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Yahoo pode ter incriminado mais um chinês

O caso teria acontecido em 2003 e foi divulgado pelos advogados da vítima, o usuário de internet Li Zhi, condenado a oito anos de prisão

Sumner Lemon - IDG News Service (Pequim)

09/02/2006 às 12h34

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Apenas alguns meses depois de surgirem evidências de que o Yahoo forneceu informações que levaram à prisão o jornalista chinês Shi Tao, foi revelado que, em agosto de 2003, a holding da empresa em Hong Kong delatou à polícia o usuário de internet Li Zhi.

Ele foi condenado a oito anos de prisão, conforme documentos disponibilizados via internet por seus advogados.

A principal acusação foi a de Li ser associado ao Partido Democrático da China, um grupo de oposição ao governo que está banido no país.

"Não estávamos cientes deste caso, mas já estamos analisando", disse Mary Osako, uma porta-voz do Yahoo em Sunnyvale, na Califórnia.

Ela acrescentou que qualquer informação oferecida às autoridades chinesas devem ser provenientes das operações do Yahoo na China, provavelmente de Hong Kong.

As operações do Yahoo em Hong Kong e no restante da China existiram sob a mesma entidade, mas, na prática, as duas unidades operaram de maneira independente, depois que o controle de suas operações chinesas foi transferido a uma empresa local, a Alibaba.com.

O caso de Li foi imediatamente criticado pelo grupo de advogados da organização não-governamental Reporters Without Borders. "O Yahoo sabia, com certeza, que estava ajudando a deter dissidentes políticos e jornalistas, não criminosos comuns", declaram em seu site.

A empresa contestou a acusação. "Não sabíamos se o motivo do pedido por informações era assassinato, seqüestro ou outro tipo de crime", disse Osako.

O Subcomitê de Representantes dos Direitos Humanos dos EUA, da África e de Operações Internacionais vai marcar uma audiência no dia 15 de fevereiro para investigar como as empresas americanas operam na China.

Devem estar presentes representantes da Microsoft, Yahoo, Google, Cisco Systems e o Reporters Without Borders, de acordo com a programação.

"Eles devem responder pelo que estão fazendo na audiência do Congresso Americano, no dia 15 de fevereiro", afirmaram, intimando o Yahoo a revelar o número de vezes que prestaram esse serviço à polícia chinesa.

O Reporters Without Borders declarou que 49 dissidentes e 32 jornalistas estão presos atualmente na China, cumprindo penas por motivos como artigos na internet e críticas às autoridades chinesas.

O jornalista chinês Shi passou por situação parecida há pouco tempo, e foi condenado a 10 anos de prisão depois de o Yahoo transmitir às autoridades provas obtidas a partir da sua conta pessoal de e-mail.

Nesse caso, os executivos do Yahoo admitiram no ano passado ter fornecido as informações que acarretaram sua prisão, e disseram que a empresa deve operar conforme as leis e regulamentos dos países onde realizam seus negócios.

As empresas americanas de internet devem enfrentar cada vez mais críticas por suas ações na China. A divisão da Microsoft responsável pelo MSN foi condenada por censurar um blog chinês e a decisão do Google de oferecer uma versão censurada de seu buscador provocou revolta em todo o mundo, com direito a protesto estudantil nos EUA.

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