Home > Notícias

Puro ou híbrido

10/10/2005 às 10h53

Foto:

Apesar do nome genérico, há três modalidades de serviços VoIP. A primeira é a comunicação computador-computador, baseada em soluções como o Skype, o Google Talk, o MSN Messenger e os outros programas do gênero e comunicadores instantâneos. O inconveniente desse tipo de comunicação é que os interlocutores precisam estar diante do computador e conectados à internet para que a conversação se estabeleça. 

Uma segunda modalidade de VoIP conecta um computador a telefones fixos ou móveis – ou seja, enquanto em uma das pontas se usa VoIP, na outra está em ação o serviço telefônico fixo comutado (STFC) –  isto é, a rede de telefonia tradicional. Nesse grupo, enquadram-se serviços como o SkypeOut, o UOL Fone e o Net Fone.

A terceira modalidade é a telefonia via internet pura, pela qual as pessoas tanto fazem como recebem chamadas de qualquer telefone comum que esteja ligado, por meio de um acessório denominado ATA (adaptador de telefone analógico), à conexão em banda larga. Nesse cenário, os interlocutores ficam dispensados do uso do computador. Serviços dessa categoria são fornecidos por empresas como GVT, TMais, Hip Telecom, TVA e Primeira Escolha.

O Taho está entre a segunda e a terceira modalidade, pois usa um ATA para conectar telefones convencionais, porém ainda não permite que o usuário receba chamadas, uma vez que aguarda a liberação, pela Anatel, de um plano de numeração. Enquanto isso não acontece, dois usuários do Taho podem conversar entre si sem custo, mas não é possível ligar de um telefone convencional para um aparelho do Taho.

“O Skype não é telefonia via internet. Na sua contabilidade entram usuários registrados, mas poucos usam o serviço efetivamente”, provoca Rodrigo Dienstmann, vice-presidente executivo da unidade de negócios VoIP da GVT. A companhia telefônica, espelho da Brasil Telecom no Sul do País, lançou, em setembro, a segunda versão do WebFone, desta vez com estratégia mais agressiva e disposta a disputar a liderança neste segmento.

O novo serviço da GVT tem custo de assinatura de 15 reais, com franquia de 100 minutos e número telefônico válido em todo o território nacional. Seu diferencial é a possibilidade que o assinante tem de falar para 146 localidades, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e as principais cidades das regiões Sul e Centro-Oeste, com o custo embutido no valor da assinatura. Quem ultrapassar o limite, paga 0,12 real por minuto de conversa. Com o plano anterior – de 29,80 reais a assinatura e franquia de 180 minutos de conversação – a empresa conquistou 10 mil clientes. Até o final do ano, espera chegar a 150 mil usuários.

Os obstáculos ao crescimento dessa base de clientes no Brasil restringem-se ao custo e à penetração de internet banda larga, ainda baixa na avaliação de especialistas, e da oferta dos adaptadores de telefones analógicos (ATA), dispositivos que liberam o usuário das amarras do computador e cujo custo gira em torno de 500 reais. “Isso é uma barreira, mas assim como ocorreu com os modems ADLS, este preço tende a cair de 30% a 40% ao ano com o aumento da demanda”, aposta Dienstmann, da GVT.

Atualmente, mais de 30 prestadores de serviço se engalfinham no mercado brasileiro de VoIP, alguns para conquistar os usuários empresariais, outros para atrair a atenção do usuários residenciais e um terceiro grupo para atuar em ambos os segmentos. Qual o tamanho desse mercado?  A estimativa da Teleco é que o País termine 2005 com mais de 4,2 milhões de conexões banda larga, número que serve de base para os planos de negócios das operadoras interessadas em VoIP. Como muitos fazem chamadas DDD e DDI, os usuários de banda larga são potenciais consumidores de serviços VoIP.

A IDC até arrisca afirmar que a expansão da telefonia via IP possa consumir parte da receita das operadoras convencionais com ligações locais e de longa distância. Porém, esta parcela ainda é pouco representativa na receita total, principalmente no que se refere ao consumidor residencial que, segundo acredita,  não consegue definir com precisão o retorno financeiro que a nova tecnologia proporciona.  “Exceto para quem tem parentes fora do País e necessita fazer interurbanos com economia, VoIP tem sido utilizado mais como uma brincadeira. Ninguém abandonou a telefonia convencional”, completa Mauro Peres, diretor de pesquisas e análises da IDC Brasil.

Até porque são poucos os serviços que oferecem número para o retorno de chamadas. A maioria das opções funciona como um serviço de telefonia pré-paga via internet. No caso do UOL Fone, por exemplo, o assinante precisa entrar na página, fornecer login e senha, criar uma conta e comprar o número de créditos que julgar mais conveniente. Depois, baixa o programa e faz as ligações para telefones fixos e celulares no Brasil e no exterior. Mas, para receber chamadas, ainda depende do telefone convencional.

Quem parte para os serviços de VoIP  tanto para fazer quanto para receber chamadas vai enfrentar outros inconvenientes. É a necessidade de troca do número telefônico e a manutenção da linha contratada junto à concessionária se usar um serviço de banda larga via ADSL, que se vale da infra-estrutura de telefonia fixa. “Mas as vantagens dos produtos ultrapassam a dificuldade da mudança de número”, avalia Peres.

Além de economizar um bons trocados, o usuário de VoIP ganha uma certa mobilidade. Não é nada que se compare à comodidade proporcionada pelos telefones celulares, mas quando vai de um lugar para outro e disponha de uma conexão à internet, esse usuário VoIP pode utilizar o serviço como se estivesse em casa. “No caso da GVT, ele nem precisa do programa de discagem SoftFone  porque tem um login e senha para acessar o serviço pelo site da companhia como se fosse um webmail”, diz Dienstmann.

Confira a reportagem completa na
edição de outubro de PC WORLD

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail