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Qualidade não é prioridade

Quando o entretenimento torna portátil, as perdas são quase inevitáveis

16/03/2006 às 16h17

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Você quer que seu software seja bom,veloz ou barato? Escolha duas das alternativas!” Assim diz uma velha piada de programador. Cada vez mais, porém,meus amigos puristas em termos de vídeo e áudio estão preocupados com uma pergunta mais simples: “Você quer que seu entretenimento digital seja bom ou que caiba no bolso? Escolha uma alternativa qualquer!”

Na extremidade “boa” do espectro – seu home theater – telas de alta definição continuam a melhorar, DVDs têm imagem impressionante e videodiscos de alta definição vão chegar em breve. DVDs de áudio multicanal CDs Super Audio têm um som espetacular configurações high-end.

Esses meus amigos puristas, entretanto, olham com desconfiança para o mundo de dispositivos portáveis como iPods e celulares, em que áudio compactado e vídeo pouco nítido são a regra. Eles vêem uma espécie de lei de Gresham em ação, com mídia baixa qualidade exterminando qualquer esperança de algo melhor.

Historicamente, mostramo-nos desejosos de sacrificar a qualidade em prol da conveniência. Tudo bem que o grande rádio de outrora não tivesse um som excepcional, mas ninguém se importava de levar transistor portátil de menor qualidade para um jogo de futebol ou um piquenique. Fitas cassetes pré-gravadas produziam um som infinitamente inferior ao dos discos vinil, mas, pelo menos, você podia levá-las em sua corrida matinal.

Economizar dinheiro é outra razão abrirmos mão da qualidade. Ligações telefônicas por voz sobre IP talvez não soem bem quanto as comunicações por linhas telefônicas dedicadas, mas o preço pode compensar. E, quando você negocia músicas roubadas ou filmes copiados ilicitamente em cinema, você tem aquilo que obtém.

Ainda assim, o aprimoramento é a tendência. Os rádios digitais locais e por satélite, por exemplo, têm som superior ao de equivalentes AM e FM analógicos. A contagem total de pixels da tela colorida do Vídeo pode ser minúscula, mas a contagem de pontos por polegada é mais alta do que da maioria das TVs convencionais.

E, do mesmo modo que as câmeras digitais e as impressoras a jato de tinta, a música vem sendo aprimorada radicalmente o correr dos anos. Se você está disposto abrir mão de espaço, pode ripar seus CDs perda. Métodos de compactação aperfeiçoados e largura de banda e armazenamento ampliados já estão proporcionando melhor vídeo em movimento. Portanto, desconfio que qualquer queda de qualidade é temporária. Assim como a indústria de cinema quer vender versões de alta definição dos filmes que já temos, a indústria da música um dia vai querer benefício dos nossos home theaters de múltiplos canais. Quando se trata de qualidade mídia digital, é a lei de Moore, não a de Gresham, que importa no longo prazo.

* STEPHEN MANES É EDITOR-COLABORADOR DA PC WORLD–EUA E CO-APRESENTADOR DO PROGRAMA DIGITAL DUO, TRANSMITIDO NO ENDEREÇO WWW.PCWORLD.COM/DIGITALDUO.

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