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MIT debate suposta consciência humana presente em máquinas e robôs

Instituto diverge sobre rumos da inteligência artificial, mas concorda que sentimentos humanos em robôs é preocupação filosófica

Por Nancy Weil, para o IDG Now!*

04/12/2006 às 10h58

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Instituto diverge sobre rumos da inteligência artificial, mas concorda que sentimentos humanos em robôs é preocupação filosófica

A questão se máquinas poderão ter inteligência humana é uma questão para filósofos pensarem e não algo que cientistas podem responder, opiniou um inventor e cientista de computação durante um debate na quinta-feira (01/12) no Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

O inventor Ray Kurtzweil e o professor da Universidade de Yale David Galernter passaram parte do evento debatendo a definição de consciência ao lançarem a questão "Estamos limitados a construir robôs zumbi super-inteligentes ou será possível criar máquinas espirituais, conscientes e criativas?".

Mesmo que discordassem em vários pontos, ambos afirmam que a questão é mais filosófica que científica.

O debate junto à palestra foi parte da celebração dos 70 anos do estudo "On Computable Numbers", do pesquisador do MIT, Alan Turing, apontado como a fundação teórica do desenvolvimento de computadores.

Em um estudo de 1950, Turing sugeriu um teste para determinar a "inteligência da máquina". No Teste de Turing, um juiz tinha uma conversa com outro humano e uma máquina, sem saber quais respostas vinham do homem ou dá máquina.

Caso o responsável pela resposta não pudesse ser determinado, o robô passaria no teste e seria inteligente. Evidentemente, como esta é apenas uma questão filosófica, o Teste de Turing é a fonte da atual disputa.

Kurtzweil e Gelernter não estavam tão interessados na disputa, mas focados em como o teste poderia ser aplicado. A posição de Kurtzweil foi que máquinas, de fato, passarão no Teste de Turing, graças ao avanço na modelagem do cérebro mecânico que permitem que funções humanas sejam replicadas pelo robô.

"Teremos sistemas com a mesma complexidade do cérebro humano", disse Jurzweil, acrescentando que, para complementar estas máquinas que serão desenvolvidas, é importante aceitar que o atual poder de software e hardware ainda não atingiram tal nível e que avanços na tecnologia são necessários. Por isto, é importante esperar por até 20 anos até este cenário.

Humanos reconhecerão a inteligência de tais máquinas por que "os robôs serão muito espertos e se enfurecerão se nós não formos", brincou.

Gelernter sorriu com o comentário, mas também se mostrou chocado em outros trechos. O pesquisador não acredita logicamente na assertiva por que nenhuma máquina programada para mimetizar os sentimentos humanos, que representa consciência, está programada para mentir já que uma máquina não pode sentir o que um humano sente. Este é também o caso para máquinas que parecem "pensar" como um humano.

"É claro que você simplesmente não pensa apenas com seu cérebro", disse. "Você pensa com seu corpo".

Kurtzweil notou recentemente que um computador simulou a síntese de uma proteína, algo considerado impossível para que máquinas fizessem, sugerindo que é difícil imaginar o que robôs podem ser capazes de fazer.

Gelernter tinha também uma resposta para o caso - a simulação da sintetização aconteceu por que parou, evidentemente, ali.

"Você pode simular uma tempestade sem que ninguém se molhe", observou usando outro exemplo.

*Nancy Weil é editora do IDG News Service, em Boston.

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