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Toshiba demonstra transmissão segura de chaves criptográficas via rede

Empresa alega ter descoberto uma forma de levar o processo, atualmente feito por mídias físicas, para a rede, de forma segura

Por Martyn Williams, para o IDG Now!*

23/02/2007 às 15h22

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Empresa alega ter descoberto uma forma de levar o processo, atualmente feito por mídias físicas, para a rede, de forma segura

Pesquisadores da Toshiba desenvolveram um método que, segundo eles, torna possível a distribuição absolutamente segura de chaves de criptografia pela rede - desafiando as leis da física.

O sistema, apresentado na feira  NanoTech 2007, em Tóquio, é baseado em uma chave quantum de distribuição, objeto de pesquisa há algum tempo. Atualmente, as chaves de criptografia precisam ser enviadas offline, tipicamente em mídias físicas protegidas, para garantir a sua integridade.

No novo sistema, cada bit é encapsulado em um único fóton de luz. O status quantum do fóton é mudado quando ele é lido, portanto se um invasor acessar o código no meio do processo o receptor notará imediatamente, podendo descartar a chave quebrada.

Em tese, esse processo tornaria segura a distribuição de chaves criptográficas pela rede. Mas na prática é muito difícil controlar o laser para fazer com que ele gere um único fóton de luz para cada pulso de dado.

A energia pode ser reduzida para que um único fóton seja emitido por vez, mas ocasionalmente dois ou mais fótons são produzidos. Isso abre a possibilidade de um invasor ler o segundo fóton enquanto o primeiro segue seu caminho e o ataque não poderia ser detectado.

Os cientistas da Toshiba dizem que isso pode ser evitado por meio da transmissão de fótons isca. Neste tipo de fóton, o laser é reduzido a um nível ainda menor para que menos duplicações sejam geradas. Se um criminoso interceptar a chave, o receptor vai receber menos fótons e detectará a interceptação, segundo a Toshiba.

O sistema demonstrado na NanoTech 2007 envolveu a criptografia de um link de vídeo.Imagens de uma câmera foram inseridas do dispositivo de criptografia via Ethernet.

O dispositivo estava conectado a um decodificador via dois cabos de fibra ótica de 25 quilômetros cada. Um link foi usado para transmitir a chave e o outro para transmitir os dados criptografado.

O novo sistema também permite aumentar a taxa de transmissão da chave para 5,5 Kbps. A essa taxa, muitas chaves podem ser transmitidas por segundo, ajudando a proteger os dados de interceptações.

“Estamos olhando para uma forma de comercializar a tecnologia em breve”, disse Andrew Shields, líder do grupo de informação quantum da Toshiba Research Europe.

Um dos problemas da tecnologia é que ela ainda requer conexão fim-a-fim por meio de um único cabo de fibra ótica. Roteadores e switches não podem ser usados porque isso significaria interromper o fóton de alguma forma, aparentando uma invasão.

Atualmente, a maioria dos sistemas de distribuição de chaves quantum trabalha com distâncias médias de 100 quilômetros. A tecnologia poderia funcionar em redes de maior distância, mas necessitaria de switches ou roteadores em pontos seguros, segundo Shields.

*Martyn Williams é editor do IDG News Service, em Tóquio.

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