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PC popular com Windows chega ao mercado brasileiro

Fabricante Epcom Eletrônica coloca à venda nas lojas da rede Magazine Luíza o computador com dual boot ao mesmo preço da máquina só com Linux, contrariando as expectativas dos defensores do código aberto

Por Camila Fusco, do COMPUTERWORLD

07/06/2006 às 19h04

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Fabricante Epcom Eletrônica coloca à venda nas lojas da rede Magazine Luíza o computador com dual boot ao mesmo preço da máquina só com Linux, contrariando as expectativas dos defensores do código aberto

Os integrantes do governo federal que defendiam a exclusividade dos sistemas operacionais de código aberto no programa de inclusão digital Computador para Todos, ao que parece, perderam a batalha.

Desde a última segunda-feira (07/06), a fabricante Epcom Eletrônica – credenciada no programa – já vende a 1.399 reais um computador com dois sistemas operacionais (dual boot), uma distribuição Linux e outra Windows Starter Edition, da Microsoft.

De acordo com Silvana Rossini, gerente comercial da Epcom, as máquinas estão à venda na rede Magazine Luíza a 1.399 reais, mesmo valor daquelas comercializadas apenas com a distribuição de código aberto da Metasys. Segundo a executiva, a companhia fez uma consulta ainda no mês de fevereiro ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e teve o sinal verde para incluir o dual boot.

“Isso [inclusão dos dois sistemas] não fere a lei. Estamos seguindo 100% das exigências do programa de código aberto e oferecendo ainda mais opções aos clientes”, ressalta a executiva. O debate sobre a possibilidade ou não de inclusão de dual boot já acontecia no governo federal há alguns meses  . Isso porque diante da inexistência de veto explícito à inclusão de dois sistemas operacionais na portaria que regulamenta o programa Computador para Todos, vários fabricantes cogitavam a possibilidade de inclusão dos dois sistemas operacionais.

Em entrevista ao COMPUTERWORLD na ocasião, Cezar Alvarez, assessor especial da Presidência da República e coordenador do programa, reconheceu que o governo pode ter falhado na redação da portaria e considerou alterar até mesmo o texto do documento.

Segundo a gerente comercial da Epcom, incluir o dual boot nas máquinas do Computador para Todos sempre foi um projeto da empresa. Neste primeiro lote cerca de 4 mil máquinas serão comercializadas pelo Magazine Luiza, e a expectativa é que a média mensal de equipamentos vendidos ao varejista fique entre 5 mil e 7 mil unidades.

A companhia não pretende abandonar a comercialização das máquinas apenas com Linux, mas espera que a nova alternativa alavanque as vendas. “Hoje vendemos em média 6 mil máquinas do programa por mês. A expectativa é chegar até o fim do ano com algo em torno de 8 mil unidades mensais”, ressalta Silvana. Desde o início do Computador para Todos, a Epcom já vendeu cerca de 20 mil computadores, trabalhando também com a Americanas.com e com a Shoptime.

Configuração avançada, preço igual

Outra situação polêmica que foi questionada por integrantes do governo federal antes mesmo do surgimento do equipamento com dual boot foi o preço. Alvarez, por exemplo, acreditava que seria muito difícil o fabricante incluir o dual boot e manter o mesmo valor para o produto em virtude de suporte e da própria licença. A Epcom, no entanto, manteve o mesmo patamar de preço, e atribui a possibilidade à negociação com os diversos fornecedores. “Houve um comprometimento de nossos parceiros para todos os itens do que equipamento, de maneira a manter o mesmo preço”, diz.

O novo equipamento traz processador Celeron D315, disco rígido de 40 Gigabytes (GB), 256 Megabytes (MB) de memória, gravador de CD e distribuições Linux (Metasys) e Windows Starter Edition. Segundo a executiva, é possível inclusive que, posteriormente, os compradores do novo PC popular façam a atualização inclusive para o Windows XP Home.

Opiniões divididas

A opção do governo federal por Linux no Computador para Todos era clara desde a concepção do programa. No entanto, apesar da resposta positiva do MCT às consultas sobre a possibilidade do dual boot, alguns fabricantes optaram pela cautela. “A Positivo perguntou à Sepin [Secretaria de Política de Informática] se poderia utilizar o dual boot e teve resposta afirmativa. Mas ao consultar outros integrantes do governo fomos informados de que se incluíssemos a tecnologia, as regras seriam mudadas”, informa Hélio Rotenberg, diretor da Positivo. Rotenberg informou ainda que a Positivo prefere seguir as regras atuais. Fontes de mercado informaram que a Novadata também estaria interessada na tecnologia, mas a companhia negou a informação. 

Procurado pela reportagem, o coordenado do programa, Cezar Alvarez, ainda não se posicionou sobre o assunto.

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