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AOL é processada por divulgar dados pessoais de assinantes

Por Juan Carlos Perez, para o IDG Now!*

26/09/2006 às 14h56

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A AOL é processada por divulgar informações pessoais de seus assinates gravadas após o uso do sistema de busca da empresa

Três pessoas processaram a AOL por conta de a empresa divulgar dados gravados em sites de busca. Os assinantes moveram a ação contra a subsidiária da Time Warner, alegando violação de privacidade, falsa publicidade e enriquecimento ilícito, entre outros. Esta foi a primeira ação deste tipo em ordem nacional.

Dois assinantes anônimos que residem na Califórnia e um que vive em Nova York, Kasadore Ramkisson, arquivaram seus processos na sexta-feira (26/09) no U.S District Court, para o Northern District da Califórnia.

O processo exige reparação monetária para todos os assinantes nos Estados Unidos que tiveram seus dados expostos sem consentimento dos usuários desde o dia 1º de janeiro de 2004 até hoje.

As pessoas também pediram à corte judicial que instrua a AOL a apagar os dados gravados de pesquisas feitas pelos assinantes.

O processo se originou da decisão da AOL de publicar em seu site de buscas cerca de 20 milhões de dados, de aproximadamente 658 mil assinantes, entre os períodos de março e maio deste ano.

A AOL não divulgava os nomes dos assinantes, mas os identificava por um único número. Com isso, era possível ver o que cada indivíduo estava buscando na internet, além de restaurar informações pessoais e cliques dos usuários.

Em agosto, quando houve o escândalo, a AOL se desculpou e tirou os dados de seu site, mas as informações já tinham sido baixadas muitas vezes e continuavam disponíveis na web.

Os dados contêm informações pessoais como cartões de crédito, número de telefone, datas de aniversário, nome completo do assinante e endereço. O jornal norte-americano, New York Times, seguiu os dados de um assinante prejudicado e, com sua permissão, o entrevistou.

A advocacia Berman DeValerio Pease Tabacco Burt & Pucillo representa os assinantes prejudicados. A cópia da queixa está publicada no site da empresa.

O escândalo têm repercussões significantes para a AOL. Um Chief Technology Officer (CTO) se demitiu e outros dois empregados foram despedidos.

Semana passada, em um e-mail enviado aos funcionários e obtido pelo IDG News Service, o Chief Executive Officer (CEO) da AOL, Jonathan Miller, se referiu ao incidente como “ruína dos arquivos de busca” e anunciou o plano da empresa de contratar pela primeira vez um responsável sobre as questões de privacidade e segurança.

No e-mail, Miller traçou a reorganização da estrutura financeira da AOL, que inclui um sólido termo de dedicação à proteção dos assinantes.

Na semana passada, a última pesquisa feita pelo Nielsen/NetRatings sobre uso de sistemas de busca apontou que a procura pelo serviço da AOL caiu 18,2% se comparado a agosto de 2005.

A pesquisa não explicou o motivo da queda, mas apontou diretamente o escândalo como motivador. Entre os cinco maiores sistemas de busca na internet, a AOL foi a única que registrou queda no mês passado.

A Eletronic Frontier Foundation também entrou com um processo contra a AOL pelo mesmo motivo na U.S Federal Trade Comission.

A AOL não quis fazer comentários a respeito das acusações.

*Juan Carlos Perez é editor do IDG News Service, em Miami.

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