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Segunda parte: 10 anos de Linux International e a criação do Linux Mark Institute

Na segunda parte de sua entrevista exclusiva a PC WORLD, Jon "Maddog" Hall explica a polêmica decisão da cobrança de licenças de uso da marca Linux e faz um balanço de uma década de atuação à frente da organização Linux International

Luís Fernando Tinoco

04/10/2005 às 12h01

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Na segunda parte de sua entrevista exclusiva a PC WORLD, Jon "Maddog" Hall explica a polêmica decisão da cobrança de licenças de uso da marca Linux e faz um balanço de uma década de atuação à frente da organização Linux International.

Maddog - aula em São Paulo

Em agosto, foi anunciada a criação do Linux Mark Institute (LMI), que passou a cobrar licenças de uso da marca Linux de empresas que criam distribuições do sistema e ganham dinheiro com isso. Qual a participação do senhor no LMI?

Há muitos anos, uma pessoa registrou a marca Linux nos Estados Unidos e disse que as empresas deveriam pagar um quarto de seu faturamento para usar o termo. A Linux International contratou um advogado e gastou muito dinheiro para transferir o registro da marca para Linus Torvalds (criador do sistema). Linus detém a marca desde então, por segurança, mas não quer ter de lidar com todos esses problemas legais. Então formamos o Linux Mark Institute, cuja responsabilidade é proteger a marca e assegurar que todos a utilizem apropriadamente. Contratamos advogados, criamos sub-licenças e tudo isso custa dinheiro e não temos outro lugar de onde tirá-lo.

A decisão então partiu de Linus Torvalds e da Linux International?

A idéia existia há muito tempo, nós apenas não a perseguimos como agora. Ela veio do Linus Torvalds porque nós o convencemos que era necessário. Ele disse: ok, entendo que é preciso, quero que todo mundo use o termo Linux para causas legítimas. Linus quer protegê-lo porque foi criado a partir de seu nome. Nós também queremos protegê-lo para que ninguém possa usá-lo para nenhuma causa ilegítima. É preciso garantir que as pessoas vão usar a marca para as coisas certas. Não para algo como pornografia ou drogas. Há também pessoas que usam o termo Universidade Linux e o registraram como marca, o que significa que ninguém mais pode usar esse nome. Dizemos que isso é mau porque deveriam existir muitas Universidades Linux e pedimos que apenas qualifiquem um pouco mais e usem algo como Universidade Linux de São Paulo. Temos que proteger a marca e isso custa tempo, dinheiro e energia.

Como é feita a cobrança?

É importante dizer que o Linux Mark Institute não afeta, de modo algum, o uso do software Linux. Qualquer um pode usar o software para o que quiser porque isso é completamente separado da questão de usar o nome Linux para ter lucro. Nós fomos às empresas que têm lucro com a marca e dissemos: vocês escolheram usar o termo Linux para seus produtos porque ele tem algum valor para vocês. Como ele tem algum valor e vocês estão vendendo seus produtos, esperamos que façam mais dinheiro porque usam a palavra Linux. Pedimos uma parte muito pequena desse dinheiro para nos ajudar a proteger esta marca. Agora, se você não está vendendo nada mas tem o nome Linux como parte de seu projeto, e você não registrou a marca, então não precisa pagar nada. Se você tem o seu grupo local, que não usa marca para ganhar dinheiro, então não nos deve nada. Se alguém faz US$ 10 mil por ano e tem a palavra Linux no seu produto, então queremos que nos ajuda a proteger a marca. Se, no final de alguns anos, percebemos que estamos coletando mais dinheiro que precisamos, vamos reduzir as tarifas.

O senhor está há 10 anos no comando da Linux International. O que mudou? Os objetivos daquela época foram atingidos?

Conseguimos várias conquistas com a Linux International. Começamos como uma organização de vendedores, que levava em consideração as necessidades dos vendedores. Criamos um padrão muito bom para a criação de aplicações que faz com que aplicações feitas para Red Hat funcionem no Suse. Nós então tornamos esse padrão independente porque nossa filosofia é que, se colocarmos todos nossos projetos sob um mesmo guarda-chuva, dentro de uma única empresa, tudo vai por água abaixo se essa empresa tiver problemas.

Agora começamos o LMI para proteger a marca e estou contente com isso. Estou feliz também com o fato que ajudamos na realização de muitas feiras e conferências. Eu ajudei a desenvolver o Linux World nos Estados Unidos e no ano que vem estarei aqui no Brasil para a primeira edição do evento na América do Sul. E falo com muitos governos, grupos e empresas sobre o uso do software livre. Agora, as coisas mudaram e acho que o conceito de apenas falar sobre software livre está chegando ao fim. A organização de vendedores mudou para a OSDL (Open Source Development Labs). Então eu gostaria de direcionar o LI para ser uma organização voltada ao usuário final. Ainda não estamos totalmente prontos para isso, mas estamos no processo. É um trabalho em andamento.

Leia a íntegra da entrevista:

Parte 3: segurança no desktop e supercomputadores para leigos

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