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Presidente da China quer melhor regulação da internet no país

Hu Jintao quer promover uma "cultura online saudável" no segundo maior mercado de internet do mundo, refinando a censura no país

Por Steven Schwankert, para o IDG Now!*

25/01/2007 às 16h32

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Hu Jintao quer promover uma "cultura online saudável" no segundo maior mercado de internet do mundo, refinando a censura no país

O presidente da China, Hu Jintao, pediu a companheiros de liderança chineses que criem uma “cultura online saudável” através de uma regulação melhor, segundo divulgado pela mídia estatal na quarta-feira (24/01).

Em conversa com um grupo de estudos da internet do Partido Comunista da China, Hu disse “nós devíamos espalhar mais informação que seja de bom gosto e promover produtos online que representem a grande cultura chinesa”, segundo noticiado na versão em inglês do site do People’s Daily, o jornal oficial do partido.

Os comentários do presidente foram feitos um dia após o China Internet Network Information Centre (CNNIC) divulgar seu relatório anual dos usuários de internet do país, estimando que o número atual de internautas - conceito que define uma pessoa com mais de seis anos de idade que gasta, em média, pelo menos uma hora por semana na web - seja de 137 milhões de chineses, quase 10% da população do país.

Desde 1996, a China bloqueia o acesso a sites estrangeiros considerados política ou socialmente inaceitáveis, como os que promovem a independência do Tibete, de Taiwan ou de Xinjiang ou a seita proibida Falun Gong; sites de notícias como o da BBC em inglês e em chinês; e sites de informação incluindo as versões em inglês e chinês da Wikipedia - embora a versão em inglês tenha ficado disponível por cerca de um mês no ano passado.

A China também processou ativistas políticos que publicaram informações pró-democracia e contra o governo na rede. A abordagem do país em relação à web já causou confusão com empresas estrangeiras em controvérsias por conta da censura e das restrições à liberdade de expressão online.

Na última semana, as empresas Microsoft, Google, Yahoo e Vodafone concordaram em criar um código de conduta em cooperação com ONGs (organizações não-governamentais) para promover a liberdade de expressão e o direito à privacidade na rede.

A lista das ONGs inclui o Berkman Center for Internet & Society, da escola de Direito da Universidade de Harvard; Business for Social Responsibility; Electronic Frontier Foundation; Direitos Humanos na China; e Repórteres Sem Fronteiras.

Embora o código seja uma iniciativa de visão global, o envolvimento de ONGs específicas sobre a China e a maneira como o Google e o Yahoo são criticados por seus comportamentos na China ressaltam a importância do segundo maior mercado de internet do mundo.

O Google foi criticado por criar uma versão local e censurada de sua ferramenta de buscas. Sergey Brin, co-fundador da empresa, expressou publicamente suas dúvidas a respeito em junho do ano passado, acreditando que a empresa tenha lidado da melhor forma possível com o assunto. Uma subsidiária do Yahoo foi citada por um grupo de direitos humanos por colaborar com a polícia chinesa na identificação de ativistas políticos, que foram presos e processados por publicar opiniões e informações contra o governo.

Os problemas online da China não vêm apenas de fontes estrangeiras. Em 2005, o governo iniciou uma campanha para reprimir a pornografia produzida lá mesmo, emitindo sentenças de cinco anos de prisão a prisão perpétua para distribuidores de conteúdos pornográficos online. As autoridades chinesas também comparecem a cibercafés de tempos em tempos, especialmente em Pequim, vendo os estabelecimentos como ambientes “não saudáveis” e proibindo a entrada de menores de idade.

*Steven Schwankert é editor do IDG News Service, em Pequim.

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