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AMD prepara-se para a era dos chips com múltiplos núcleos

Empresa trabalha em uma grande reformulação da plataforma para este ano, culminando com o lançamento dos chips de quatro núcleos em 2007

Mário Nagano

31/03/2006 às 18h24

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Empresa trabalha em uma grande reformulação da plataforma para este ano, culminando com o lançamento dos chips de quatro núcleos em 2007
 
A AMD apresentou hoje (31/03) algumas de suas estratégias tecnológicas que levará ao desenvolvimento de servidores com até 16 processadores quad-core (quatro núcleos), totalizando assim 64 núcleos de processamento em um mesmo equipamento.
 
Para isso, a AMD terá de implementar mudanças no seu ecossistema com o objetivo de estabelecer uma plataforma unificada capaz de suportar a próxima geração de chips K9, com previsão de lançamento para junho de 2006, e seu sucessor K10, um projeto chamado pela empresa de Revisão F (Rev.F).
 
A Revisão F engloba várias inovações, como a adoção de um novo soquete, o abandono das memórias DDR em favor da DDR2 e, a exemplo da sua concorrente Intel, a implementação de novas tecnologias de interesse do mercado corporativo, como a virtualização de máquinas (codinome Pacifica) e componentes que permitam a chamada Computação Segura (codinome Presidio).
 
Como é sabido, a tecnologia de virtualização permite emular vários computadores virtuais dentro de uma única plataforma de hardware. A vantagem é poder tirar qualquer uma delas do ar sem interromper o funcionamento das outras. Outra aplicação interessante dessa tecnologia seria o processo contrário, ou seja, combinar os recursos de várias máquinas reais em um único computador virtual. Desse modo, é possível criar, temporariamente, sistemas que atendam algumas demandas específicas.
 
Segundo Roberto Brandão, gerente de tecnologia da AMD Brasil, a técnica de virtualização proposta pela AMD engloba soluções de hardware e software. Pode até incluir novas instruções de máquina adicionadas ao set padrão do x86. Seria algo como aprender algumas novas palavras de um idioma já conhecido.
 
O Presidio, por sua vez, seria uma extensão da tecnologia de segurança na transmissão de informações, iniciada com a tecnologia EVP (Enhanced Virus Protection).
 
Consolidando plataformas
Dentre todas as inovações propostas pela Revisão F, talvez a mais significativa seja a adoção de um novo soquete – na realidade, três. Isso ocorre porque, para a AMD, o termo soquete tem mais a ver com a interface de comunicação entre o processador e a placa-mãe do que com a conexão física propriamente dita.
 
O soquete do Opteron de 940 pinos, por exemplo, será substituído pelo L1 de 1.207 conexões LPGA, um novo encapsulamento que lembrará vagamente o LGA 775 atualmente em uso pela Intel. A justificativa da AMD para essa mudança parece ser a mesma da sua concorrente, ou seja, o excesso de pinos poderia torná-los mais frágeis e de difícil manipulação.
 
A grande sacada dessa solução é que ela permitirá que as próximas gerações de processadores AMD possam ser equipados com um quarto canal HyperTransport, eliminando uma limitação da atual solução de três canais que não funciona bem acima de 8 processadores físicos. Desse modo, será possível desenvolver produtos com até 16 processadores na mesma placa-mãe.  Além disso, o L1 suportará chips dual core, memórias DDR2 ECC em dual channel, o novo barramento HyperTransport de 2.000 MHz e as tecnologias Pacifica, Presidio e PowerNow.
 
No segmento de desktops, os soquetes 939 e 754 deverão ceder lugar para o novo AM2 de 940 pinos, que será o novo soquete genérico da empresa. Apesar do mesmo número de pinos, ele não será compatível com a atual linha Opteron, mas aceitará os novos Athlon 64, 64 x2, 64 FX, 64 X2 Mobile, Sempron e até mesmo o Opteron 100, voltado para a montagem de servidores de pequeno porte e baixo custo.
 
Com isso, todos os chips para desktop passam a ter controladora de memória DDR2 dual channel, suporte para chips single e dual core, HyperTransport de 2.000 MHz e as tecnologias EVP, Pacifica e gerenciador de energia "Cool and Quiet" (CnQ).
 
Com a entrada do AM2, a AMD também iniciará a comercialização de uma linha especial de processadores, cuja promessa é oferecer a mesma capacidade de processamento de um chip de linha consumindo até 60% menos de energia. Haverá, portanto, versões "econômicas" do Athlon 64 X2 de 65 W e 35 W (normal 89 W), Athlon 64 de 35 W (normal 62 W) e Sempron de 35 W (normal 35 W).
 
Segundo Brandão, esses chips saem do mesmo wafer dos chips de linha. A mágica fica por conta de uma seleção mais cuidadosa desses chips, procurando localizar os exemplares com tais características de baixo consumo. Mas, por causa disso, o custo desse chip será mais alto.
 
O segmento de portáteis será servido pelo novo soquete S1 de 638 pinos, voltado basicamente para a nova linha Turion 64 X2 (dual core) e Mobile Sempron. Este possui quase as mesmas características do AM2, com exceção da potência máxima (35 watts contra 125 watts do AM2) e barramento HyperTransport de 1.600 MHz.  Poderia fazer parte desse grupo o Mobile Athlon 64 X2, mais voltado para os chamados Desktop Replacement (DTR) ou Workstations Móveis. O detalhe é que esse chip usará o soquete AM2.
 
De acordo com Brandão, a AMD espera que o período de transição do velho soquete para o novo comece a partir do meio deste ano, terminando no primeiro semestre de 2007. Entretanto, o executivo acredita que esse processo será mais lento no Brasil devido à oferta de produtos e à eliminação dos estoques remanescentes. Em sua opinião, a oferta de equipamentos baseados no soquete 754 no Brasil deve subsistir ainda até o início de 2007.
 
A partir de junho, a AMD também lançará uma extensa linha de processadores para desktops, servidores e portáteis, incluindo versões específicas (entenda-se, de menor velocidade e custo) para os mercados emergentes.
 
Com relação ao futuro, o grande segredo não revelado pela AMD é o lançamento dos processadores Quad-Core (com quatro núcleos de processamento). Brandão afirmou que esses chips não estarão no mercado em 2006, mas, com toda a certeza, no próximo ano.
 
Quando questionado por PC World sobre uma data mais precisa para o lançamento, Brandão confessou não ter a informação, apenas um ótimo palpite. Ele observou que o primeiro dual core da empresa foi anunciado em abril de 2005 em comemoração aos dois anos do lançamento do primeiro Opteron (23/04/2003). Em 2007, o mesmo chip fará quatro anos. Logo...

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