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A armadilha das atualizações de software

Mais fabricantes de software estão forçando os usuários a comprar upgrades que não querem

Anne Kandra – PC WORLD/EUA

11/01/2006 às 16h33

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Como todo usuário responsável de computador, Dennis McGuire, estatístico de Minneapolis, toma todos os cuidados para manter seu PC livre de vírus. Até recentemente, McGuire usava o Norton AntiVirus para se proteger das pragas virtuais e nunca teve nenhum problema. Na última primavera, porém, quando foi fazer o download das mais recentes definições de vírus, recebeu uma mensagem dizendo que o arquivo não podia ser encontrado. Surpreso, ligou para o suporte técnico da Symantec e deu de cara com um beco sem saída.

O problema? McGuire estava usando o Norton AntiVirus 2002, que não tem mais suporta do fabricante. “O atendente foi educado, mas firma”, conta McGuire. “Disse que, se eu quisesse que minha assinatura funcionasse, teria de comprar a nova versão do Norton AntiVirus.” O upgrade custaria cerca de US$ 40, além dos US$ 20 que ele havia pagado seis meses antes pela renovação de um ano de sua assinatura das atualizações das definições de vírus.

McGuire diz que respeita a decisão da empresa de encerrar o suporte aos produtos antigos, mas critica a venda da assinatura. “Eu paguei pela minha atual assinatura e a Symantec sabia que eu tinha uma versão antiga do Norton AntiVirus. Eles deveriam cumprir o contrato da assinatura sem exigir uma nova compra.”

Confusão no upgrade

A diretora de gerenciamento de produtos da Symantec, Laura Garcia-Manrique, explique que a empresa historicamente vem oferecendo 12 meses de suporte após o lançamento de uma nova versão. Depois disso, o suporte é limitado ou inexistente. Ela, porém, admite que a diferença entre o upgrade do aplicativo e a atualização das definições de vírus confunde muitos consumidores.

Segundo a diretora, a ambigüidade é justamente a razão pela qual a empresa abandonou as licenças tradicionais de software e adotou um modelo baseado em assinaturas, no qual o consumidor paga uma tarifa anual por atualizações contínuas.

A Symantec não é a única a lidar com esse tipo de problema. Dezenas de usuários do software de administração de finanças pessoais Quicken se queixaram no ano passado quando a Intuit encerrou suporte para as versões 2001 e 2002. Quando isso aconteceu, diversos recursos online do sistema deixaram de funcionar.

Sentindo-se prejudicados, vários usuários abandonaram o software e o trocaram pelo concorrente, o Microsoft Money, e acabaram caindo em uma política de upgrades ainda mais exigente. A Microsoft exige que os usuários comprem uma nova versão do Money a cada dois anos para que os recursos online funcionem.

Também já recebemos queixas de usuários de versões antigas do Corel Jasc Photo Album, do Mathsoft MathCAD e outros. O representante da Intuit Chris Repetto defende a política da empresa com relação ao Quicken. “Aposentar versões antigas permite que fiquemos focados nas edições mais recentes, usadas pela maioria dos consumidores.” Segundo ele, antes de encerrar o suporte a versões antigas, a Intuit oferece descontos promocionais para que os consumidores façam o upgrade.

Continua: Pagando pelo que não foi pedido

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