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Banda larga e VoIP derrubam tráfego de fixas

Telefônica, BrT e Telemar registraram declínio nas ligações fixas locais e interurbanas, mas equilibram receita com faturamento em dados

01/03/2006 às 15h34

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O crescimento da adoção de banda larga no Brasil causou impacto negativo no tráfego de ligações das operadoras de telefonia fixa Brasil Telecom (BrT), Telefônica e Telemar ao longo dos últimos dois anos, de acordo com análise do grupo especializado em telecomunicações Teleco.

No ano de 2005, a Telefônica registrou uma redução de 5% no número de pulsos em chamadas locais e 10,9% em minutos de ligações de longa distância e de fixo para celular.

Já a BrT apresentou queda de 14% em pulsos em chamadas locais, 17,7% em chamadas de longa distância nacional e de 1,9% em chamadas para celulares, no ano que passou. Em 2004, a Telemar - que ainda não reportou dados do último ano - teve decréscimo de 9,3% no número de pulsos e de 6,4% no número de minutos de longa distância.

Como fatores para o declínio nas ligações locais, o Teleco aponta não só o aumento do uso de banda larga em detrimento da conexão discada para acesso à internet, mas também o crescimento da base de celulares, que desde 2003 é maior que a de telefones fixos e, em 2005, ultrapassou o dobro destes aparelhos.

VoIP

No caso da telefonia à longa distância, pesaram fatores como a conurbação de áreas que antes eram consideradas interurbanas e passaram a fazer parte do mesmo perímetro para ligações locais (em setembro de 2004), e o impacto do VoIP (voz sobre IP).

"A entrada das operadoras de VoIP no mercado vem forçando as grandes da telefonia a reduzir os preços das chamadas interurbanas, o que resultaria em uma potencial redução de receita, que não ocorre porque o volume de ligações aumenta", explica Eduardo Tude, presidente do Teleco.

Para o analista, as operadoras de VoIP têm neste momento de emergência a oportunidade de conquistar uma parcela do mercado - aproveitando uma receita que não é tão significativa para as grandes operadoras, mas para as pequenas é bastante representativa - e tornando-se possíveis alvos de aquisição em um futuro cenário de consolidação.

"Quando a Embratel reduz o preço das suas ligações interurbanas e internacionais, ela o faz para uma base imensa de clientes, portanto não consegue baixar tanto quanto as pequenas", explica Tude, constatando que as operadoras exclusivamente de VoIP podem oferecer preços mais competitivos.

Segundo ele, o acordo do Skype e com a Transit Telecom no Brasil, que possibilitará que o usuário tenha um número local para receber chamadas, deve acirrar ainda mais a disputa no setor.

Receita preservada

O analista ressalta ainda que, apesar da queda de tráfego em ligações locais, interurbanas e internacionais, as operadoras não tiveram uma redução proporcional na receita. Tanto a BrT quanto a Telefônica concluíram o último ano com crescimento médio de 10% em faturamento bruto.

"Se de um lado as operadoras perdem receita em tráfego de voz, ganham na oferta dos serviços de dados", justifica Tude, ressaltando que o número de assinaturas de serviços de banda larga vem crescendo a taxas superiores a 70% nos últimos anos e deve aumentar mais de 50% neste ano.

"Ainda há muito espaço para aumentar a base de usuários", observa Tude, que estima que tenhamos encerrado o ano com mais de 3,5 milhões de usuários de banda larga, o que ainda representa uma fração do número de usuários de internet no País.

Consolidação fixo-móvel

Quanto à receita perdida para os celulares, Tude defende que, para as operadoras que possuem operações móveis - como a Telemar e a BrT - os efeitos da migração se anulam, já que a receita somente migra de uma base para outra.

Esse movimento, acredita o analista, deve impulsionar as operadoras que não possuem, operações fixas e móveis conjuntas - Embratel e Telefônica - a consolidarem os negócios, fundindo operações com Claro e Vivo, respectivamente.

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