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A vez dos portáteis

Com preços em queda e cada vez mais recursos, os computadores portáteis conquistam usuários e ameaçam o reinado dos desktops

Renato Rodrigues

27/10/2005 às 18h45

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NotebookilustraPreços em queda, recursos em alta, conexão com a web cada vez mais fácil. O novo perfil dos notebooks faz com que cada vez mais empresas e usuários domésticos adotem a computação portátil. “O ano está sendo muito bom na área de mobilidade”, comemora Valéria Molina, gerente de equipamentos portáteis da HP Brasil. Os números justificam o otimismo da executiva. Segundo a consultoria IDC, foram comercializados 200 mil portáteis no País em 2004, número que deve crescer 20% em 2005, com forte ritmo de crescimento – em torno de 12% ao ano – pelo menos até 2010. “É o dobro do que cresce a venda de desktops”, afirma Arthur Isoldi, gerente de notebooks da Lenovo, a gigante chinesa que comprou a divisão de micros pessoais da IBM. Os preços em queda animam os consumidores.  “Há dois anos, um portátil básico custava em média R$ 5 mi. Hoje há máquinas de R$ 3,5 mil”, compara Ivair Rodrigues, gerente de análises da IDC Brasil.

Em maio, pela primeira vez as vendas de notebooks superaram as de micros de mesa nos Estados Unidos – 54% contra 46% do mercado total. Mundialmente, o comércio de portáteis crescerá 19% este ano, mais de três vezes acima da taxa dos desktops. Ao todo,serão 52 milhões de notebooks – quase metade do total de micros de mesa. Outro levantamento da IDC prevê que o total mundial de trabalhadores remotos crescerá de 650 milhões em 2004 para 850 milhões em 2009 – o que significa que um em cada quatro empregados usará um equipamento móvel para trabalhar antes do final da década.

No Brasil, não falta espaço para o crescimento das vendas de portáteis. A IDC estima que de cada 100 computadores vendidos no País, apenas cinco sejam notebooks – um décimo da fatia nos Estados Unidos.  Um dos fatores para uma taxa de penetração tão baixa é a diferença de preço entre portáteis e desktops básicos – embora em queda, ainda na casa de 160%. “No Japão, ela é somente de 10%”, afirma Rodrigues.

Apesar dessa diferença gritante no preço, a forte adoção dos notebooks nas companhias brasileiras impulsiona o mercado. “As empresas descobriram que os portáteis são mais produtivos que os micros de mesa”, afirma o analista da IDC. A mobilidade dos laptops permite o surgimento de novas práticas, com o velho escritório de desktops sendo substituído por “espaços de trabalho”, onde os funcionários chegam, conectam seus laptops à rede da empresa sem o uso de fios e trabalham o tempo necessário. É o caso da Cisco, por exemplo, que adota o “escritório virtual”.

“O momento não poderia ser melhor”, comemora Daniel Rostirola, gerente de notebooks da Dell. “O brasileiro já começa a ver o portátil como opção de primeira compra”, diz. A Dell oferece atualmente uma das máquinas mais baratas no país, o Latitude 110L, na casa dos 3 mil reais. Para ele, é possível que os preços caiam ainda mais nos próximos meses. “Com a popularização, os custos fixos ficam menores e a diferença em relação aos desktops diminuirá”, acredita o executivo.

Continuação

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