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CEO da HP sabia sobre campanha de espionagem, afirma reportagem

Em e-mails obtidos pelo Washington Post, Patricia Dunn relata a executivos plano de espionagem com aprovação de Mark Hurd

Por Steven Schwankert, para o IDG Now!*

21/09/2006 às 11h05

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Em e-mails obtidos pelo Washington Post, Patricia Dunn relata a executivos plano de espionagem com aprovação de Mark Hurd

O chief executive officer (CEO) da HP, Mark Hurd, conhecia os planos de uma campanha de espionagem para encontrar fontes de vazamento de informações do conselho de diretores, reportou o jornal The Washington Post nesta quinta-feira (21/09).

A reportagem implica Hurd ainda mais profundamente do que imaginado no escândalo. O CEO e presidente da HP substituirá Patricia Dunn como presidente do conselho em janeiro.

Dunn fez o anúncio de sua saída no dia 12 de setembro como resultado de uma investigação interna sobre práticas usadas para descobrir fontes de vazamentos de informações da HP.
Para revelar a fonte dos vazamentos, a campanha de espionagem conduzida pela HP forjou o contato de um informante interno da HP com uma jornalista, que lhe passaria informações falsas e instalaria um software de espionagem no micro da repórter por um anexo em um e-mail, de acordo com mensagens obtidas pelo Post.

O informante interno não existente foi criado pelo conselheiro-sênior Kevin Hunsaker e um colega que não teve o nome divulgado em Boston.

Nenhum dos e-mails acessados pelo jornal eram de Hurd, mas se referem ao seu conhecimento ou aprovação de várias ações, disse a notícia. O Post não disse como obteve a "mais de uma dúzia" de mensagens. A HP se negou a comentar ou negociar entrevistas com Hurd sobre o assunto.

Alguns dos e-mails foram enviados por Dunn, como a mensagem de 9 de fevereiro para Hunsaker e para a conselheira geral Ann Baskins. "Falei com o Mark e ele está ciente do plano para usar novos dados sobre handhelds", teria escrito Dunn, segundo o jornal.

A companhia planejou alimentar informações para a jornalista sobre futuros handhelds para ajudar a ganhar a confiança da repórter, que revelaria a fonte.

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Em mensagem escrita no dia 22 de fevereiro para Hunsaker, Dunn escreve: "Kevin, acho que isto é muito esperto. Afinal, tudo que potencialmente possa ser visto fora da HP precisa ter a aprovação do Mark".

Dunn está se referindo à apresentação de handhelds que Hunsaker criou para passar para a jornalista como informação privilegiada.

Hunsaker enviou um e-mail para Dunn no dia 23 de fevereiro afirmando que, "para seu interesse, falei com Mark há alguns minutos e ele concorda tanto com o conceito como com o conteúdo", diz a reportagem.

O Wall Street Journal também reportou nesta quinta-feira que viu e-mails internos da HP sugerindo que Hurd estava mais próximo à investigação de  vazamentos do que havia se pensado antes.

A investigação da HP sobre os vazamentos e potencial contuda ilegal que pode ter sido aplicada serão assuntos do encontro do SubComitê da companhia no dia 28 de setembro. Dunn e outros executivos são esperados para depôr voluntariamente sobre seus papéis e conhecimentos sobre a investigação e seus métodos.

Uma empresa externa de investigação contratada pela HP para procurar os vazamentos pode ter obtido ilegalmente registros telefônicos de empregados da HP, nove jornalistas que escreveram sobre a companhia e alguns dos membros do conselho.

O uso de uma técnica em que alguém disfarça sua própria identidade para obter dados pessoais sobre outros está no centro da discussão.

Até agora, o escândalo levou à queda de dois membros do conselho da HP, junto ao anúncio de Dunn de que sairá do cargo de presidente em janeiro.

*Steven Schwankert é editor do IDG News Service, em Pequim.

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