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Com a cara na internet

Tome cuidado para não pagar duas vezes ao criar o novo site da sua empresa.

Fernanda K.Ângelo

18/07/2005 às 16h02

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Sua empresa ainda não deu o ar da graça na internet? Nunca é tarde para marcar presença. É só escolher um profissional para tocar a empreitada. Mas aí surge a dúvida: investir para ter uma página melhor e com mais recursos ou economizar e adotar um site mais limitado?

“Gastar 3.800 reais para desenvolver um site? Só pode ser piada! Meu sobrinho faz esse trabalho para mim por 300 reais.” Respostas desse tipo fazem parte do dia-a-dia das agências de criação de soluções web. Tanto que até já deram nome a esses jovens desenvolvedores: são os ‘sobrinhos homepage’”, diz Rodrigo Brito, diretor comerical da DM Web (www.dmweb.com.br), empresa de criação de soluções para a web.

A diferença de valores cobrados pela criação de sites institucionais é realmente impressionante. As agências especializadas apresentam orçamentos médios que ficam entre 1.800 reais e 5.600 reais, enquanto desenvolvedores independentes pedem, muitas vezes, apenas 300 reais para realizar o trabalho. Escolher o mais econômico, no entanto, nem sempre é a opção mais inteligente.

Os especialistas alertam para o fato de o barato sair caro muitas vezes, já que um trabalho malfeito pode exigir novos investimentos para ser corrigido. “Há casos que vão parar na Justiça porque o contratado promete um serviço que não consegue entregar”, diz Helton Falusi, diretor da HTC (www.htcsolutions.com.br), empresa especializada em soluções de internet.

Falusi justifica a disparidade de preços listando uma série de diferenciais dos serviços especializados. Para começar,qualquer projeto deve obrigatoriamente seguir uma identidade visual. E esses elementos de identificação têm de levar em conta o público-alvo, bem como o que ele espera do site. Segundo ele, o valor cobrado por agências especializadas é naturalmente mais alto porque elas dedicam diversos profissionais para um único trabalho – há desde um web designer até uma equipe de criação e um gerente de projeto.

“É arriscado contratar apenas um profissional, pois dificilmente ele será bom tanto na criação de um layout adequado quanto na programação do site”, sugere o diretor. “Se o site é voltado para jovens, por exemplo, é interessante incluir muitos recursos de interatividade. Já se o público-alvo é formado por profissionais mais velhos, as informações devem ser claras e objetivas”, explica. O risco é abalar a imagem da empresa. “O site é como um cartão de visitas. Se for feio ou bagunçado, o internauta certamente vai imaginar que a empresa é ruim e desorganizada”.

O executivo também destaca que as ferramentas de publicação e editores de html existentes atualmente auxiliam bastante o trabalho, mas não dão conta do recado. “Na hora de programar efetivamente, o profissional precisa ter muito conhecimento de códigos”, diz. Rodrigo Brito, da DM Web, concorda. “As ferramentas de publicação, por si só, não funcionam. O site pressupõe um processo de criação visual. É impossível padronizar um layout. Não dá para ter uma estrutura engessada”, diz.

No caso do desenvolvedor independente falhar na hora da programação, o cliente pode, no final das contas, gastar novamente com a contratação de empresas especializadas capazes de corrigir os erros. Quando isso acontece, o projeto precisa ser “demolido” e construído novamente a partir do zero. “Não existe na internet o aproveitamento do que já está feito. Geralmente, a empresa não sabe a estrutura que foi usada anteriormente. É mais fácil começar de novo”, explica Brito.

Para ele, esta é uma das maiores vantagens da contratação de uma empresa especializada em desenvolvimento de soluções de internet.

“Ela não entrega e vai embora. A dinâmica da própria internet demanda atualizações constantes. Quando você contrata uma empresa, tem segurança, sabe que a informação não será detida por uma única pessoa e assim o projeto não é prejudicado.” Segundo o Brito, vários clientes chegaram até a DM Web depois de experiências desastrosas. “Os ‘sobrinhos homepage’ normalmente são frilas. Eles podem receber parte do pagamento e desaparecer, ou arrumar um emprego fixo no meio do caminho e abandonar o projeto”, explica.

O web designer Ricardo Untem destaca outra vantagem dos profissionais especializados sobre os “amadores”. “Conhecemos algumas artimanhas que esses criadores independentes desconhecem”, diz. Um exemplo disso são as metatags, códigos específicos que ajudam o site a se sair melhor que outros em resultados de busca. “Alguns buscadores têm mecanismos que rastreiam metatags. Elas não garantem que o site vá ficar entre os top 10, mas ajudam a página a ter uma descrição mais precisa”, diz o designer. Quanto maior a exposição nos sites de busca, mais visitantes um site tem.

Por conta própria
Mesmo com todas essas opiniões contrárias, se a idéia é colocar no ar apenas um site institucional simples, pode ser válido economizar e contratar um desenvolvedor autônomo – ou até criar o site sozinho. Roberto Antonio Engracia, especialista em desenvolvimento web do Senac-SP, explica que a contratação de um profissional independente é válida sempre que o projeto não envolva muitos recursos multimídia. “Se os recursos desejados forem poucos, a contratação de um autônomo é suficiente”, diz, acrescentando que há hoje no mercado muitos profissionais qualificados.

“Tem muita gente que está se especializando em desenvolvimento de internet, e as empresas especializadas não conseguem absorver toda essa mão-de-obra. O comprometimento depende muito da formação do profissional”, afirma. Se a empresa temer a possibilidade de não contar com um profissional para manter o site atualizado, outra opção é treinar um funcionário para a função. “Isso demanda tempo e investimento, mas é válido”, sugere Engracia.

No caso de uma empresa mais doméstica, uma terceira saída é o próprio dono tratar de colocar o negócio na internet. O curso “Formação Web Designer”, do Senac, é uma boa pedida para esses empreendedores. Com carga horária de 144 horas, o curso custa 1.690 reais e tem como pré-requisito apenas noções básicas de Windows e internet.

O professor do Senac destaca, porém, a necessidade de uma especialização contínua. Para Engracia, a contratação de uma empresa especializada em soluções de internet é imprescindível no caso de grandes projetos. “É necessário uma equipe grande, composta de profissionais com conhecimentos diversos, para manter o site. Aí, não vale mais a pena cuidar de tudo por conta própria”, justifica.

 

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