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Abaixo o desperdício

O uso racional da impressora gera uma boa economia no final do mês.Veja como gastar menos e confira
teste com 11 modelos a laser para empresas e uso pessoal

Daniel dos Santos

19/04/2006 às 12h03

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O uso racional da impressora gera uma boa economia no final do mês.Veja como gastar menos e confira teste com 11 modelos a laser para empresas e uso pessoal

impressora - 150x100Com a popularização dos documentos em formato digital, imaginava-se que as impressoras perderiam espaço na mesa dos usuários de computadores. Afinal, grande parte dos documentos gerados em papel migrou para os discos rígidos dos computadores. Mas os números do setor mostram que esse periférico está cada vez mais presente na vida do brasileiro. Segundo dados da consultoria IDC, as vendas de impressoras no Brasil saltaram de 1,8 milhão de máquinas em 2004 para cerca de 2,2 milhões em 2005, ritmo de crescimento que deve se manter em 2006. “Além dos preços mais baixos, os resultados positivos no setor de computadores também colaboraram para o crescimento das vendas”, explica Reinaldo Sakis, analista de mercado da IDC Brasil. No ano passado, foram vendidos 5,5 milhões de PCs, número 36% acima do registrado em 2004. De acordo com o analista, grande parte desse resultado deve-se ao aumento da oferta de computadores de baixo custo, fenômeno decorrente, por sua vez, das isenções de impostos definidas pelo governo e da abertura de novas linhas de financiamento. E esse tipo de equipamento conquista basicamente quem nunca teve um computador – público que costuma incluir no pacote uma impressora a jato de tinta.

Dois segmentos merecem destaque nesse mercado. Os multifuncionais, equipamentos que reúnem recursos de copiadora, scanner, impressora e, eventualmente, fax, tiveram crescimento de 76% de 2004 para 2005. As impressoras a laser, por sua vez, registraram salto de 40% no caso de equipamentos monocromáticos e de 71% em modelos coloridos (saiba mais sobre o mercado brasileiro de impressoras em  www.pcworld.com.br/mercadoimpressoras). “Os multifuncionais ocupam menos espaço na mesa e já têm preços muito próximos aos dos equipamentos com uma única função”, destaca Márcio Vidal, diretor para área de consumo da Lexmark. Atualmente, é possível encontrar multifuncionais com tecnologia jato de tinta por menos de 300 reais.

Qual equipamento adotar?  O volume de impressão é um dos pontos mais importantes na escolha do equipamento

Número de páginas por mêsTipo de impressora
*ATÉ 500Jato de tinta
*500 A 15 MILLaser até 25 PPM
*15 MIL A 100 MILLaser de 25 A 40 PPM
*SUPERIOR A 100 MILLaser corporativa acima de 40 PPM

Apesar da qualidade e do preço por página mais baixo, os modelos de impressora a laser estiveram distantes dos consumidores mais sensíveis a preço até pouco tempo atrás. Afinal, um equipamento monocromático custava mais de mil reais há dois anos. Hoje, no entanto, já é possível levar uma máquina dessas para casa por cerca de 600 reais (veja teste com seis modelos para uso pessoal e cinco para uso em pequenas empresas ou departamentos na página 22). “Com a redução de preço, esse tipo de produto ganhou espaço em escritórios de profissionais liberais e pequenas empresas”, afirma Sakis, da IDC. Na área de equipamentos coloridos, a redução é ainda maior. “Em 2004, uma laser colorida estava cotada entre 4 mil e 5 mil reais. Atualmente, temos modelos por 1.699 reais”, destaca Renato Barbieri, diretor de marketing de produto da HP.

Mas qual tecnologia escolher? Qual o equipamento adequado às suas necessidades pessoais ou às de sua empresa? “A primeira regra de economia é escolher a impressora correta”, ensina Vidal, da Lexmark. De acordo com o executivo, o consumidor deve pensar primeiro no volume de impressão que deve gerar por mês. E, se há a perspectiva de ampliar esse número nos próximos meses, é melhor partir de cara
para um equipamento de maior porte para evitar a aquisição de uma máquina que ficará obsoleta em breve – ou sobrecarregada pelo uso inadequado, o que pode acarretar mais custos com manutenção.

Outro ponto a observar é o tipo de material impresso. Planilhas? Textos? Imagens coloridas? Essas respostas são importantes para estimar os gastos com suprimentos. Quanto à tecnologia, para pequenos volumes de impressão (até 500 páginas por mês) e quando o uso de cor é essencial, os modelos a jato de tinta são recomendáveis. Acima desse volume, normalmente a opção são os equipamentos a laser. Uma laser de baixo custo, com velocidade de até 25 páginas por minuto, dá conta do recado em empresas que produzem até 15 mil páginas por mês. Para suprir as necessidades de volumes superiores, as lasers de médio porte ou os modelos corporativos devem entrar em jogo. (confira o quadro Qual equipamento adotar?).

