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Armas para a inclusão digital

Em entrevista exclusiva a PC WORLD, o vice-presidente mundial de vendas da Intel, Anand Chandrasekher, revela as três tecnologias quentes para dar internet para todos - e multiplicar o faturamento da empresa - nos próximos anos.

Luís Fernando Tinoco

04/11/2005 às 15h32

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Shandrasekher - gdeA Intel faz ensaios com a tecnologia de internet sem fio WiMax em Ouro Preto-MG e Mangaratiba-RJ. No mês passado, o vice-presidente mundial de marketing e vendas da fabricante, Anand Chandrasekher, passou por São Paulo e firmou acordo com a PRODAM (Companhia de Processamento de Dados do Município de São Paulo) para iniciar ensaios na capital paulista. Em entrevista exclusiva a PC WORLD, o executivo, um dos pais da bem-sucedida plataforma Centrino, revelou expectativas ambiciosas para o Brasil e os demais mercados emergentes. Para ele, o desenvolvimento desses países passa obrigatoriamente pela inclusão digital, um trabalho de longo prazo que envolve crianças, adolescentes, professores e micro e pequenas empresas. E a inclusão digital passará, inevitavelmente, no entender da Intel, por três tecnologias: computadores dual-core, WiMax e mobilidade. Leia a íntegra da conversa.

PC WORLD - Qual a importância dos mercados emergentes para a Intel hoje?

Anand Chandrasekher - Os mercados emergentes estão crescendo bastante nos últimos dez anos. Se voltarmos para 1995, representavam cerca de meio bilhão de dólares de faturamento anual para a Intel. Hoje, só a China representa US$ 5 bilhões. O crescimento tem sido grande e acreditamos que isso vá continuar.

O que digo aos nossos investidores é que muita gente pensa que a China é o único mercado emergente, mas há América Latina; Rússia e Leste Europeu; Sul da Ásia; e Oriente Médio, Turquia e África. Cada um desses quatro, provavelmente se tornará um mercado de mais de US$ 1 bilhão ao ano para a Intel.

Os números se tornam interessantes, mas o fato é que estamos presentes nesses mercados bem antes desses números crescerem. Estamos na China há 20 anos, no Brasil há 15. Não estamos nesses mercados com metas de curto prazo. Estamos para criar esses mercados.

Criar esses mercados significa promover a inclusão digital?

O Brasil e os outros mercados emergentes tem uma enorme possibilidade de se tornarem muito mais competitivos no futuro ao adotarem a tecnologia da informação. Acreditamos que, se pudermos investir na expansão da capacidade da população e assim empurrar o país para frente, eventualmente colheremos dividendos. É um papel de longo prazo. Atuamos em mercados emergentes há 20 anos e toda nossa confiança em cada um desses investimentos foi na aposta a longo prazo. Investir em educação, cultivar uma cultura local de tecnologia, construir uma indústria de TI dentro desses países, criar um mantra em torno do tema são as estratégias. No processo, a Intel tem muitos benefícios, mas os países também se beneficiam. É isso que buscamos.

E em que estágio está o Brasil nesse processo de longo prazo?

Estamos no Brasil há quase 15 anos e certamente houve um crescimento enorme e uma aceleração do setor de tecnologia, mas há ainda muito a fazer e espaço para crescimento. Uma vantagem do Brasil em relação a muitos países é o fato de não haver um legado tão extenso, então é possível pular passos. Para os Estados Unidos, por exemplo, a adaptação a uma nova tecnologia como o WiMax é bem mais difícil porque há inúmeras tecnologias e infra-estruturas já existentes e funcionando. Para o Brasil, pular para o WiMax é relativamente fácil e rápido.

Leia a íntegra da entrevista:
> Parte II: As três tecnologias quentes para os próximos anos e o significado para a Intel da conquista da Apple.

> Parte III: A inclusão das pequenas empresas e a criação de um platform definitions center em São Paulo.

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