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Parte I – O Linux mira os desktops e notebooks

30/11/2005 às 18h39

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Mandriva 2006 caixa - 200xPC WORLD – Qual a expectativa do senhor para o mercado de desktops, hoje dominado em cerca de 95% pelo Windows?

François Bancilhon, CEO da Mandriva – Não vejo nada que impedirá que o Linux tome 20% a 30% do mercado de desktops em cinco a dez anos, o que será muito bom para todo mundo, inclusive para a Microsoft. Utilizadores de base usam 5% das funcionalidades do Windows. Eles, ao fazer a migração para o Linux, encontrarão funcionalidades simples, robustas e confortáveis que permitem que façam seus trabalhos.

Precisamos também pensar em escala mundial. Na Terra, há 8.500 idiomas falados, a humanidade fala 8.500 línguas. O Microsoft Office existe em 25. O Mandriva Linux está disponível em 70. O debate não deve ser entre 25 ou 70, mas se o sistema deve ser aberto o suficiente para permitir às pessoas que falam as 8.500 línguas fazerem elas mesmas o trabalho de adaptar uma ferramenta à cultura delas e ao ambiente delas. Apesar dos seus 50 bilhões de dólares, a Microsoft não pode fazer versões para as 8.500 línguas. Por outro lado, a comunidade Mandriva que trabalha em torno do sistema pode fazer muito.

Qual a estratégia para difundir o Linux pelos desktops?

O mercado de desktops está decolando para o Linux. É um mercado em duas partes. Primeiro, o mercado dos grande público consumidor, que passa essencialmente pelos acordos de OEM. Fizemos um bom número de acordos na Europa, de grandes como HP, Dell e Nec. Aqui, também com HP, Positivo e vários OEM menores. Isso vai continuar a aumentar. Vamos fazer crescer o negócio por meio de grandes e pequenos parceiros. O mercado de pequenos é importante. Há avanços no controle sobre o mercado cinza e sobre softwares piratas, portanto há uma procura crescentes por produtos mais limpos. O outro lado é formado pelo mercado corporativo, onde vemos um certo número de contratos importantes de grandes empresas que migram com o Linux para os desktops.

São empresas que já utilizavam servidores Linux e passam o sistema para o parque de desktops?

Na Europa, constatamos inicialmente que todas as grandes migrações para Linux envolviam servidores, essencialmente servidores de infra-estrutura, mas posteriormente descobrimos que uma parte dos que migraram os servidores agora estão migrando os clientes. O Ministério do Equipamento (Transportes, Equipamento, Turismo e Mar) francês, por exemplo, depois de migrar 2 mil servidores, vai migrar 67 mil clientes. De outra parte, constatamos que certas empresas começam a falar diretamente na adoção nos desktops, sem passar por mudanças em seus servidores. Por exemplo, fechamos contrato com um grande banco francês que trocará o Windows pelo Mandriva em 12 mil postos de trabalhos de suas agências. Isso é uma novidade. Há uma lógica real de migração para o Linux nos desktops e a Mandriva está muito bem posicionada, pois é reconhecida como um dos líderes do setor.

Podemos dizer então que a taxa de crescimento do Linux atual é maior nos desktops que nos servidores?

Anteriormente era algo muito restrito e agora cresce cada vez. E isso vai se acelerar à medida que as empresas vejam testemunhos de migrações bem sucedidas. Os diretores de TI não são as pessoas mais corajosas do mundo. Eles têm um pouco de medo e querem segurança.

A íntegra da entrevista:
Parte II – Uma questão política ou econômica?
Parte III – As novidades do Mandriva Linux 2006
Parte IV – Mandriva tem crescimento e planeja aquisições

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