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Abrir código do Windows pode não ser suficiente

Um porta-voz da Comissão Européia declarou que "seria prematuro concluir que o acesso ao código-fonte poderia resolver o problema

IDG Now!

26/01/2006 às 18h55

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A abertura e licenciamento de parte do código-fonte do Windows para seus rivais pode não ser "suficente" para evitar multas diárias de 2 milhões de euros (cerca de 2,43 milhões de dólares) para a Microsoft, declarou um porta-voz da Comissão Européia nesta quinta-feira (26/01)

Perguntado se a ação da Microsoft seria suficiente para que a companhia estivesse de acordo com as recomendações de março de 2004 da Comissão Européia, Jonathan Todd, porta-voz do comissário sobre leis de competição, Neelie Kroews, diz que "seria prematuro concluir que o acesso ao código-fonte poderia resolver o problema".

Na quarta-feira (25/01), a Microsoft anunciou que licenciará o código-fonte de alguns protocolos do Windows usado em seus softwares servidores de workgroup, em uma tentativa de se ajustar as exigências da Europa.

O executivo da Microsoft Brad Smith afirmou também que a Microsoft já havia entregue cerca de 12 mil páginas de documentação sobre os protocolos para a Comissão Européia.

O porta-voz da Comissão Européia, Jonathan Todd, afirmou nesta quinta-feira, referindo-se a documentação entregue pela Microsoft, de que está "é uma questão de qualidade da informação, não de quantidade".

"Eles poderiam nos dar meio milhão de páginas, mas se não for a informação correta para permitir que os competidores façam softwares compatíveis com o Windows, não resolve o problema".

A consultoria de tecnologia britânica Ovum também criticou a oferta da Microsoft, chamando-a de "superficialmente apelativa".

"Não há dúvida que o código-fonte para a indústria de softawre representa a documentação mais exata e confiável", escreveram os analistas Gary Barnett e David Mitchell, em um e-mail para clientes. "Mas o código-fonte traz pouco benefício prático para aqueles que estão tentando desenvolver códigos interoperáveis".

Os analistas sugerem que a Microsoft deveria trabalhar com a Comissão Européia para determinar o que está errado na documentação técnica entregue às autoridades. "Isso representaria uma tentativa mais sincera para acabar com essa saga", escreveram os analistas.

A documentação entregue pela Microsoft às autoridades européias deveria ajudar os rivais da empresa a desenvolver produtos que podem funcionar em conjunto com o sistema operacional Windows.

Para entender o caso

Em março de 2004, a Comissão Européia declarou que a Microsoft abusou de sua posição dominante no mercado de sistemas operacionais para computadores para ganhar vantagens frente aos concorrentes.

Na ocasião, a empresa recebeu uma multa de 497 milhões de euros. Além disso, o órgão exigiu que a Microsoft venda uma versão sem o reprodutor de arquivos de mídia "Windows Media Player" e que permita aos concorrentes ter acesso a certas informações de seus programas para desenvolverem aplicações compatíveis.

A Microsoft pagou a multa, lançou uma versão do Windows sem o software de mídia, mas ainda não conseguiu convencer a Comissão do segundo item.

Essa é a questão considerada mais polêmica e crítica para os negócios da Microsoft, pois são documentos que permitem  que produtos de concorrentes trabalhem de forma mais integrada com os softwares da Microsoft.

Isso significa abrir certos "segredos", como o código-fonte e documentação, que "ensine" aos concorrentes desenvolver softwares que trabalhem de forma mais integrada ao Windows.

No jargão da informática, significa dizer desenvolver softwares "interoperáveis".

Vale ressaltar que a iniciativa de abrir parte do código do Windows não transforma o sistema operacional da Microsoft em um software de código aberto, pois a empresa de Bill Gates tem os direitos autorais sobre o código e está liberando apenas os protocolos que visam a facilitar a comunicação com produtos concorrentes.

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