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É software ou é spam? Acho que são ambos!

Mesmo grandes desenvolvedores tentam empurrar programas que você não deseja instalar

STEPHEN MANES

19/04/2006 às 15h08

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Mesmo grandes desenvolvedores tentam empurrar programas que você não deseja instalar

Stephen Manes - 170x200Trata-se de um paradoxo: à medida que mais programas ficam disponíveis gratuitamente, os desenvolvedores esforçam-se para impingi-los a nós com muitos extras de que não precisamos. Nos tempos em que desembolsávamos dinheiro de verdade por software, recebíamos apenas o que havíamos pago. Agora que a coisa é cada vez mais patrocinada por propaganda e por acordos de comercialização conjunta, temos de perder tempo defendendo-nos das ofertas constantes dos fornecedores que alegam querer ser nossos novos melhores amigos.

Obter downloads gratuitos de software até de importantes desenvolvedores com freqüência implica navegar por páginas web com caixas de seleção já preenchidas, projetadas para colocar você em listas de correspondência corporativa sem interesse – a menos que você consiga perceber e diga não. Pior ainda, às vezes as caixas parecem escondidas. Regra importante: se uma caixa já estiver marcada, é para alguma coisa que você não quer.

Atualmente, as marcas de seleção também se aplicam ao mais novo aborrecimento da praça, o pacote indesejado. Você é encorajado a baixar um programa novo ou atualizado e recebe junto algum fiapo agarrado que está tentando aumentar a própria participação no mercado. Sim, você pode desinstalar o lixo após o download, mas por que é obrigado a desperdiçar tempo precioso com download, instalação e desinstalação, sem falar no diagnóstico e reparo, se algo der errado? Isso é spam na forma de software.

O empacotamento é particularmente chocante quando ocorre com produtos como Adobe Reader, Apple QuickTime e Macromedia Flash Player, que são essenciais na era web. O Flash e o Reader foram unidos a um Yahoo Toolbar de que eu particularmente não preciso. O QuickTime “casouse” com o iTunes, que não instalarei depois que uma versão danificou gravemente meu computador. Em geral, você pode obter o software que deseja sem excesso de bagagem, mas tem de tomar cuidado. Na página de download do QuickTime, por exemplo, você precisa ignorar o botão gigante “Free download now” e clicar no discreto link “QuickTime standalone installer”.

O Google Pack, a coleção de ofertas de software do próprio Google e de parceiros, está longe da perfeição e existem muitas razões para que o chamemos de beta, mas pelo menos ele permite que você escolha quais programas quer baixar. Mesmo depois de clicar no enorme botão “Download google pack”, você ganha acesso ao link “Add or remove software” para uma página que permite desmarcar todos os itens indesejados de uma vez só. É uma abordagem revigorante em uma era em que todo mundo parece querer empurrar seus pacotes pela goela dos usuários.

O que virá em seguida? Aposto que não será nada baseado na abordagem de bom cidadão do Google. Aguarde caixas de seleção que você não pode desmarcar. Ou instalações que acontecem sem seu consentimento ou sua aprovação. Ei, espere aí, já temos isso – chama-se spyware!

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