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Quilombolas do Vale do Ribeira divulgam cultura e história pela web

Mesmo sem conhecer a Internet, a comunidade Cangume ajudou na produção dos textos e na escolha do visual da página

Por Redação do IDG Now!

08/01/2007 às 12h39

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Mesmo sem conhecer a Internet, a comunidade Cangume ajudou na produção dos textos e na escolha do visual da página

Os 200 integrantes da comunidade quilombola de Cangume, na região do Vale do Ribeira, entre os estados de São Paulo e do Paraná ganharam um endereço online para divulgar sua cultura, história e a luta pela terra nas comunidades onde vivem.

A idéia de criar uma página na internet surgiu a partir de um projeto do Instituto Socioambiental (ISA), que contou com apoio financeiro do Ministério do Meio Ambiente para capacitar as comunidades do Vale do Ribeira. Foram feitas oficinas de gestão de negócios, de empreendimento e de inclusão social.

Em Cangume existem apenas dois telefones públicos, e um celular, o do Cláudio. O posto de saúde mais próximo fica a 12 quilômetros de distância; o hospital a 35 quilômetros; e a escola da comunidade só ensina até a 4ª série.

Para continuar estudando os alunos precisam pegar um ônibus – cedido pelo governo do estado de São Paulo – pois, o centro de ensino mais próximo também fica a 12 quilômetros e as aulas são noturnas.

Na região do Vale do Ribeira existem 20 comunidades quilombolas, mas apenas nove optaram por participar da página. Antes de o ISA começar o projeto na região, em dezembro de 2005, eles não conheciam computador. O coordenador do projeto, José Strabert, disse que a idéia é maior do que o site, trata-se de inclusão social.

Mesmo sem conhecer a internet, as comunidades escolheram os assuntos a serem divulgados, ajudaram a escrever os textos e escolherem o visual da página.

O trabalho do ISA com as comunidades do Vale do Ribeira acaba em maio deste ano. Até lá Strabert espera que os quilombolas já sejam capazes de atualizar e manter o site sem ajuda. O problema é que das nove comunidades envolvidas apenas duas já têm computador.

Os quilombos surgiram há mais de 300 anos, como focos de luta dos escravos pela liberdade. Hoje, a luta dessas comunidades é pela terra. Dos 20 grupos do Vale apenas uma já tem a posse da terra, quatro brigam na Justiça com particulares e 25 são reconhecidas como quilombo, mas não têm terra.

*Com informações da Agência Brasil

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