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Tire todas as suas dúvidas sobre o Second Life

Solucione suas dúvidas com relação à rede virtual que já é sucesso no mundo todo

Por Angela Gunn, para o IDG Now!*

16/02/2007 às 15h42

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Solucione suas dúvidas com relação à rede virtual que já é sucesso no mundo todo

O que é o Second Life?

O Second Life é um ambiente virtual em que avatares - representações visuais de usuários ou “habitantes” - podem interagir. Se você conhece “The Sims”, é algo superficialmente parecido, ou seja, mais um ponto de encontro para socialização que um jogo com objetivos. No entanto, o Second Life é radicalmente diferente em um aspecto importante: o mundo inteiro - atrações, objetos, eventos - é criado pelos habitantes e pertence a eles.

Já ouvi algo a respeito, envolvendo o nome Linden. O que é Linden?

Você pode ter visto o Second Life sendo chamado de SL ou talvez de Linden. A companhia que desenvolve e hospeda o SL é a Linden Lab - Deus, a natureza e o governo do Second Life, como a chamam os residentes (alguns com medo, como falaremos em breve).

E eu com isso?

O Second Life pode importar se você considerar que, onde há relação de posse, há comércio.

Por que alguém deveria gastar tempo com o Second Life?

Por que as pessoas têm hobbies? O World of Warcraft foi comparado ao golfe, como um evento de relacionamento corporativo, e muitos internautas participam por anos de listas de discussão e chats. Nesse contexto, o Second Life é um tipo de diversão (já que avatares, pertences e imóveis podem ser atualizados, enfeitados e personalizados eternamente), bem como um ponto de encontro para eventos culturais como conversas e concertos.

E não subestime a possibilidade de as pessoas por se reunirem. Como mencionamos, o SL é parecido com o Sims, não há jogo nem objetivo. E os títulos da série Sims são, sem dúvida, alguns dos mais populares de todos os tempos.

Alerta irônico: o SL foi lançado em 2003, pouco depois do lançamento do The Sims Online - uma versão MMORPG (sigla em inglês para algo como RPG on-line para número massivo de jogadores) do game. A maior parte dos observadores sentiu que o SL estaria em desvantagem para competir com o Sims Online, já que este último tinha uma taxa muito maior de reconhecimento do nome. O que aconteceu, então? Três coisas: barreira para entrar (apesar de haver uma versão gratuita de teste, a assinatura mensal custa 10 dólares), jogos ilimitados e (novamente) posse de criações virtuais.

Então Linden Dollars são a moeda deste mundo de faz-de-conta?

Certamente são a moeda do Second Life, mas os Linden Dollars (L$) também podem ser comprados e vendidos - por moedas do mundo real - em diversas operações de câmbio online. Em outras palavras, você pode não apenas gastar dólares de verdade para comprar Linden Dollars (no caso de ter algo que você queira comprar para usar dentro do SL) como também pode converter o que você ganhar dentro do game em dólares de verdade.

A taxa de câmbio gira em torno de L$ 300 para 1 dólar. No fim da primeira semana de janeiro, o mercado de câmbio da Linden (o Lindex) fechou em 269,8. As taxas são moderadas e ajustadas pela Linden Labs, apesar de os termos de serviço do SL estipularem que a meoda não pode ser resgatável para valor pelo próprio Linden Lab.

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Então é só conversar, andar e consumir?

Não. O SL já sediou uma série de eventos culturais (concertos, conversas, debates). Há inúmeras áreas de jogos. Um professor de economia de uma universidade de Indiana recebeu 240 mil dólares da Fundação MacArthur por desenvolver e estudar uma área temática ligada a Shakespeare. A agência de notícias Reuters abriu um escritório no SL para desenvolvimento de negócios técnicos, culturais e de documentação.

Dois milhões de pessoas fazem isso?!

É o que diz a Linden Labs, apesar de os jornalistas, como Clay Shirky, colocarem um olhar cada vez mais desconfiado sobre esse número. De acordo com dados da própria Linden, o número de avatares inscritos habilitados para entrar no sistema era de 2,5 milhões de pessoas em 11 de janeiro. Mais de um terço, ou 893 mil, se conectaram nos últimos 60 dias.

Os participantes do SL precisam ter, aliás, 18 anos ou mais. Há uma versão, Teen Second Life, exclusiva para internautas com idade entre 13 e 17 anos.

Sério que tem dinheiro nesse negócio?

