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Inovação para a Microsoft é oferecer mais do mesmo

É inevitável a sensação de déjà vu com os novos produtos da Microsoft. Por Stephen Manes

Stephen Manes

31/10/2005 às 11h36

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Stephen Manes - Full DisclosureA versão mais nova do carro-chefe da sua empresa leva um nome que faz veteranos como eu lembrar de carros antigos como o Dodge Colt Vista ou até do ancião Oldsmobile Vista-Cruiser? Pois, na Microsoft, isso é encarado como inovação. No discurso de abertura de uma recente reunião de analistas, o CEO Steve Ballmer citou a palavra “inovação” nada menos que 24 vezes.

Como assim? A história da Microsoft, em grande parte, está ligada a desenvolver (ou comprar) e depois comercializar agressivamente variantes às vezes aprimoradas das idéias de outras pessoas. Se há concorrência, a Microsoft faz produtos bons o bastante ou baratos o bastante para sufocá-la. Depois dorme sobre os louros e parte para retrabalhar outras idéias que ela não gerou.

O que foi revelado do Windows Vista é desolador. Um modo padrão exige que os usuários digitem uma senha administrativa antes de instalar programas. Esta idéia aumenta a segurança, mas existe há muito tempo no Mac OS X da Apple. Busca integrada? A Apple já tem. Registro? Não há sinal de tal monstruosidade no OS X, mas ainda estará no Vista para deixar os usuários malucos. Copiar as boas idéias da concorrência e preservar uma idéia ruim que você teve – isso é inovação!

Com o Motorola Q teremos, talvez, um telefone Windows Mobile com teclado que desafie o BlackBerry e o Treo. Dar vida a uma imitação do BlackBerry – isso é inovação! Há tempos o Documents To Go é capaz de encaminhar documentos do Office entre um PC e um dispositivo portátil e vice-versa sem perda de formatação. O mesmo faz a nova versão do Windows Mobile, depois de anos de handhelds e smartphones lidando mal com documentos do Office. Aderir a uma idéia melhor de terceiros – isso é inovação! E, o cúmulo do atrevimento, a empresa que fornece software inseguro planeja cobrar dos consumidores uma taxa por um serviço criado para protegê-los contra vírus e spywares.

Mesmo quando a Microsoft topa com algo que possa passar por inovação, não consegue acertar 100%. Os Tablet PCs ainda não executam de maneira consistente o reconhecimento de escrita manual. Os serviços de música por assinatura baseados no Windows Media realizam uma operação que o iPod não faz: permitem que você pague uma taxa mensal baixa por todas as canções que puder consumir e que você as conserve e copie em tocadores portáteis se continuar pagando – legal, mas os fabricantes de dispositivos e os provedores de serviços não suportam esta tecnologia de maneira confiável e universal.

O que nos traz de volta ao tema do marketing desafinado da Microsoft. Ele apresenta anúncios que sugerem que você é um dinossauro se não comprar a última versão do Office (embora ele estampe um “2003” no nome e seu sucessor já tenha sido anunciado) e nomes tão imaginativos quanto o Oldsmobile de seu pai – ops, Vista.

Stephen Manes é editor-colaborador da PC WORLD – EUA e co-apresentador do programa Digital Duo, transmitido (em inglês) no endereço www.pcworld.com/digitalduo

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