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UOL completa 10 anos com o desafio de concorrer com gigantes

O UOL foi um dos responsáveis pela criação do mercado de internet no Brasil. Agora, enfrenta o desafio de concorrer com Google, MSN e Yahoo

Por Ralphe Manzoni Jr. editor executivo do IDG Now!

28/04/2006 às 11h40

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O UOL foi um dos responsáveis pela criação do mercado de internet no Brasil. Agora, enfrenta o desafio de concorrer com Google, MSN e Yahoo

Há 10 anos, o mercado de internet comercial tinha pouco mais de um ano de vida no Brasil. Às 4h15, do dia 28 de abril de 1996, o UOL ia ao ar com serviço de Bate-papo, a edição diária da Folha de S. Paulo, arquivos da Folha, com cerca de 250 mil textos, reportagens do The New York Times (traduzidas para o português), Folha da Tarde e Notícias Populares, Classificados, Roteiros e Saúde e a revista IstoÉ.

A internet no Brasil, nesta época, era composta de “meia dúzia de nerds”. Nestes 10 anos, o UOL passou por uma fusão com o grupo Abril, recebeu, em 1999, mais de 100 milhões de dólares de um grupo de investidores para expandir-se pela América Latina, adquiriu o Zip.Net, da Portugal Telecom, que colocou outros 200 milhões de dólares na operação em 2001 e, como poucas empresas do ramo, sobreviveu ao estouro da bolha da internet.

Agora, o UOL enfrenta o desafio de concorrer com gigantes internacionais como o Google, o MSN e o Yahoo. Não que seja um desafio novo, pois, no passado, o perigo era a poderosa America Online, que não está mais no Brasil.

Com faturamento bruto de 563,8 milhões de reais, o UOL teve um lucro líquido de 266,3 milhões de reais em 2005, um crescimento de 875% em relação ao ano anterior. O lucro operacional, ligado ao negócio, foi de 84,9 milhões de reais, um crescimento de 212%.

Em dezembro, o UOL abriu o seu capital na Bolsa de Valores de São Paulo. No primeiro dia de negociação, as ações abriram a 18 reais e fecharam cotadas a 21 reais, alta de 16,67%. Ontem (27/04), valiam 14,75 reais.

Confira os principais trechos desta entrevista com Marcelo Epperlein, diretor geral do UOL, e com Márion Strecker, diretora de conteúdo do UOL:

IDG Now - O nome UOL é uma referência a America Online, maior provedor de internet do mundo. Hoje, o Google é uma referência para o modelo de negócios do UOL?
Marcelo Epperlein: O berço do UOL está na mídia. A AOL nasceu em um browser proprietário e, aos poucos, foi colocando um produto de mídia dentro dele. O UOL primeiro se preocupou com a audiência e depois com a assinatura. Não surgimos do modelo de negócios da AOL, mas pegamos várias coisas que a AOL fez bem feito para disseminar para a internet, como os CDs e o pacote de assinatura limitada. Mas nunca perdemos o nosso foco de mídia e, portanto, de audiência.

Em relação ao modelo de publicidade, o Google é um modelo no qual o UOL se espelha. Mas, novamente, pegamos o conceito dos links patrocinados, olhamos para a nossa audiência e observamos que temos infinitamente mais páginas vistas fora da busca do que em busca. Por isso, adaptamos o modelo de links patrocinados para o contexto da página.

Márion Strecker: O UOL nasceu na internet e no ambiente aberto, e essa é uma diferença fundamental. Ele sempre teve um modelo de negócio de um grande portal e com grande audiência aberta, baseada em receita de publicidade. E, por outro lado, com produtos exclusivos com receita de assinatura.

IDG Now! - Quanto representa as receitas advindas da publicidade de links patrocinados?
Marcelo Epperlein – As receitas, fora assinatura, representam 20% do faturamento do UOL. O mercado de links patrocinados no Brasil começou há pouco. Estimo que ele não deve representar mais de 15% do total da publicidade online neste momento. É ainda um mercado pequeno, mas com taxas de crescimento expressivas de mais de três dígitos. Os links patrocinados trazem um novo grupo de pequenos e médios anunciantes para a internet.

IDG Now! - As três principais empresas de internet do mundo – Google, Yahoo e MSN – apostaram na internet como uma plataforma de serviços. O UOL está migrando de um provedor de conteúdo para provedor de serviços?

Marcelo Epperlein: Não, temos de fazer as duas coisas. Eu diria que o Yahoo já é as duas coisas. Ela é uma empresa de mídia que também tem serviços. Quando se fala em conteúdo começa a confusão. Você tem o conteúdo editorial e os criados pelos usuários. É bem mais complexo do que uma mídia tradicional e prestação de serviço faz parte do nosso negócio.

IDG Now! - Onde vão se concentrar os investimentos na área de conteúdo nos próximos anos?
Marcelo Epperlein: Com o crescimento da banda larga, aumentou o uso da internet, mas com o mesmo perfil de uso com a linha discada, só que de forma mais intensa. Claramente, com o aumento da velocidade, o streaming e conteúdo de vídeo vão começar a ter um papel mais importante.
Márion Strecker: Neste ano, estamos fazendo um investimento grande na cobertura da Copa do Mundo. Desde o final do ano passado, estamos trabalhando com podcast de áudio e vídeo. O público também vai fazer seus próprios conteúdos de áudio e vídeo. Esse é um dos ramos que parece inevitável que cresça.

IDG Now! - O UOL informou ao mercado que lançaria uma loja de músicas online em abril? Quem serão os parceiros? Ela vai funcionar para iPod?
Marcelo Epperlein: Anunciamos que ela será lançada em maio. Nossos parceiros são a maioria das principais gravadoras e as editoras. E ela vai funcionar em MP3.

IDG Now! - Qual a relação entre banda larga e banda estreita na base de assinantes do UOL?
Marcelo Epperlein: Terminamos o ano passado com uma base de assinantes de 40% em banda larga e devemos ultrapassar os 50% antes do final deste ano. Atualmente, a nossa base de assinantes é de 1,5 milhão.

IDG Now! - De que forma o UOL está se preparando para a Web 2.0?
Márion Strecker: O UOL já está na Web 2.0. Trabalhamos com a participação do público desde o começo. No início com participação limitada em salas de bate-papo, depois em salas criadas pelos próprios assinantes do portal, enquetes, grupos de discussão. Evoluímos para hospedagem de sites pessoais e ferramentas para que o público pudessem criar seus próprios sites. E, por fim, blogs, fotoblogs, álbuns de fotografias e UOL K, desde o ano passado.

A participação do público vem crescendo bastante ao longo dos anos e tem se tornado cada vez mais importante. Mas por outro lado, ela não vai substituir a função dos veículos de imprensa na internet. Desde o ano passado, implantamos uma série de blogs feitos por profissionais, com intensa participação do público com comentários.

IDG Now! - De que forma o UOL pretende usar os R$ 340 milhões que possui em caixa, depois da abertura de capital?
Marcelo : A única coisa que posso dizer é que vamos entrar em uma nova fase de competição, dada a quantidade de usuários e o tamanho da audiência que a internet está gerando e queremos estar preparados para essa nova fase.

IDG Now! - A questão das buscas é fundamental para um portal como o UOL?
Marcelo - Faz parte de um negócio de um portal. Crítico é ter audiência como um todo e de qualidade. E, para os acionistas, o mais importante é que essa audiência se traduza em resultado, receita e retorno para o investimento.

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