DE OLHO NO TCO

Mesmo com os preços dos equipamentos em queda, é importante lembrar que os custos de impressão não se restringem ao hardware. Eles incluem itens como suprimentos, manutenção, mão-de-obra para o gerenciamento da máquina e consumo de energia (saiba mais sobre o custo total de propriedade no quadro Vai gastar quanto?). E esses custos podem crescer por conta do desperdício, muito comum nos escritórios.

Para cortar custos com a área de impressão, um dos recursos utilizados é a adoção de suprimentos compatíveis (produtos novos, mas que não foram produzidos pelos fabricantes de impressoras) ou remanufaturados (cartuchos que recebem novas cargas de tinta). Em 2005, a Maxprint, empresa que comercializa suprimentos compatíveis para equipamentos HP, Canon, Lexmark e Epson, vendeu 1,5 milhão de cartuchos, número que deve chegar a 2 milhões de unidades em 2006. A empresa conta com preços de 35% a 90% mais baixos que os originais. “Os fabricantes incluem os custos do hardware no suprimento, por isso cobram mais caro”, explica Andréa Bilheiro, gerente de marketing da Maxprint.

Incomodados com essa concorrência, os fabricantes de impressoras apontam perda de qualidade e riscos de dano ao equipamento como conseqüência do uso de compatíveis ou remanufaturados. Testes patrocinados pela HP e realizados pela empresa QualyLogic afirmam que cartuchos reaproveitados podem custar quase o dobro de um produto original, por conta de gastos causados por problemas relacionados ao mau funcionamento. Para afastar dúvidas sobre danos, algumas empresas oferecem garantia não apenas para o cartucho. “Se houver qualquer problema com o equipamento causado pe-lo uso de nosso suprimento, consertamos ou trocamos a impressora”, promete Lisandra Lopes, gerente de produtos da área de cartuchos de tinta da Maxprint. Mas a medida mais importante para reduzir custos com impressão é tomar as rédeas desse processo. “Ter consciência de quanto e como se gasta com os documentos impressos é o primeiro passo para racionalizar o processo”, destaca Américo Ribeiro Neto, diretor comercial da Oki Printing Solutions. Uma solução cada vez mais adotada pelas empresas para conseguir esse controle é o outsourcing (leia mais sobre a opção na reportagem Nas mãos de terceiros, na página 21). “Essa opção deixou de ser atraente apenas para as grandes empresas”, afirma Marco Antonio Ierizzo, diretor da Planus Printing, provedora de serviços que tem 85% de seus clientes de terceirização de impressão no segmento de empresas de pequeno e médio porte.

OUTSOURCING OU CONTROLE

Ao aderir a esse modelo, a empresa entrega nas mãos de empresas especializadas a responsabilidade pelo fornecimento de hardware, suprimentos e manutenção, além de contar com relatórios detalhados que indicam o tipo de impressão gerada, quem criou cada documento e o custo referente a cada departamento da companhia. Para ter reduções consideráveis de custos com a terceirização de impressão, no entanto, é necessário ter um volume de impressão acima de 100 mil páginas por mês, segundo Ierizzo.

Muitas vezes, porém, o segredo da economia está na educação dos funcionários e na adoção de medidas simples. “Para a impressão de documentos internos ou rascunhos, folhas que foram impressas em apenas um dos lados e que não contenham informações sigilosas podem muito bem ser reutilizadas”, lembra Ribeiro Neto, da Oki Printing Solutions. Também é possível gerar um volume menor de papel ao revisar textos antes de mandar para a impressora. O texto está ok? Então não custa nada gastar dois segundos a mais e acionar o comando Visualizar Impressão, encontrado na maioria dos programas. Com isso, é possível perceber, por exemplo, se não sobrou uma página com a única informação do endereço do site na web. É mais do que recomendável, também, explorar os recursos da impressora. Se o equipamento possui impressão frente e verso ou permite reunir várias páginas de um arquivo em uma única folha, lance mão dessas funções. Enfim, é importante usar o bom senso. A natureza e o bolso agradecem.

A VEZ DOS GENÉRICOS

De um lado, os fabricantes de impressoras fazem campanha pelo uso de toners e cartuchos originais. Do outro, empresas que oferecem ao mercado os insumos compatíveis, muito mais baratos, e com vendas em crescimento – só a Maxprint comercializou 1,5 milhão de unidades no ano passado e deve chegar a 2 milhões em 2006

AFINAL, O USO DE CARTUCHOS COMPATÍVEIS É VANTAJOSO PARA O CONSUMIDOR?

SIM
"Além da relação custo-benefício favorável, com produtos até 90% mais baratos, ainda oferecemos  garantia do suprimento e da impressora", Lisandra Lopes, gerente de produtos da área de cartuchos da Maxprint

 NÃO
"O usuário não terá a mesma qualidade, pode não atingir o rendimento prometido na embalagem ou mesmo perder velocidade e danificar o equipamento", Zulma Vega, gerente de produtos da área de suprimentos da HP

Saiba mais:
>> Vai gastar quanto?
>> Quem imprimiu o quê?

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