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É hora de rever conceitos

Temos o diploma, não o preparo. Somos criativos, mas não inovadores

Bob Wollheim

28/10/2005 às 11h58

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Bob WollheimCerta vez, quando perguntei a um amigo americano investidor o que ele achava dos empreendedores brasileiros, ele respondeu: “São brasileiros!” O que parecia ser uma anti-resposta de tão evasiva, era, na verdade, uma explicação muito boa: os empreendedores brasileiros são uma amostra do que é nosso povo, com todas as coisas boas e ruins. Ou seja, se, por um lado, somos atirados, ousados, agressivos, criativos e destemidos, temos outras características negativas que nos mantêm presos ao que se convém chamar de país emergente.

Tenho observado e escrito muito sobre empreendedorismo e noto que temos uma auto- estima muito baixa. Pensamos pequeno, pensamos Brasil. Raramente pensamos mundo. Somos empreendedores que acreditam muito na prática e pouquíssimo na educação, na construção de longo prazo, na formação e na preparação. Nosso presidente e seu vice adoram dizer que “chegaram lá” sem estudar! Lá onde, cara pálida? Se for onde eles nos levaram, não quero não, obrigado.

Somos pouco preparados academicamente como conseqüência dessa visão distorcida de olhar apenas para a prática e de acreditar que o que vale na educação é um diploma. Só. Temos o diploma, não o preparo. Somos criativos, mas não inovadores. Sabemos resolver problemas de forma criativa quando eles aparecem, mas raramente os antecipamos e, com eles, dificilmente antecipamos as soluções e as oportunidades que geram. Temos um complexo de Terceiro Mundo arraigado, o que nos coloca sempre na fila de trás.

E somos um povo individualista. Apesar de se tratar de tendência mundial, a “Lei de Gerson” impera no Brasil e nos faz unicamente preocupados com nosso bem-estar e sucesso pessoais. Jogamos lixo (e tudo mais) na rua sem a menor preocupação. Afinal, alguém irá recolher. Alguém quem, companheiro?

Convivemos com governos ladrões, com uma das piores distribuições de renda do mundo, com a criminalidade nas alturas etc. E pouco (ou nada) fazemos.

Se você acompanhou meu desabafo até aqui (muito obrigado), penso que é hora de explicar por que o faço. Em primeiro lugar, quero deixar claro que sou brasileiro, otimista, amo esse país e acho sim que temos jeito. Escancaro nossas mazelas justamente por isso. A auto-adulação é uma grande bobagem e não leva à evolução, não leva a nada. Como empreendedores, temos de ter mais coragem de encarar a realidade. E mudar a realidade.

O que mais me anima é que, ao olhar para as colunas positivo versus negativo, vejo que o saldo ainda é bom e, mais importante, o espaço reservado aos negativos é composto de coisas que podemos alterar. São basicamente atitudes e um modo de olhar o mundo, coisas que mudamos sem depender de ninguém, apenas de nós mesmos.

Bob Wollheim é empreendedor, diretor da Tripix (www.tripix.com.br), do E-Labs SSJ (www.elabasssj.com.br) e autor do livro Empreender não é brincadeira – Bob@tripix.com.br

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