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Parte II – Uma questão política ou econômica?

30/11/2005 às 18h43

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PC WORLD – A Microsoft costuma ostentar em suas ações de marketing estudos de TCO (custo total de propriedade) dizendo que não há economia na migração para o Linux. Como o senhor responde a eles?

François Bancilhon, CEO da Mandriva – No mercado de consumidores, a lógica econômica é bastante simples. Vai se desenvolver mundialmente um mercado do PC de baixa gama, quero dizer, entre 300 e 500 dólares. Nesse PC, colocar o Windows não faz sentido. O preço do software será quase o preço do hardware, então não valerá a pena. Por outra parte, incluir um sistema operacional de algo entre 20 e 50 dólares pode fazer sentido. Aí está o verdadeiro mercado do Linux. Há um sentido 100% econômico. Esse mercado será ainda maior nos países emergentes, onde a Microsoft faz uma pressão crescente contra a pirataria de software. Se você pegar um mercado como o Vietnã ou a China, que devem seguir as regras da OMC e se colocar em conformidade com a regras de licença de software, eles tem de fazer uma escolha entre ficar com a Microsoft ou migrar para o Linux. No final, não farão nem um, nem outro, mas uma mistura dos dois.

Depois, há a lógica das grandes empresas. Os diretores de TI são as pessoas que sabem bem onde estão os gastos. Nós trabalhamos próximos aos diretores dos nossos clientes e acompanhamos quadros detalhados dos custos de adoção e uso do Linux. Onde a Microsoft se engana um pouco é que, muito freqüentemente, uma parte importante do TCO é gerada por uma equipe de suporte de TI. Essa equipe existe e existirá seja com o Windows ou o Linux, pode ser um pouco diferente conforme o caso mas estará lá. A única diferença é se a empresa paga licença de uso do software ou não. As pessoas que fazem as contas e vêm nos procurar, perceberam que usar o Linux sai mais barato. Há cada vez mais pessoas que concordam com isso.

Em recente passagem pelo Brasil, o presidente da Linux International, Jon Maddog Hall, afirmou que a adoção do Linux não é uma questão ideológica. Você concorda?

Na evolução do mercado do Linux, há claramente uma dimensão puramente econômica onde as pessoas tomam decisões motivadas por redução de custo e independência em relação a um fornecedor monopolista. Isso existe e vai aumentar. Mas há também uma dimensão política que não podemos ignorar. Essa dimensão política – que possui um componente socialista utópico do desenvolvimento com código aberto, que podemos achar simpático ou delirante, não importa – existe e não é neutra em relação à evolução da tecnologia Linux.

A dimensão mais importante é que vemos se desenvolver uma economia que funciona segundo regras diferentes da economia precedente. Ela não é necessariamente melhor ou pior, mas é diferente, há uma lógica diferente. Visto que as regras são novas, é uma oportunidade para os países que hoje não têm nem o conhecimento tecnológico nem lugar no mercado do software poderem penetrar nesse mercado. Aí há uma dimensão e uma mensagem extraordinárias para um bom número de países, para os quais podemos dizer: vocês perderam a primeira fase do crescimento da informática, mas, com essa nova regra do jogo, você pode adquirir o conhecimento desta tecnologia e se tornar um dos fornecedores dela. É por isso que encontro gente no Vietnã, na Malásia, na China e vejo uma política clara de interesse no Linux. É uma iniciativa, em grande medida, política. Os europeus também, que de uma certa forma perderam a guerra do software para os americanos, vêem a oportunidade de se recuperar. Não rejeito a dimensão política, ela existe.

Há alguma expectativa especial com relação às pequenas e médias empresas (PME)?

Há um mercado PME mais subterrâneo e difícil de atingir. É necessário uma rede grande de revendedores e isso leva muito tempo. Provavelmente, o mercado PME demorará um pouco mais a evoluir que o das grandes empresas, mesmo em nível global. Temos formas de nos dirigir às grandes empresas e aos consumidores, entre os dois há um trabalho de penetração difícil de fazer para chegar aos PME. Não quero dizer que não há sentido na adoção do Linux para eles. Temos clientes de 20 funcionários na França. É mais um desafio comercial.

A íntegra da entrevista:
Parte III – As novidades do Mandriva Linux 2006
Parte IV – Mandriva tem crescimento e planeja aquisições

Review:
Um pingüim mais fácil de usar

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