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Nada substitui o teclado

Mesmo em gadgets diminutos, o velho modelo QWERTY continua imbatível

Stephen Manes

16/08/2006 às 10h18

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Mesmo em gadgets diminutos, o velho modelo QWERTY continua imbatível

Stephen Manes - 170x200Escrevo esta coluna com um dispositivo do século XIX que exige um treinamento longo e complicado. Tão estranha é esta coisa que até usuários competentes podem cometer centenas de erros em um dia comum. Apesar de tudo, nenhuma alternativa inventada até agora se iguala em produtividade.

Senhoras e senhores, saúdem nosso amigo, o teclado físico genuíno. E façam-no enquanto ainda podem. Ultimamente, tenho deparado com uma enxurrada de produtos tolos que tentam dispensar por completo o velho e bom “entorta dedos”.

Vejam o design do Ultra Mobile PC, da Microsoft (confiram em http://www.pcworld.com.br/ultramobile). Façam-me o favor! Esse tipo de dispositivo oferece diversas maneiras de inserir texto: três tipos de teclados na tela (dois para caneta stylus e um para o polegar) e dois modos de reconhecimento de caracteres. Todos os métodos são, para dizer o mínimo, irritantes.  Se vocês quiserem um teclado de verdade, sempre podem plugar um modelo USB – mas não deveria ter que ser assim.

Há também o Nokia 770 Internet Tablet, que é ainda menor. Ele é tão pequeno que cabe no bolso, mas, para inserir algo essencial como uma URL, vocês têm que apontar e bater de leve em um teclado desconfortável na tela ou escrever da maneira que o dispositivo deseja. Sem um teclado de verdade, a praticidade desaparece.

O mesmo vale para telefones que fazem vocês darem tapinhas em um teclado numérico ou obrigam-nos a depender de software que tenta adivinhar o que uma série de batidas individuais significa. De repente, vocês se vêem desejando um teclado tradicional (que é possível obter em alguns telefones com partes deslizantes).

Um bom teclado pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso. A capacidade de digitação com polegar do BlackBerry original ajudou a torná-lo um nome famoso. E a Handspring aproveitou a idéia em seu Treo, em vez de manter a tradição do Palm OS de exigir que os usuários peguem uma caneta stylus e aprendam caracteres especiais.  Os teclados tiveram menos êxito em dispositivos intermediários – aqueles um pouco maiores do que a maioria dos PDAs modernos, porém menores do que os notebooks, como os extintos computadores baseados no Windows CE originais (que não deixaram saudade). Em geral, vocês obtêm algo que é pequeno demais para digitação por toque, mas incômodo demais para o polegar, e que não informa confiavelmente se a pressão das teclas foi registrada.

Mas não precisa ser assim: o finado Psion Series 5 provou que a digitação por toque em um espaço minúsculo pode ser absolutamente decente.

Não estou dizendo que o modelo-padrão (QWERTY) seja a única maneira viável de inserir informação em um dispositivo. Ainda sou grande fã do reconhecimento de voz, que ganha espaço com os telefones. Em locais barulhentos ou que exigem silêncio, porém, o teclado vence. E, mesmo quando a voz é uma opção, vocês continuam querendo ter teclas para editar os inevitáveis erros de entrada da voz. O teclado pode ser um dispositivo antiquado, mas não dá o menor sinal da idade.

STEPHEN MANES É EDITOR-COLABORADOR DA PC WORLD–EUA E CO-APRESENTADOR DO PROGRAMA DIGITAL DUO, TRANSMITIDO NO ENDEREÇO WWW.PCWORLD.COM/DIGITALDUO

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