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Capital criativo

Não há predisposição para regar uma semente sem frutos, como ocorreu com o Google, o Yahoo! e o e-Bay

BOB WOLLHEIM *

22/02/2006 às 14h47

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Bob WollheimMuita gente que tem um projeto de empresa me pergunta onde se arruma capital de risco no Brasil. Acho a relação de “gente com idéias” x “gente com dinheiro” sensacional, um verdadeiro motor da economia americana. A realidade brasileira, porém, é outra e minha resposta – que fere alguns estudos, mas que me parece bem mais realista e pragmática – é sempre: não arruma! Esquece! Não existe capital de risco para negócios iniciantes no Brasil. Não existe capital que se arrisca 100%. Todos querem algo que já começou, que já deu alguns passos, que já está tentando e conseguindo.

Os puristas ou os profissionais da área financeira dizem que o capital não só existe como é abundante, e o que falta são bons projetos. Balela. Há dinheiro sim, mas não há nenhum interesse em investir em start-ups. Não há por aqui predisposição para regar uma semente sem árvore nem frutos, como aconteceu com o Google, o Yahoo! e o e-Bay. O dinheiro foge como quem foge da cruz de empresas-papel, aquelas que ainda estão em projeto. E, diga-se a verdade, foge também daquelas que já começaram de fato, mas ainda são pequeninas. É real.

Por outro lado, quando se olha a economia brasileira, facilmente se conclui que ela é bastante empreendedora e que muitas das novas empresas precisaram de capital. De onde veio esse capital se não de uma indústria de capital de risco que inexiste? Veio do que eu chamo de capital criativo, ou seja, o jeitinho brasileiro se expressando no universo do capital e do empreendedorismo.

Capital criativo é aquele que as pessoas conseguem entre amigos e parentes, entre parceiros de negócios, entre grupos étnicos. É até mesmo aquele que se consegue num fundo, mas porque se é amigo do administrador do fundo. É o capital das poupanças familiares, das fortunas, das rescisões empregatícias. Capital criativo é aquele cujo retorno é mais medido em futuro, em oportunidade, em prazer, do que em taxas de juros. Enfim, é um capital que, como o próprio nome diz (o adjetivo é meu), foge dos padrões de capital de risco, passa longe dos planos de negócios e vai contra as convenção e regras. É criativo. Ponto.

A MÁ NOTÍCIA?
Não tem modelo. Não tem uma lista das pessoas a se procurar. Não tem formato de plano de negócios mais ou menos aceito.

E A BOA NOTÍCIA?
Tem dinheiro, se você souber ser criativo! Há quem ajude você a financiar seu sonho. Há capital para sementes, mas tudo isso é meio caótico, sem regras, sem organização, sem padrão e sempre muito criativo, original, como de resto é nosso País.

* BOB WOLLHEIM É EMPREENDEDOR, DIRETOR DA TRIPIX (WWW.TRIPIX.COM.BR), DO E-LAB SSJ (WWW.ELABSSJ.COM.BR) E AUTOR DO LIVRO EMPREENDER NÃO É BRINCADEIRA – BOB@TRIPIX.COM.BR

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