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Notebook de US$ 100?

Para Michael Dell, o portátil barato idealizado por Nicholas Negroponte, um dos fundadores do laboratório de mídia do MIT, pode frustrar as expectativas

Daniel dos Santos

22/12/2005 às 15h22

Foto:

Michael Dell-180x274Em
1984, Michael Dell, chairman e CEO da empresa que leva seu nome,
investiu mil dólares para criar uma companhia que fabricasse PCs e os
vendesse diretamente ao consumidor. A iniciativa deu mais do que certo.
Hoje, a Dell lidera o mercado mundial PCs e tem receita anual de quase
50 bilhões de dólares. Em entrevista a jornalistas da América Latina e
do Canadá, o executivo falou sobre temas como inclusão digital, Windows
Vista e redução de margem de lucro no mercado de PCs.  Confira
suas principais opiniões.

Notebook de 100 dólares – Seria bom se tivéssemos um computador
de 100 dólares. Na verdade, temos computadores desse tipo. Mas são
equipamentos que ninguém quer utilizar mais.  Você tem de ser
cauteloso com as expectativas criadas. Muitos desses projetos não são
computadores.  São terminais que mostram informações que vêm de
algum lugar. A única maneira de exibir essas informações é possuir
algum tipo de infra-estrutura de comunicação.  Vocês têm isso nas
vilas do Terceiro Mundo?  Outro desafio é que nem todas as
aplicações podem ser configuradas para rodar desse modo.  Se isso
fosse tão simples, ninguém compraria um novo computador. E estaríamos
utilizando o mesmo equipamento que tínhamos em 1981. Outro ponto que
podemos destacar é por que um computador custa mais de 100
dólares.  É porque seus componentes custam mais de 100 dólares. Eu
aplaudo Nicholas por suas idéias, mas temos de ser realistas sobre o
que realmente pode ser feito, sobre o que um computador realmente é e
como as pessoas poderão usá-lo. Com relação à inclusão digital, se você
pudesse oferecer algo às pessoas, acredita que é de computador que elas
mais precisam? Será que não necessitam mais de água tratada e remédios?

Windows Vista – Acho que vocês se surpreenderão com a rapidez
com que o Windows Vista decolará.  Estamos trabalhando muito com a
Microsoft nos últimos anos para saber como preparar a nova geração de
hardware para os recursos de software, porque ele oferece melhorias
significativas na apresentação visual da informação, tornando as
aplicações mais intuitivas e fáceis de utilizar e lidando melhor com
novos tipos de mídia.  Acredito que sejam melhorias mais
relevantes do que as que tivemos no passado com a chegada do Windows
98, do 2000 ou do NT.  Serão mudanças comparáveis às obtidas com o
lançamento do Windows 95, com maior volume de inovações e recursos.
Quando você combina isso com todo o poder que vem da unidade de
processamento gráfico, monitores maiores, a interface que vem com o
Microsoft Vista... Estamos empolgados.

Mercado de PCs – Nossos lucros no terceiro trimestre cresceram.
Talvez não tão rápido como antigamente. Se gostaríamos que eles
crescessem como antes? Claro, mas não é mais assim que funciona.
Podemos impulsionar a companhia de forma substancial nos próximos anos
com oportunidades de negócio que temos em mercados com forte
crescimento. Acompanhamos setores como o de impressoras, de serviços,
de servidores e de storage. Há várias oportunidades para o crescimento
da empresa.


*Daniel dos Santos viajou a Austin,nos Estados Unidos, a convite da Dell

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