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Entidades alertam para acesso à TV digital

Entidades defendem que o país poderá ter um novo meio de comunicação com tecnologia exclusivamente estrangeira e inacessível para a maior parte da população

08/02/2006 às 14h48

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Organizações da sociedade civil têm reivindicado mais debates sobre o modelo de televisão digital a ser adotado pelo Brasil. Elas pedem que a decisão sobre a tecnologia, prevista pelo governo federal para este mês, seja adiada para junho. Entidades defendem que, a depender do modelo adotado, o país terá um novo meio de comunicação com tecnologia exclusivamente estrangeira e inacessível para a maior parte da população.

O coordenador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Celso Augusto Schroeder, explica que parte da tecnologia da TV Digital poderia ser produzida pela indústria brasileira ou até mesmo os centros de pesquisa nacionais, que já vem se preparando para isso. Na avaliação de Schroeder, o governo cometerá um erro ao adotar, integralmente, um dos três padrões em estudo (europeu, japonês ou norte-americano).

"A TV digital não é só uma questão de melhorar a qualidade da imagem, é um padrão novo de comunicação. É a redefinição de uma cadeia industrial com oportunidade de reavivar a indústria de microeletrônica, tornando o aparelho mais barato", ressalta o também integrante do Comitê Consultivo do Sistema Brasileiro de TV Digital.

Outra questão levantada por ele é o risco da nova tecnologia restringir as possiblidades de participação dos telespectadores. Ao escolher um modelo que privilegia uma imagem de altíssima definição, o governo estaria deixando de lado mecanismos de inclusão digital, como o acesso a e-mail pela televisão. O preço do aparelho também se tornaria mais caro, praticamente inacessivel à população. E o número de canais, por causa da qualidade da imagem, ainda precisaria ser restrito, o que impediria organizações sociais de competirem por concessões de canal aberto.

"Com a ênfase for na alta definição, nós podemos estar criando uma nova categoria de excluídos, daqueles que não terão dinheiro para ir a uma loja e comprar uma TV de alta definição", alerta Gustavo Gindre, integrante do Coletivo Intervozes, outra organização da sociedade civil que estuda formas de democratização da comunicação.

Gindre ainda defende que, antes da implementação da TV digital, sejam feitas alterações na legislação brasileira de radiodifusão, elaborada há mais de 40 anos. Segundo ele, os países que já fazem o uso da tecnologia digital, como os Estados Unidos, o Japão, a Inglaterra e boa parte da Europa, atualizaram as leis para que alguns problemas fossem resolvidos.

"Se não mudarmos nossa legislação, corremos o risco de, ao multiplicar o número de canais, você deixe essa programação nas mãos das mesmas emissoras que hoje já detém os atuais canais, Ao invés de ser uma vantagem, a TV digital pode ser um martírio para o povo brasileiro", avalia o pesquisador.

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