os chips
da Apple e AMD. Enquanto o G5 e o Athlon 64 conseguem rodar aplicações de 32 bits nativamente, o Itanium é um chip puro-sangue de 64 que requer software
de emulação para rodar software 32 bits - e fica mais lento com isso.

Existem rumores, entretanto, que a Intel criou um processador de 32/64 bits.
Seria o chip Yamhill, pronto para chegar ao mercado assim que o mercado de
desktops 64 bits se aquecer. Se tal tecnologia existe, poderia até fazer
parte da próxima geração de chips para computadores de mesa, conhecida como
Prescott e que será lançada ainda este ano. A Intel não comenta os boatos
sobre o Yamhill.

Sweeney, da Epic, também acha que a Intel parece relutar em levar os 64 bits
para os desktops, mas diz que a companhia é muito experiente para deixar a
concorrência passar à frente nessa importante tecnologia. "Nos próximos dois anos, ou a Intel lança um chip de 64 bits para desktop ou vai perder a liderança no mercado consumidor e corporativo", diz Sweeney.

"Se eu estivesse na posição da Intel, trabalharia para lançar o chip de 64
bits e, enquanto isso não ocorre, eu menosprezaria a importância dessa
plataforma", conclui.

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