Home > Notícias

Caixa lança novo modelo de contratação para fábrica de softwares

As alterações no modelo de contratação da fábrica de software também garantirão uma concorrência mais leal às empresas de menor porte

Fernanda Ângelo, do COMPUTERWORLD

06/11/2006 às 13h04

Foto:

As alterações no modelo de contratação da fábrica de software também garantirão uma concorrência mais leal às empresas de menor porte

O edital da Caixa Econômica Federal que conduzirá o processo de licitação para a contratação de uma fábrica de software para a instituição sofreu algumas mudanças que irão beneficiar pequenas empresas desenvolvedoras, normalmente especializadas. Melhoria da qualidade, aumento da produtividade e racionalização de gastos foram algumas das diretrizes citadas pela CEF, em audiência pública realizada no último dia 6 de julho, para a criação do novo modelo de contratação de fábrica de software.

Ednaldo Oliveira, gerente nacional de tecnologia da informação (TI) da Caixa Econômica Federal (CEF), conta que a produção do novo modelo levou em torno de um ano para ser concluída. “Ela exigiu um trabalho muito grande de definição de estratégia e mapeamento do mercado, considerando o seu grau de maturidade”, justifica o gerente. “Depois ainda houve o período para a documentação disso tudo e a aprovação do orçamento em várias instâncias”, detalha. Segundo o executivo, a decisão de alterar o modelo de contratação da fábrica de software foi tomada no fim do primeiro semestre de 2005 – a versão final do edital, refinada com a contribuição de representantes do mercado, foi publicada no site da Caixa dia 9 de outubro.

Os envelopes habilitação, proposta técnica e proposta comercial podem ser entregues até o dia 27 de novembro.

Na prática, as mudanças buscam o caminho da governança corporativa e de TI ao impedir que uma única empresa que se enquadre no conceito de fábrica de software trabalhe em todo o ciclo de desenvolvimento de uma solução. Ao invés disso, a CEF dividiu os serviços a serem contratados conforme a sua natureza, separados em duas categorias básicas nomeadas A e B. Enquanto o bloco A concentra aquilo que a instituição chama de processo principal – serviços de desenvolvimento e manutenção, sustentação e programação –, o B reúne as atividades de suporte e aferição de qualidade – serviços de métricas, qualidade e conformidade e suporte avançado. Além disso, a CEF especificou em um nível de maior detalhamento cada um dos serviços das categorias A e B.

Basicamente, entre outras determinações, as regras do novo modelo impedem que a empresa vencedora em qualquer item de um dos blocos concorra a contratos do outro bloco. “As companhias que se enquadrem nas exigências do edital podem participar da licitação em todos os níveis. Mas se ganhar em uma das categorias, não pode concorrer na outra”, explica Oliveira. Para exemplificar, ele diz que o fornecedor responsável pela programação do software jamais fará a sua aferição ou proverá o suporte para a solução.

O gerente acredita que esta seja uma forma de garantir mais qualidade de software, já que as chances de contratar provedores mais especializados são muito maiores. As alterações no modelo de contratação da fábrica de software também garantirão uma concorrência mais leal às empresas de menor porte – que até então eram subcontratadas pelas grandes que normalmente venciam a licitação. A obtenção de melhores preços, conforme aumenta a concorrência, é outra realidade a partir das mudanças feitas pela CEF. “O mercado recebeu bem a nova proposta”, garante Oliveira.++++Bom para uns

De fato, a mudança vem sendo muito bem aceita por empresas menores, especializadas em um determinado escopo dentro do processo de desenvolvimento de software. É o caso da RSI, companhia brasileira cuja atuação está focada no desenvolvimento de metodologias e ferramentas para testes e qualidade de software.

Roberto Murillo, sócio-diretor da empresa, que deve participar do processo de licitação – muito provavelmente na categoria “qualidade e conformidade” – comenta com entusiasmo a mudança. Não apenas pela incontestável oportunidade, mas também pelo amadurecimento de mercado que ela representa. “A etapa de testes costumava ser estrangulada na fase final do desenvolvimento. Os testes acabavam limitados e muitos erros eram identificados depois que a solução estava em um ambiente de produção. E o pior: pelo usuário final”, relata.

Agora, segundo Murillo, o teste passa a ser dividido em diversas categorias, em todo o ciclo de desenvolvimento. “Isso enriquece a qualidade ao passo que permite refinar o código ao longo do desenvolvimento.” Além disso, o executivo destaca as vantagens financeiras que a CEF obterá com o novo formato. “Se a empresa que vai desenvolver é a mesma que vai definir métricas, tamanho do projeto e sua necessidade de manutenção, ela pode, por exemplo, embutir custos e riscos desnecessários”, sugere. Na avaliação de Murillo, questões de documentação devem pesar muito na hora da contratação. “São itens que devem ser muito bem especificados”, opina.

Oliveira, da CEF, assina embaixo. Ele destaca que a questão foi bastante planejada durante o desenvolvimento do edital. Segundo o gerente, sempre que se tratar de projetos de missão crítica, todo o processo relacionado a aspectos de inteligência de negócios e à arquitetura da solução deverá ser mantido sob a responsabilidade da Caixa.

Para outros, nem tanto
Se para as empresas de nicho a mudança foi favorável, as de maior porte não podem dizer o mesmo. Gilmar Batistela, diretor do Grupo Resource, entende a preocupação do cliente em buscar fornecedores distintos para cada etapa do desenvolvimento de software. Mesmo assim, ele garante que na Resource cada fase é tratada separadamente.
E, apesar de admitir que sua fábrica de testes ainda seja algo novo (lançada há cerca de dois anos), a companhia está preparada para concorrer em qualquer uma das fases.

Batistela não confirma a participação da empresa no processo de licitação para a fábrica de software da CEF. “Caso optemos por participar, faremos a inscrição para concorrer na fase de desenvolvimento”, diz. O executivo explica que a escolha se daria por conta do maior valor do contrato, já que essa etapa implica em mais horas/homem, bem como pela maior experiência da companhia em desenvolvimento.

Oliveira, da CEF, admite que o novo modelo realmente permite que empresas de menor porte, porém altamente especializadas em determinadas áreas, consigam fazer frente àquelas de grande porte, que até então tradicionalmente levavam a maior parte das licitações desse gênero. Ele admite também que essa mudança vai ao encontro das diretrizes do atual governo federal, que prevê a democratização das oportunidades.

No entanto, o executivo é enfático ao dizer que o novo modelo de contratação da fábrica de software vem atender a demandas reais dentro da própria CEF. “A mudança não se deu por generosidade da Caixa, mas porque é uma forma de extrair muito mais especialização do mercado”, afirma.

Oliveira diz ainda que também não se pode dizer que a nova política de licitação caracteriza uma simples inovação da instituição. “Mais do que inovadora, a CEF está sendo criativa e, acima de tudo, muito mais exigente”, conclui.

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter por e-mail Newsletter por e-mail