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Entrevista: Gates fala de aposentadoria e grandes lançamentos

Em exclusiva após abertura da CES 2007, Bill Gates falou com exclusividade sobre convergência, serviços web e aposentadoria

Por Marc Ferranti, para o IDG Now!*

08/01/2007 às 17h53

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Em exclusiva após abertura da CES 2007, Bill Gates falou com exclusividade sobre convergência, serviços web e aposentadoria

A Microsoft está em um ponto crucial em seus esforços de expansão na área de consumo. O presidente da companhia e chief software architect Bill Gates usou seu discurso durante o International Consumer Electronics Show (CES) para apresentar o Windows Home Server e revelar um acordo com provedores como a AT&T para utilizar o Xbox 360 como alternativa ao set-top box convencional. Os anúncios ocorrem pouco tempo depois do lançamento do MP3 player Zune e no mesmo mês que a companhia planeja introduzir no mercado a versão para consumo do Windows Vista.

Poucas horas antes do seu discurso, Gates reservou um tempo para falar sobre a evolução do que a empresa chama de entretenimento conectado. Ele também falou sobre o futuro da distribuição de produtos pela web, qual será a atuação da Microsoft em hardware, e - como Gates entra nos seus 18 meses finais no dia a dia da companhia - as lições que aprendeu como visionário da tecnologia. Confira trechos da entrevista ao IDG News Service:

Em uma era em que mais e mais pessoas baixam softwares pela web, você acha que o Vista e a última versão do Office serão os últimos grandes lançamentos tradicionais?  Você vê, no futuro, as grandes atualizações como séries de atualizações por download?

Gates: Bem, você pode baixar o Windows Vista e o Office como uma atualização. Essas são coisas que oferecemos. Uma série das principais funções está disponível em uma base continua porque você está conectado.

Mesmo assim, teremos, mais ou menos a cada três meses, grandes atualizações do Office e do Windows. Porque quando você quer mudar ++++ a agenda, adicionar visão, adicionar fala, fazer com que o programa reconheça todos os dispositivos como telas conforme você passa ou conecte-se ao seu Palm - para testar a compatibilidade e fazer com que os desenvolvedores se entusiasmem, vamos manter o paradigma dos grandes lançamentos. (Mas) muitas das camadas podem ser oferecidas de forma mais ágil. Estamos vendo muito disso agora. Com o investimento que fizemos no Vista, seremos bem mais ágeis na atualização dos elementos das camadas mais acima.

Por muitos anos executivos da Microsoft, incluindo você, pareciam querer evitar o negócio de hardware. Com os anos, isso vem mudando. Vocês têm o Zune e o Xbox - você prevê uma época em que vocês entrem em outras áreas em termos de design e construção de produtos, mesmo que por meio de fabricantes terceirizados, tanto em software quanto em hardware?

Gates: Bem, a área de design sempre teve colaboração entre nós e os fabricantes de PCs - vejo isso no dispositivo de touch screen da HP que eles fizeram com o nosso time de Vista ou o novo Sony Media Center e no novo portátil realmente quente da Toshiba que não requer conexão com a base. Fazemos protótipos, você pode ver pela relação próxima que temos com os fabricantes de telefones.

Não vejo outras formas que exijam que façamos hardware. Posso ser surpreendido. Vimos algumas categorias com dinâmicas econômicas especiais - os console de games subsidiados e a posição de vantagem da Apple em tocadores digitais, e viemos para dizer que podemos fazer algo ainda melhor.

Vocês não querem entrar no mercado de telefones, por exemplo?

Gates: Não, não, não - adoramos a variedade e a inovação que nossos parceiros trazem na área de telefones. Veja as diferentes formas em ++++que serão oferecidos mapas, carteira digital e mídia, com diferentes telas. É ótimo que o Windows Mobile vá estar em centenas deles de fábrica - nenhuma companhia provê isso.

Mudar para uma nova interface de usuário no Office é meio arriscado. Quais são os novos riscos que te mantém acordado à noite ultimamente?

Gates: A diversão desse negócio é que ele está sempre mudando, portanto você tem que fazer apostas. Fizemos a aposta em IPTV há muito tempo e só agora está começando a se pagar. Fizemos a aposta no Xbox e as pessoas estão apenas começando a ver que estamos em uma posição importante. A aposta no Tablet, você sabe, as pessoas ainda não enxergam. Media Center - alguns sim, outros não. Algumas das coisas avançadas que ainda estão em pesquisa - visão, voz - acredito que vão se tornar tendência. Apostamos muito nisso e esses recursos serão parte da experiência de interação com o PC.

Novas formas de programar para computação paralela: isso é muito importante para nós agora que os chips têm uma série de núcleos, e a Microsoft tem as peças corretas - o sistema operacional correto, as aplicações corretas, as ferramentas corretas de desenvolvimento para mostrar às pessoas como escrever a próxima geração de aplicações.

Você mencionou o Tablet PC. Ele parece ser o seu queridinho ao longo dos anos…

Gates: Certamente.

Com a sua transição para uma participação menos intensa no dia a dia da Microsoft, há algum aspecto dos negócios que você vai continuar olhando de perto, projetos em que você esteja particularmente interessado?

Gates: Em meados de 2008, quando eu deixar de ficar em tempo integral, a visão geral técnica estratégica será assumida por Ray Ozzie++++ e Craig Mundie. Os dois junto com Steve Ballmer vão decidir que projetos vão selecionar para o meu tempo disponível. Há uma grande chance que eles escolham coisas em que eu sempre acreditei e pelas quais demonstrei entusiasmo e paixão e que mesmo daqui a 18 meses podem não estar completas - Tablet é um candidato a essa lista.

Ao mergulhar cada vez mais na filantropia, olhando para o seu legado em tecnologia e as lições que você aprendeu como líder em negócios, que grande lição você levará para o seu trabalho na filantropia?

Gates: Bem, o entusiasmo que tinha quando a Microsoft começou - que se você pega uma porção de pessoas inteligentes, dá a elas uma missão clara, um pouco de recursos, elas podem fazer coisas surpreendentes. Acho que essa é uma das coisas mais poderosas que levo para desafios como criar vacinas para AIDS ou malária. Como encontramos essas ótimas pessoas, que vêm de diferentes locais, como as apoiamos, como trabalhamos com os riscos existentes, como fazer desse um processo amplo e ético? Algumas pessoas, quando vêem problemas difíceis, pensam, uau, eles têm solução?

Minha chegada com otimismo e recursos, espero, vai levar esses projetos para frente. Certamente essa foi uma fórmula mágica para a Microsoft. Espero que funcione também para outras áreas.

*Marc Ferranti é editor do IDG News Service, em Nova York.

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