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Entrevista: Sony deveria ter esclarecidos clientes sobre rootkits

Em entrevista, Deborah Majoras detalha ação contra Sony por rootkits e afirma que princípios online são mesmos do mundo real

Por Robert McMillan, para o IDG Now!*

22/02/2007 às 10h10

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Em entrevista, Deborah Majoras detalha ação contra Sony por rootkits e afirma que princípios online são mesmos do mundo real

Pelos últimos anos, crimes e problemas relacionados a computadores aumentaram tanto a ponto de se tornarem parte importante da Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC, da sigla em inglês).

No ano passado, a organização anunciou acordos com spammers, distribuidores de spywares e até mesmo com a gravadora Sony BMG Entertainment, em razão da sua distribuição de rootkits em CDs musicais.

A presidente da FTC Deborah Platt Majoras conversou com o IDG News Service sobre o trabalho que sua organização está fazendo para manter spammers e crackers longes de PCs.

A executiva falou sobre o acordo da Sony, o papel que anunciantes online têm na praga de adware e spyware e se burlar restrições em acordos de licenciamento realmente são válidas ou não. Confira a entrevista.

Mesmo que ainda exista esta percepção de que grande parte da atividade criminal acontece fora dos Estados Unidos, muito do dinheiro feito no setor na verdade chega aos bolsos de fabricantes de spywares, empresas de hospedagem e anunciantes norte-americanos.  O que a FTC pode fazer para ir atrás deste dinheiro?

Este é um ponto muito interessante. Falei recentemente com um conselho corporativo que as corporações dos EUA precisa se dedicar mais em descobrir aonde é que os dólares de anúncios ilegais estão indo.

Achamos que o que está acontecendo é que parte desta verba está indo para empresas de hospedagem que oferecem os softwares sem o consentimento ou conhecimento do consumidor. E estas companhias podem nem saber sobre estes processos no final do dia.

Se eu fosse uma empresa, não pensaria que bombardear meu cliente com anúncios em janelas pop-up fosse uma maneira tão boa para vender meu produto.

A FTC chegou a um acordo sobre a ação movida contra a Sony após a gravadora vender CDs com uma tecnologia de proteção anticópia que tinha rootkits. Este foi um caso do direito de propriedade dos clientes indo contra a tentativa da indústria de entretenimento de assegurar seus direitos intelectuais.  Você prevê mais conflitos deste tipo no futuro?

Sim, poderemos ver algumas colisões adicionais, mas, da nossa perspectiva, companhias devem pensar sobre princípios legais que desenvolvemos na indústria economia industrial e continuar a aplicá-las à nova economia.

Os princípios que aplicamos no caso da Sony não são novos e diferentes. Não é que estamos impedindo a gravadora de proteger seus direitos autorais, algo que eles devem fazer, mas é o fato que eles não contaram aos consumidores o que faziam.

Sentimos que como um cliente quer saber como pode usar a mídia, onde a música pode ser tocada e se os seus hábitos estão sendo monitorados ou não antes de fazer a compra. Da nossa perspectiva, esclarecer clientes é o primeiro princípio.

Ao comparar com princípios que estávamos aplicando com empresas que oferecem spywares, o primeiro princípio ali é que o computador pertence ao usuário, não ao distribuidor do software. Você tem que pensar desta forma.

Existe algo na maneira como acordos legais estão evoluindo que ofende o senso comum. Não acho que as pessoas leiam a maioria dos acordos de licenciamento, e não dá para culpá-las. Se você simplesmente quer baixar um plug-in ou tocar um CD, é razoável esperar que alguém leia um documento de três páginas com o acordo legal?

Esta é uma questão difícil e importante que você está levantando. Uma das coisas que sempre esteve no meio da discussão, no entanto, é que ignorar os contratos nunca funcionou e nunca foi adequado. Então se você está ignorando uma informação importante que fará diferença para o consumidor, existe uma questão sobre se o documento é transparente ou não.

Também nos preocupamos com partes da legislação contra spyware proposta pela Justiça dos Estados Unidos. Assim que for lançada, pessoas traçarão a seus conhecidos o que deverá acontecer com a aprovação, o que é bastante bom. Tivemos um caso recente em que, enterrado no documento, estava um termo que autorizava a empresa a dominar o computador do usuário.

Foi aí que chegamos à conclusão que aquele tipo de brecha não era nada bom para o consumidor. Este é o tipo de exigência dentro do documento que precisaria estar na cara do usuário para que não pudesse passar sem ser notada.

*Robert McMillan é editor do IDG News Service, em São Francisco

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