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Michael Dell critica notebook de US$ 100

Segundo o CEO da fabricante de computadores, o projeto de Nicholas Negroponte não atende as necessidades dos países emergentes

Daniel dos Santos - Round Rock, Texas*

03/11/2005 às 11h09

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O projeto de oferecer notebooks de baixo preço a estudantes em países emergentes, criado pelo co-fundador do laboratório de mídia do MIT, Nicholas Negroponte, não atende as necessidades desse público e tem sérios problemas estruturais. É o que afirma Michael Dell, chairman e CEO da Dell, empresa que lidera o mercado mundial de PCs.

Em entrevista concedida na quarta-feira (02/11), nos Estados Unidos, a jornalistas da América Latina e Canadá, o executivo declarou que é preciso ser cauteloso para não gerar falsas expectativas com o projeto. “Esse tipo de equipamento é realmente o que essas pessoas precisam?”, indaga o executivo.

Segundo ele, o laptop de US$ 100 teria sérias limitações tecnológicas, além de depender de conexões não disponíveis em larga escala nos países emergentes. “Se fosse tão fácil criar um computador desse tipo, ninguém precisaria comprar um novo. E estaríamos utilizando o mesmo tipo de computador que tínhamos em 1981”, destaca Dell, que também ressalta a barreira dos custos de produção de um computador – muito acima desse valor – e as reais necessidades das populações carentes do terceiro mundo. “O que é mais importante para quem precisa de ajuda: computadores ou água tratada e remédios?”, pergunta.

Mercado de PCs

Questionado por PC WORLD sobre a queda de lucratividade no mercado de computadores (por conta de preços e margens menores), o fundador da Dell afirmou que os lucros de sua companhia no terceiro trimestre (ano fiscal de 2006) “continuam a crescer, embora não como antigamente”. “Nossa companhia pode crescer de forma substancial nos próximos anos, com as oportunidades que temos”, explica o executivo, que aponta o bom potencial em áreas como serviços, armazenamento, servidores e impressoras.

A receita da companhia no ano fiscal de 2005 foi de US$ 49 bilhões, número que a Dell pretende ampliar para US$ 80 bilhões em até cinco anos, com a aposta nas receitas geradas fora da divisão de desktops. Em 31 de outubro, a empresa revelou que sua receita no terceiro trimestre do ano ficará abaixo das previsões, por conta de problemas em mercados como Estados Unidos e Reino Unido. O faturamento no período atingirá USS$ 13,9 bilhões, contra a previsão inicial entre US$ 14,1 bilhões e US$ 14,5 bilhões. O anúncio oficial dos resultados do período será feito apenas em 10 de novembro.

* Daniel dos Santos viajou a Round Rock, Texas, a convite da Dell

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