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Concessionária movida a Linux

Depois de ter diversos projetos de investimento barrados por conta dos custos, a Carbel, de Belo Horizonte, adota o sistema operacional de código aberto

Por Luís Fernando Tinoco

20/09/2006 às 12h14

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Depois de ter diversos projetos de investimento barrados por conta dos custos, a Carbel, de Belo Horizonte, adota o sistema operacional de código aberto

Concessionária de veículos de Belo Horizonte, em Minas Gerais, a Carbel precisava atualizar seu parque de computadores, que contava com máquinas bem antigas. Mas todos os projetos esbarravam na questão do custo. Com 230 funcionários, 150 computadores e um sistema de gestão empresarial para agilizar os processos internos e o atendimento ao cliente, a empresa corria o risco de ficar para trás da concorrência. A saída foi iniciar um processo de migração total para o software livre, que deve durar três anos, mas que já começou a dar bons resultados.

A Carbel criou um novo setor de telemarketing,  com 18 estações de trabalho rodando Linux e interligadas por uma rede wireless. Como as mesas receberam também telefones sem fio, a economia foi enorme. “Era uma estrutura física toda nova, então economizamos ao não fazer cabeamento estruturado”, conta Wanderson Caricatti, gerente administrativo e de informática da empresa.

“Dos 18 computadores, cinco precisariam ter um pacote de aplicativos de escritório. Com a licença do Windows na faixa de 600 reais por PC e do Microsoft Office em torno de 1,6 mil, economizamos mais de 18 mil reais só nesse projeto. Se não fosse assim, certamente não teria sido aprovado pela diretoria.”

Hoje, a Carbel tem 25 estações rodando Linux. A meta é migrar pelo menos 80% dos computadores até 2008. A política agora é só comprar máquinas com sistema operacional de código aberto e também fazer a migração toda vez que for necessária a reinstalação do sistema operacional de um PC Windows. “Houve alguma resistência do usuário no início e tivemos problemas de instalação ao tentar diferentes versões do Linux”, admite Caricatti. “Mas, ao experimentar o Suse 10, foi tudo muito bem. A interface é muito amigável e a instalação, simples. Receberemos mais 20 novas máquinas e já combinamos com nosso fornecedor que todas terão esse sistema instalado.”

Embora só neste ano tenha chegado às estações de trabalho da companhia, o Linux já existe dentro da Carbel desde 2001. A empresa usa há 20 anos o Dealer System, ERP vertical para gestão de concessionárias da Spress Informática. No início, ele rodava em um servidor Unix, mas passou a trabalhar com Linux há cinco anos.

A concessionária, que também está instalando o Linux em outras empresas do mesmo grupo, precisou alocar parte da equipe de tecnologia para adaptar aplicativos adicionais desenvolvidos internamente e, em parceria com a Spress, realizar testes no ERP. “Já fizemos 80% do desenvolvimento necessário para conversão de algumas pequenas aplicações que tínhamos usando Excel e Access. Tudo agora será com OpenOffice, PHP e MySQL”, diz o executivo. Quando um funcionário recebe a nova máquina, é feita apenas uma apresentação dos comandos básicos do novo sistema e, em geral, a adaptação tem acontecido em poucos dias, sem grandes problemas.

“Toda vez que a empresa tentava aprovar um upgrade ou a compra de novos computadores, não conseguia por causa do custo. Em uma máquina de 1200 reais, são 600 reais só do sistema operacional. O preço do software inviabilizava o investimento. Com o Linux, muitos projetos foram aprovados pela diretoria”, diz Caricatti. Além disso, antes somente alguns computadores tinham o pacote de escritório, por causa do custo, mas agora todas terão o OpenOffice. “Estamos muito contentes e o usuário ficou com muito mais recursos.”

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