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Um mundo sem a Microsoft

Se a empresa que amamos odiar desaparecesse amanhã, teríamos grandes dores de cabeça

Ephraim Schwartz - InfoWorld/EUA

04/07/2006 às 15h14

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Se a empresa que amamos odiar desaparecesse amanhã, teríamos grandes dores de cabeça

Algum dia você já deve ter ouvido o aviso: “Cuidado com o que você deseja porque pode se tornar realidade”. Pois bem. Visto que a Microsoft é a empresa que a maioria das pessoas ama odiar, decidi fazer uma pergunta simples a um segmento representativo de especialistas do setor: o que aconteceria se a Microsoft e toda a sua tecnologia desaparecessem amanhã?

“No início, pânico nas ruas”, diz Tony Meadow, presidente da Bear River Associates, desenvolvedor de software com foco em aplicações móveis. “A Microsoft não estabeleceu seus padrões de uma maneira simpática, mas eles são a base de muitas coisas que usamos e fazemos com computadores.”

Hoje você pode enviar um documento do Word a qualquer pessoa ao redor do mundo e supor que ela seja capaz de abri-lo. Segundo Meadow, leva uma eternidade para as pessoas adorem esses padrões.
Josh Greenbaum, diretor da Enterprise Applications Consulting, observa que o volume de gente fazendo downloads do StarOffice (já que não existiria o MS Office) “paralisaria a internet”.

Segundo Hollis Bostick, consultor da empresa Pratt & Whitney, a Microsoft tem uma presença marcante na área de servidores. Se a empresa desaparecesse, “voltaríamos a nichos”. Para ele, talvez não seja uma idéia tão ruim no longo prazo, porque estes nichos sempre forneceram “software mais aprimorado”. Por outro lado, o especialista argumenta que, ao longo dos anos, a Microsoft padronizou a interface com o usuário na linha de produtos que oferece, permitindo que você encontre facilmente o que precisa. Compare com o programa de edição de vídeo Adobe Premiere Pro – ele tem uma tonelada de controles, mas você tem que conhecê-los e saber onde eles estão. “A Microsoft padronizou o lugar onde bota as coisas para que você possa encontrá-las.” “Na Pratt & Whitney, temos 10 mil  pacotes de software para ajudar a criar motores de foguete, mas só usamos um pacote (o Outlook) para nos comunicar”, explica ele.

Do ponto de vista da segurança, o cenário seria bem melhor. Se a Microsoft desaparecesse, nenhum outro fornecedor teria 95% de participação no mercado e as pragas virtuais não poderiam se disseminar tão rápido. “O ambiente heterogêneo é um ponto positivo forte”, explica John Pescattore, vice-presidente para segurança na internet do Gartner. “Também descobriríamos que fornecedores de Linux e sistemas Apple não são bons em disponibilizar patches, se compararmos com o que os clientes se acostumaram a receber da Microsoft”, aponta  Pescattore. A Microsoft se sai muito melhor no fornecimento de patches de segurança. Faz sentido. “Se você está sempre envolvido em acidentes de carro, sabe consertar batidas”, lembra ele.

Marty Cooper, o homem que inventou o telefone celular quando estava na Motorola, acredita que um mundo sem Microsoft seria desastroso – mas só porque teríamos que aprender um sistema complexo de outra empresa. Cooper observa que você pode entrar em um carro alugado em qualquer lugar do mundo e sair dirigindo, apesar do fato de a caixa de câmbio automática ser no mínimo tão complexa quanto o Office. “Tecnologia boa é transparente e invisível”, define Cooper, “e ainda não chegamos lá.”

Por fim, perguntei ao nosso próprio guru de tecnologia do InfoWorld, Jon Udell, o que ele achava. De maneira geral, ele acredita que o desaparecimento da Microsoft seria bom. “Acho que poderia despertar um tipo de inovação competitiva que não temos visto.”

E o que eu penso? Não é por acaso que a Microsoft e sua tática inflexível têm feito sucesso todos estes anos. Não é acidental. Como as raízes de uma planta buscam a água, a própria indústria de alta tecnologia criou a Microsoft para sobreviver.
Se a Microsoft não existisse, teríamos que inventá-la.

Ephraim Schwartz é editor do InfoWorld – EUA

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