Um volume surpreendente. Apesar disso, é possível participar do SL gratuitamente sem gastar um centavo com nenhum bem no game. A Linden Labs publica, toda semana, estatísticas econômicas em seu site. Ao analisar esses número, o escritor e analista Tristan Louis sugere que os residentes que se logaram nesse período de 60 dias, entre 35% e 40% do total, gastaram entre 50 e 60 dólares por semana - dólares americanos de verdade - no Second Life. Louis estima que o gasto por dia no SL deve ficar acima dos 115 dólares, número que está crescendo.

Quem está ganhando esse dinheiro?

A Linden oferece contas premium, que fornece um terreno e um pequeno salário em Linden Dollars e aluga terrenos para construções. Ser proprietário de um pedaço de terreno (seja em terra firme ou no mar, onde ficam algumas das mais impressionantes obras do SL) quer dizer que o residente tem um espaço para guardar suas coisas e também para reunir amigos, deixar recados e assim por diante. Existem taxas para baixar itens ou materiais e também para classificados.

O comércio sofisticado, porém, é baseado em vendas de bens, serviços, jogos, etc. Muitos usuários usam o dinheiro para vestir seu avatar com roupas mais legais, comprar objetos incomuns ou construir seus próprios imóveis. Comerciantes podem até montar suas próprias lojas ou alugar um espaço no shopping para vender seus produtos.

O Second Life já tem até sua primeira usuária milionária de verdade. Acredita-se que Ailin Graef (conhecida dentro do mundo virtual por Anshe Chung) acumulou o equivalente a 1 milhão de dólares no site. Tanto ela como sua avatar são construtoras de imóveis.

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Existem problemas, especialmente de segurança?

O crescimento rápido - a Linden diz que o avanço de novas assinaturas ao redor do mundo é de 38% por mês - levou à instabilidade do servidor (a festa de lançamento da revista In The Grid, que circulará dentro do SL e falará sobre ele, marcada para o mês passado teve de ser adiada por conta de problemas com o servidor) e chama a atenção dos criminosos virtuais. As noites e fins de semana são dias de maior movimentação, e os usuários com máquinas mais lentas podem não se divertir com a experiência.

Em novembro, hackers desenvolveram um programa que coloca argolas douradas girando no ambiente do SL, uma armadilha que deixava os servidores lentos e impedia que os residentes se conectassem. O problema foi resolvido em um dia, mas ficou a desconfiança sobre a segurança do ambiente.

Para poder usar o SL, o cliente precisa ter seu próprio software, que exige que certas portas (443/TCP, 12035/UDP, 12036/UDP and 13000-13050/UDP) sejam abertas no firewall.

De maneira mais abrangente, o Second Life está caminhando sobre um novo terreno da propriedade intelectual, que levantou problemas de posse, direitos autorais e até direitos de personalidade. O advogado Mark Bragg está processando a Linden Labs há cerca de dois anos por conta de um negócio imobiliário questionável. O recém-lançado Código do Lawrence Lessig usa o Second Life para ilustrar diversos problemas envolvendo IP (Internet Protocol).

Um incidente recente ocorrido em um evento realizado no SL por Ailin Graef/Anshe Chung levou seus representantes legais do mundo real a moverem ações de violação de direitos autorais contra jornalistas que cobriram os ataques. E um hack chamado CopyBot atacou o coração da economia do sistema, permitindo que usuários duplicassem objetos sem pagar nada a quem os tivesse criado.

Alguns residentes se irritam com o controle da Linden Labs sobre o Second Life. Mudanças significativas no ambiente são freqüentemente impostas unilateralmente e alguns donos de negócios se planejam baseados em condições que mudam sem aviso prévio e sem indenização (esta que vos escreve não tem conhecimento de nenhum tipo de seguro que cubra, digamos, reformas terrestres no SL). Além disso, o SL exige um software próprio e os updates são obrigatórios, apesar de grátis.

Enquanto isso, posse leva a comércio, que leva a carga tributária - talvez. Um comitê congressional está examinando os assuntos relacionados à taxação de economias virtuais.

Assim como ocorre na internet como um todo, questões envolvendo jurisdição, identidade e a habilidade de detector e investigar habilidades ilegais no programa devem surgir à medida que o programa amadurece.

Onde eu posso encontrar mais informações?

A Linden Labs oferece uma longa lista de perguntas freqüentes a residentes potenciais, e, obviamente, você pode se cadastrar e descobrir por si só, apesar de muitos dos novos residentes passarem mais tempo tentando navegar e interagir que explorando o lugar. No fim, parece que voar não é tão divertido quando você controla essa habilidade.

Além disso, a Sybex Publishing acaba de lançar o livro Second Life: o Guia Oficial, que oferece informações sobre a economia do SL e a linguagem de criptografia usada para criar objetos lá, além de guia básico de eventos e cultura de lá e dicas de habilidades de navegação.

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