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Para Microsoft, open source é apenas um modelo diferente de negócios

Alan Yates, gerente geral da Microsoft, diz que comunidade do software livre é apenas um modelo de negócios diferente, baseado na venda de serviços

19/12/2005 às 20h11

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Na segunda parte de sua entrevista exclusiva a PC WORLD, o gerente geral de estratégia de negócios da divisão Information Worker da Microsoft, Alan Yates, fez uma contundente defesa dos produtos da companhia contra o software de código aberto. Segundo ele, não há grandes inovações vindas da comunidade do software livre, apenas uma forma diferente de comércio. Confira a íntegra da entrevista.

PC WORLD - Como a Microsoft vê o avanço do software livre sobre o mercado de desktops?

Alan Yates - O open source é apenas um modelo de negócios diferente. De forma alguma representa um jeito radicalmente novo de se fazer software. O modelo de negócios do código aberto está se movendo na direção do modelo de software comercial, mas com os serviços como aspecto predominante. Adotar esse modelo significa pegar pedaços de softwares de diferentes fornecedores e colar isso tudo em uma coisa só por meio de um pacote de serviços.

Por outro lado, a Microsoft, como uma empresa comercial de software, é muito mais aberta do que as pessoas nos dão crédito. Temos comunidades como MSDN, com centenas de milhares de desenvolvedores que trabalhamos todos os dias. Temos 400 milhões de consumidores que nos dão feedback diários por formas variadas. Também temos programas de compartilhamento do código fonte, nos quais estamos trabalhando de forma inovadora com o código de produtos, especialmente com clientes do setor público. Suportamos centenas de dispositivos, milhares de aplicativos, trabalhamos duro em interoperabilidade, participamos de organizações de padronização.

O senhor quer dizer, então, que não há grande diferença técnica nem econômica em optar por software de código aberto ou não?

Achamos que é uma simplificação diminuir a questão a uma oposição entre livre ou não livre. O que vemos são dois modelos de negócios. O primeiro é baseado no fornecimento de serviços e envolve muitos fornecedores de software. O segundo, mais simples, é baseado no fornecimento de software e tem a Microsoft como única encarregada de manter produtos atualizados e em funcionamento. Economicamente, é uma diferença entre venda de licenças e venda de serviços.

Nos países emergentes, essa é a visão predominante?

Achamos que essa é a abordagem lógica da questão e que, muitas vezes, nos países emergentes há uma pressão política pelo uso do software de código aberto que não tem relação com a realidade dos negócios. Existe esse tipo de pressão no Brasil e, em alguns casos, na Índia. No Chile, por exemplo, não há sinais dela.

Diversas distribuições recém-lançadas do Linux apostam na conquista do desktop. A Microsoft espera alguma mudança significativa nos próximos anos?

A competição é sempre saudável, mas, segundo o IDC, o Linux tem cerca de 2,7% dos desktops do mundo e não está crescendo. O que muitos não percebem é que todo software para desktop deve ser fácil de usar e o pessoal do Linux está um pouco imaturo nesse sentido. Com o Windows Vista e o Office 12, vamos quebrar uma nova barreira.

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