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Simplicidade é a chave

Em um mundo complexo e sofisticado, precisamos de respostas simples como as que deram o Google e a Apple

Bob Wollheim

17/01/2006 às 15h37

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Bob WollheimEm tempos de complexidade, de globalização e de extrema sofisticação, a grande explicação para um dos maiores fenômenos do momento, o explosivo sucesso do Google, parece pairar exatamente no extremo oposto: a simplicidade

E foi justamente em um ambiente de enorme materialização da modernidade complexa – a internet – onde o Google conseguiu ser simples, direto, óbvio. A lógica do algoritmo de busca que nos mostra em primeiro lugar os sites mais populares relacionados à palavra que buscamos é absolutamente óbvia e simples – depois de pensada, claro. Em um universo de bilhões de sites, como classificar os resultados? Parece natural e básico usar a pré-seleção feita pelos próprios usuários, não? Quem melhor do que eles para julgar essa relevância?

No Google, você busca por algo e ele lhe responde. Só. Não tem desculpas, não tem “já quês”. Não tem “que tal isso também?” É tudo simples, direto, sem rodeios, incluindo até mesmo o design que, segundo a lenda, nasceu assim pela incapacidade criativa de Larry e Sergei, fundadores da empresa, e acabou se tornando um grande diferencial.

O player iPod, outro fenômeno atual, também é muito simples. Uniu o conceito – já bem conhecido – do walkman com os novos meios de audição e download de música na web. Bingo! A obviedade de um iPod é quase irritante, não é? Mas ser simples, por incrível que pareça, não é simples. Nem óbvio. Resistir à tentação de criar milhares de funções adicionais ou mesmo de criar coisas que ninguém precisa é enorme e constante.

Em um mundo cada vez mais complexo e sofisticado é, no mínimo, curioso – e um grande alerta para quem está no mundo dos negócios – que a capacidade de abstração para coisas simples, quase que óbvias, seja um das maiores conquistas das empresas.

Ser simples, ou melhor, ser capaz de ser simples, virou um enorme diferencial de serviços, produtos, empresas e até mesmo pessoas. Tenho vários amigos que se inseriram tão bem em um mundo complexo que ficaram, eles próprios, supercomplexos e complicados. As buscas pessoais sofisticaram-se de tal modo que sobreveio a tudo uma ansiedade constante e contínua e, claro, uma grande dose de infelicidade.

Parece um tanto quanto contraditório e até paradoxal, mas para um mundo complexo e sofisticado, precisamos de fato é de respostas simples e diretas como as que deram o Google e a Apple.

O que queremos da vida? Qual o sentido da nossa existência terrena? Estas são perguntas amplas demais para um mundo complexo de múltipla escolha (põe múltipla nisso) e, se complicarmos tudo exponencialmente, nunca conseguiremos respostas para nada.

Tudo isso me fez lembrar de uma expressão que era muito usada há alguns anos, se aplica muito bem aos tempos atuais e tem orientado minhas próprias andanças no mundo dos negócios – K.I.S.S. ou Keep It Simple, Stupid (algo como mantenha as coisas simples). Parece-me um belo lema para os tempos atuais. A você não?

Bob Wollheim é empreendedor, diretor da Tripix (www.tripix.com.br), do E-Lab SSJ (www.elabssj.com.br) e autor do livro Empreender não é brincadeira – bob@tripix.com.br

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