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Sistema anticópias apresenta profundas falhas, diz pesquisador

Tecnologia DRM de proteção autoral contem graves brechas e deve ser trocada por novo modelo de negócio, diz profissional inglês

Por Jeremy Kirk, para o IDG Now!*

28/03/2006 às 14h15

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A tecnologia para manutenção de direitos digitais (DRM, em inglês) tem profundas falhas ao contrário da crença de provedores de conteúdo de que a encriptação de arquivos diminuirá o compartilhamento ilegal de arquivos, uma companhia de pesquisas de segurança disse na segunda.

O DRM é um termo geral que contempla vários métodos usados para limitar o compartilhamento de conteúdo. As técnicas incluem encriptação digital de músicas e limitar o número de vezes que um material pode ser acessado. Mas as tecnologias DRM estão longe de serem a prova de falhas, e todas as desenvolvidas até hoje foram facilmente quebradas por hackers, disse Ian Brown, um gerente de pesquisa dentro do Instituo Cambridge-MIT na Inglaterra.

O DRM não protegerá a indústria de filmes e músicas, que gastou a última década fazendo pressão por novas leis que protegessem o conteúdo, mas negligenciaram a tentativa de tentar encontrar maneiras de monetizar seus produtos, disse ele. Bandas como o U2 e o Grateful Dead usam suas músicas mais como ferramenta promocional, confiando nas turnês e na propaganda para faturar, acrescentou.

"São os modelos de negócio que precisam ser mudados, não a tecnologia", disse Brown, cuja tese de doutorado tratava, em parte, de tecnologias DRM. Ele ministrou uma palestra no Encontro de Mudança de Mídia, em Londres.

A tecnologia DRM é simples, mas torna o trabalho difícil, ponderou Brown. Os dados têm que serem decriptados para serem usados, e o "buraco analógico" se mantém - a habilidade para determinar “bootleggers” (fãs que registram shows ao vivo) para usar um microfone ou uma câmera de vídeo padrão para gravar conteúdo em redes de compartilhamento de arquivos.

Chamadas de "marcas d´água" - instruções regularizam o uso do arquivo que são visíveis para os usuários - podem ser removidas por um programador determinado, permitindo a eles publicar o arquivo para uma rede P2P, de acordo com Brown. Os algoritmos usados para as "marcas d´água" ainda são "primitivos", segundo análise de Brown.

Tecnologias DRM podem ser efetivas para eventos perenes, onde a encriptação serviria para apenas um curto período, como a transmissão de um evento de esportes ao vivo, revelou Brown.

O progresso da tecnologia DRM está sendo acompanhado de perto. Executivos da indústria de filmes e vídeos argumentam que o DRM é crucial para preservar o faturamento contra a pirataria. Advogados de consumidores dizem que as tecnologias podem restringir o uso de arquivos multimídia por consumidores que legitimamente pagaram querem compartilhar o conteúdo com inúmeros dispositivos.

"Fundamentalmente, é uma tecnologia contrária ao usuário", disse Brown. "É uma tecnologia que permite que os donos do conteúdo forneçam dados para seus clientes com restrições na maneira que eles podem usar a obra que não estão justificadas na lei de direitos autorais".

A Microsoft está incorporando funções em seu próximo sistema operacional, o Windows Vista, para aproveitar as vantagens do DRM em chipsets para plataformas com módulos confiáveis (TPM, em inglês). Chips TPM têm a capacidade de armazenar nomes de usuário, senhas ou certificados anexados a arquivos que suportam DRM e apenas permitem a decodificação para usuários autorizados.

A França está debatendo a legislação que exigiria que as companhias envolvidas no desenvolvimento de tecnologias DRM apresentem informações suficientes para que outras empresas façam sistemas que permita a interoperabilidade. A Apple rejeitou a medida, alegando que aumentará a pirataria de música.
Pesquisa divulgada pela consultoria In-Stat afirma que o mercado de música digital valerá 10,7 bilhões de dólares até 2010, crescimento de 613% em comparação ao 1,5 bilhão registrado em 2005.

*Jeremy Kirk é editor do IDG News Service, em Londres

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