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Procura feminina por cursos de computação cai no Brasil

Há 20 anos, mulheres chegaram a ocupar quase metade das vagas nos cursos de gradução em computação. Hoje, são apenas 25%

Por Redação do IDG Now!*

10/01/2007 às 10h57

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Há 20 anos, mulheres chegaram a ocupar quase metade das vagas nos cursos de gradução em computação. Hoje, são apenas 25%

O Brasil tem cerca de 89 milhões de mulheres, o equivalente a 51,2% da população. Elas têm em média maior grau de escolaridade do que os homens e marcam presença, de forma crescente, em praticamente todas as áreas profissionais. Mas uma exceção salta aos olhos: o interesse feminino no setor de computação está caindo dramaticamente.

A longo prazo, o problema poderá acarretar graves impactos sobre a economia, a pesquisa e a ciência, segundo Claudia Bauzer Medeiros, presidente da Sociedade Brasileira de Computação (SBC). “Estamos muito preocupados com isso. Mas o fenômeno não ocorre apenas no Brasil, ele é mundial. Nos Estados Unidos, por exemplo, a área de computação também é a única em que a presença feminina tem caído”, disse Claudia à Agência FAPESP.

Como presidente da SBC, a professora do Instituto de Computação (IC) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) se empenha em divulgar o problema. “Procuro expor a situação em todos os congressos, entrevistas e fóruns de que participo, de modo que o problema seja reconhecido e que possamos atrair mais mulheres para a computação”, disse.

O esforço foi reconhecido internacionalmente: Claudia ganhou, há três meses, um prêmio oferecido nos Estados Unidos pelo Instituto Anita Borg e pela Sociedade Norte-Americana de Computação às três mulheres que mais se destacaram em 2006 pela contribuição ao desenvolvimento da pesquisa em computação e pela atuação política em favor da inserção da mulher na área.

“A premiação foi muito importante. O assunto é considerado estratégico nos Estados Unidos porque, à medida em que as mulheres perdem o interesse pela computação, os filhos podem também tender a não se interessar”, disse a pesquisadora, que também compõe a coordenação da área de computação da FAPESP.

Segundo Claudia, há 20 anos as mulheres chegaram a ocupar quase metade das vagas nos cursos de graduação em computação. Desde 1992, o número de candidatas tem caído. Como conseqüência, a presença feminina na pós-graduação começou a diminuir. “Na pós-graduação, no entanto, a situação é menos dramática por atrair também pesquisadoras formadas em outras áreas”, disse.

Motivos para o desinteresse

Segundo levantamento realizado pela SBC, na pós-graduação em Ciência da Computação, atualmente cerca de 25% dos estudantes são mulheres. O número de professoras varia entre 25% e 30%. Na graduação, dados do Ministério da Cultura (MEC) mostram que a participação feminina baixou de 30%, há 15 anos, para 5% a 10%. Segundo o MEC, o número de mulheres que concluiu a graduação em Ciência e Engenharia da Computação em 2004 foi de 3.049 de um total de 13.606 estudantes.

“Os números da pós-graduação ainda são muito bons, inclusive em comparação com a situação nos Estados Unidos e na Europa, mas é uma questão de tempo até a queda da graduação se refletir na pós-graduação e no mercado de trabalho”, afirmou Claudia.

De acordo com a cientista, há duas hipóteses para o desinteresse feminino – uma de origem econômica, outra de origem social. “O aspecto econômico é que houve um aumento da competição na área. Antes, as mulheres ocupavam os cargos porque não havia tanto interesse. À medida que o setor evoluiu e começou a oferecer salários melhores, os homens pressionaram o mercado de trabalho e a competição foi acirrada”, explicou.

A hipótese social considera o fato de que a computação é vista como uma profissão na qual se passa o dia todo diante do computador. A mulher, em geral, teria maiores preferência e habilidade por atividades que incluam contatos sociais e humanos.

“Sabemos que isso é uma mistificação, pois a computação exige cada vez mais interação social e tem importância crescente em todas as áreas. É paradoxal que as multinacionais venham cada vez buscando mais mulheres para ocupar cargos de diretoria – o mundo corporativo compreende que as características femininas complementam as dos quadros masculinos, resultando em melhores negócios”, defende.

No Brasil, segundo Claudia, muitas grandes empresas têm mulheres em altos cargos executivos, mas já há consciência de que se trata do fim de uma era. “Verificamos que todas essas profissionais se queixam de que sua geração está deixando a cena. Para evitar esse cenário, é preciso, acima de tudo, estimular a presença da mulher nos cursos de graduação”, disse.

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