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Novo gerente fala sobre o futuro do MSN

Ofuscado pela plataforma de serviços web Live, o portal passará por uma renovação de conteúdo. Analistas questionam se há espaço para ele

Elizabeth Montalbano, editora do IDG News Service em São Francisco

13/02/2006 às 10h09

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Segunda-feira, 13 fevereiro de 2006 - 09:47

A Microsoft atribuiu ao ex-diretor do MSNBC John Nicol a missão de infundir novos conteúdos multimídia ao portal MSN - que agora está sob seu comando - para torná-lo mais atrativo aos anunciantes.

Mas, com o MSN cada vez mais obscurecido pelos serviços baseados em web sob a marca Live, analistas estão se perguntando exatamente qual será o futuro do portal MSN.

Em entrevista ao IDG News Service, Nicol disse que tem quatro metas principais para este ano, sendo a primeira delas agregar mais vídeos ao site e permitir aos usuários acrescentar seus próprios vídeos a canais como Viagens e Estilo de Vida.

Nicol afirmou que permitir aos usuários criar apenas seu próprio conteúdo para o MSN é "algo em que a Microsoft tem ficado para trás".

Outra meta para o MSN é incrementar o conteúdo do site, o que, segundo o executivo, atrai uma grande quantidade de usuários para o site.

Nesta área, Nicol planeja acrescentar mais conteúdos ligados a notícias e a celebridades, incluindo fotos de qualidade de atores e músicos.

Além disso, o time do MSN também planeja enriquecer os canais verticais do portal, como Dinheiro, Tempo, Notícias, Estilo de Vida e Esportes, com maior conteúdo que apele para audiência global.

Finalmente, a Microsoft planeja conectar páginas e conteúdos do MSN de forma a fazer com que tenham maior apelo para os anunciantes, disse Nicol.

Por exemplo, se o usuário procurar informações sobre a Britney Spears, ele encontrará não apenas notícias sobre a cantora, mas também links para lojas virtuais onde poderá comprar seu disco mais recente.

Algumas dessas funções estão disponíveis hoje, mas a Microsoft planeja ampliá-las, disse Nicol.

A Microsoft pretende ainda utilizar esses conteúdos conectados para atingir públicos específicos - como os adolescentes, no caso da Britney Spears.

O resultado deste movimento? Para Nicol, o MSN vai misturar seu próprio conteúdo com o criado por seus usuários, tornando-se uma excelente plataforma complementar aos serviços Live.

A Microsoft também pretende levar mais anúncios ao site, trabalhando com a equipe de desenvolvimento do MSN para criar campanhas específicas para os produtos e serviços que eles querem vender.

Mesmo com estes planos, ainda parece incerto como o portal se encaixa na estratégia global de web da companhia, para Matt Rosoff, analista da Directions on Microsoft.

É inegável que o MSN esteja ficando em segundo plano à medida que a Microsoft constrói os serviços da marca Live, alguns deles uma nova versão de antigos serviços do MSN, disse o analista.

Por exemplo, o MSN Hotmail é agora o Windows Live Mail, enquanto a ferramenta de busca de locais foi rebatizada de MSN Virtual Earth para Windows Live Local.

A marca Live tem até seu próprio portal, chamado Windows Live (http://live.com), que permite ao usuário personalizar os conteúdos. "O que sobra para o MSN - MSNBC?", questiona Rosof.

Richard MacManus, analista da indústria e redator do popular blog Read/WriteWeb, disse que seria difícil para a Microsoft abandonar por completo uma marca de peso como o MSN, mesmo com o investimento e a atualidade da estratégia Live.

Ele vê a Microsoft tentando definir que o MSN está ligado a conteúdo enquanto a plataforma Live tem a ver com serviços web.

Por isso, e-mail, busca e o antigo MSN Messenger foram rebatizados como produtos Live, explica.

No entanto, a Microsoft pode ter criado uma armadilha para si mesma, ele acrescentou, porque o usuário cada vez mais associa conteúdo a serviços, por isso pode enxergar o Windows Live e o portal MSN como redundantes.

"Seria melhor amarrar conteúdo e serviços em uma só marca", analisou MacManus.

"No entanto, a Microsoft tem o dilema de ter uma antiga marca, muito forte, e uma nova, na qual já investiu muito", acredita.

Neste meio tempo, Nicol tem um trabalho a fazer no MSN, um que assumiu em novembro.

Ele disse que a Microsoft lhe deu "centenas de milhões de dólares" e o encorajou a fazer o que fosse necessário para atingir os resultados esperados, criando uma rede de mídia a partir do portal MSN.

"O que você verá no novo MSN.com é uma poderosa plataforma de mídia", disse Nicol. "Nós vemos o dinheiro chegando se conseguirmos construí-la".

O entusiasmo de Nicol em tornar o MSN um centro de entretenimento o levou a chamar o portal internamente de MSN Media Network, embora ele afirme que não há planos formais para rebatizar o site, contrariando rumores.

Rosoff, da Directions on Microsoft, disse que os planos da Microsoft para o MSN, bem como a tarefa de Nicol, são típicos de uma empresa que gosta de "tentar uma série de coisas e ver o que pega".

Ainda assim, apesar do fato de o MSN ainda ser uma obra em andamento, ele disse que certamente alguém na Microsoft, "no alto nível executivo" sabe exatamente o que está reservado ao portal, mas vai deixar a indústria tentando adivinhar, por enquanto.

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