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Armas para a inclusão digital – Parte III

Luís Fernando Tinoco

04/11/2005 às 15h38

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PC WORLD - Para muitos, inclusão digital é dar computadores com e-mail para comunidades carentes. É disso que falam?

Anand Chandrasekher - O modo como trabalhamos para desenvolver países emergentes tem diversas camadas. Uma é o Intel Computer Club House. Já temos alguns no Brasil. São realmente voltados para deixar as crianças excitadas com a tecnologia, para criar vontade de usar. Há também o Intel Learn, voltado para crianças de 10 a 18 anos, para ajudá-las a aprender, não apenas a se divertir. Depois, há o Intel Teaching to the Future, que não atinge estudantes diretamente, mas professores. Queremos ajudá-los a incorporar a tecnologia ao processo de ensino.

E, no topo disso tudo, está a Intel Science and Education Foundation Fair, voltada para espalhar excitação. Escolhemos adolescentes do mundo todo e eles criam e competem entre si. Quando visito uma dessas feiras e vejo os olhos de uma criança brilhando ao usar uma nova tecnologia, é muito bacana. Se as crianças estiverem animadas com a tecnologia, elas vão se aprofundar nela e vão fazer os países avançarem. Todo o bolo se torna maior.

Em Bangalore, na Índia, passei uma hora discutindo projetos com crianças de 7 a 13 anos, de comunidades muito carentes. Uma delas pesquisava sobre homeopatia na internet, outra fazia um site sobre buracos negros! Isso é muito excitante. Poder colocar uma experiência com informática no currículo de crianças de áreas muito pobres é poderoso.

E há ainda as atividades direcionadas às pequenas empresas e os trabalhos de parceria com os governos. É um trabalho de muitas camadas.

Qual o papel das pequenas e micro empresas na inclusão digital?

Muito importante. Qualquer país que queira avançar na agenda de tecnologia da informação terá de passar pela formalização de um suporte governamental. Na minha opinião, uma política consciente de TI é condição para o desenvolvimento tecnológico de qualquer país no século XXI.

É similar em todo o mundo. Nossa observação é que a espinha dorsal de muitas economias em desenvolvimento tende a ser formada pelas pequenas e médias empresas. É o local onde se puxa o PIB do país. É assim no México e é assim no Brasil. Pequenas e médias empresas merecem ênfase quando se fala de inclusão digital, principalmente porque nos mercados emergentes a penetração da tecnologia da informação nessas empresas é muito, muito pequena.

Se o país juntar esses dois vetores – pequenas e médias empresas como a espinha dorsal de desenvolvimento e necessidade de inclusão digital -, o país não se tornará mais competitivo se o setor SMB (Small and Medium Business) não se mover. Então, o SMB precisa ser parte da inclusão digital.

A Intel criou este ano os platform definitions centers. Qual o objetivo?

Mercados emergentes têm necessidades específicas e precisamos nos tornar capazes de realmente atendê-las. Temos quatro deles em operação – Cairo, Bangalore, Xangai e São Paulo. Já desenvolvemos alguns projetos. São protótipos. Na Índia, há dois deles. Em muitos locais a energia elétrica é um problema, portanto criaram um protótipo de desktop cuja bateria pode ser recarregada por meio da bateria de automóveis. O outro é um PC a prova de poeira. O cooler, em locais muito empoeirados, atua como uma bomba de sucção de pó, portanto criaram uma solução muito simples que foi colocar um filtro no PC. Na China, foi criado um notebook para estudantes que queriam muito comprar notebooks mas tinham medo de serem roubados. Então criaram um notebook com sensores que disparam alarmes quando movimentos não esperados são feitos, como quando a tela é fechada muito rápido ou o notebook leva um tranco. São coisas diferentes, mas que atendem necessidades muito locais e específicas.

Algum desses projetos já se tornará um produto comercial?

O PC educacional da China sim, já vai para linha de produção em breve. Com modificações, mas mantendo a idéia inicial. O PC com filtro anti-poeira deve ir para o mercado também, em algum momento. É uma solução natural para um problema bastante grande. Já PC o ligado na bateria do carro, não tenho idéia.

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