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Bolsa de Tóquio fecha mais cedo por pane em TI

Aumento no volume de transações, resultante de um forte movimento de queda nos valores, leva sistema ao limite de processamento

IDG Now!

18/01/2006 às 11h44

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A bolsa de Tóquio, a segunda maior do mundo em valor de capitalização depois de Nova York, voltou a enfrentar problemas com sua estrutura de tecnologia.

As operações foram encerradas 20 minutos antes do período normal porque, em função do alto volume de transações puxadas por uma queda acentuada registrada na bolsa, o sistema estava próximo a atingir sua capacidade máxima.

O pregão foi encerrado às 14h40, horário local, após um aviso durante a parada para almoço de que as transações seriam interrompidas mais cedo caso os volumes atingissem 4 milhões na seção da tarde.

No horário do almoço, as transações estavam em 2,32 milhões e chegaram à marca "perigosa" de 4 milhões às 14h25. O sistema é desenhado para processar no máximo 4,5 milhões de transações por dia.

O alto volume resultou de um movimento de queda por conta de suspeitas de fraude em uma grande empresa de internet doméstica chamada Livedoor e resultados ruins da Intel e do Yahoo.

O índice Nikkei 225 fechou em queda de 3% (15.341 pontos), a maior baixa em um ano.

Em novembro, a bolsa teve uma parada de quase meio dia por problemas com uma atualização de software.

Em dezembro, o software da instituição foi questionado após uma ordem errônea de vender 610 mil ações da J-Com, uma recém-listada companhia, por 1 iene (0,009 centavos de dólar) cada que foi aceita pelo sistema, mesmo o valor das ações sendo 610 ienes na época e a quantidade sendo 40 vezes maior que o número real de ações disponíveis.

A Mizuho Securities sofreu perdas de bilhões de ienes por conta do engano na transação, que originalmente era para a venda de uma única ação.

Além disso, a bolsa foi severamente criticada por ser incapaz de reverter o processo mesmo após a descoberta da falha.

Um mês antes, as transações foram suspensas por meio dia depois que um patch de software mal aplicado levou o sistema a cair.

A fornecedora Fujitsu assumiu a responsabilidade pelo erro e, em meados de dezembro, depois que o episódio da J-Com abalou a confiança do mercado, o presidente da Bolsa de Toqui, Takuo Tsurushima, disse que deixaria o cargo.

"Acho que é uma situação desastrosa para eles, embora fosse um desastre pronto para acontecer a qualquer momento", disse Noriko Hama, economista e professora da Doshisha University School of Management, sobre o problema da quarta-feira.

"Pelo menos eles previram o problema antes do sistema cair, mas o fato de ele estar prestes a entrar em colapso é um problema", avalia a acadêmica.

Ela argumenta que a bolsa é uma das diversas entidades que promovem as transações de ações na internet, mas não está fazendo o suficiente para lidar com os potencies problemas que o procedimento pode trazer.

O aumento no volume diário de transações como resultado de um mercado mais ativo durante o dia foi um dos problemas citados por Nihon Keizai Shimbun, em um editorial que criticava a bolsa e pedia atualização dos sistemas de computação.

Para Junichi Saeki, vice-presidente de pesquisa da IDC em Tóquio, o mercado de ações japonês ainda tem pouca experiência com as transações online.

"Nos Estados Unidos eles têm mais de cinco anos de experiência, portanto problemas similares já foram solucionados. No Japão, as transações online só se tornaram populares há um ano", explica.

"Infelizmente, a organização do mercado de ações não têm um gerente de TI muito capaz", acrescentou Saeki. "Não tem muita verba para TI e não pensa na importância da tecnologia".

O atual chairman da Bolsa de Tóquio, Taizo Nishimuro, foi presidente e chairman da Toshiba. Ele também está exercendo o cargo de presidente da bolsa enquanto o novo titular da vaga é selecionado.

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