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Realidade virtual: saiba como é possível ter todo o mundo em um Mac

Com virtualização, Apple pode dar suporte ao OS X virtual, sem abrir a porta do seu sistema para um hardware que não fabrica

Por Richard Hoffman, para o Computerworld*

23/02/2007 às 10h44

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Com virtualização, Apple pode dar suporte ao OS X virtual, sem abrir a porta do seu sistema para um hardware que não fabrica

Houve um tempo em que os Macs viviam em seus próprios mundos e os PCs nos seus. A linha que dividia os dois era clara: existiam algumas plataformas de software não compatíveis e, em geral, falavam línguas bastante diferentes. Você podia executar alguns software para Windows em um Mac, mas somente com a ajuda de um complexo programa de adaptação.

Este software carregava a temível pergunta sobre a criação de um computador completamente virtual, desde a CPU até a tradução de todas as operações e instruções entre um Mac real e um PC virtual.

Todos os PCs imitadores, entretanto, virtuais pelo fato de que eles têm que fazer tanto trabalho de baixo nível para imitar uma arquitetura totalmente diferente de CPU, eram muito mais lentos se comparados a um computador real.

Mas quando a Apple converteu sua linha de produtos do PowerPC CPUs para os chips Intel usados em PCs com Windows, o mundo mudou. Agora que você não precisa de uma camada complexa de software para emular e traduzir cada nível de instrução de um tipo de CPU para a outra e você pode ter um Mac que roda o Windows em velocidade quase original – ao menos em teoria.

Pouco tempo depois do primeiro Mac baseado em Intel chegar às lojas, os desenvolvedores provaram que o Windows em Macs era mais do que teoria – funcionava e era rápido. Era uma pequena obrigação diária para montar e ativar – certamente além das capacidades de seus usuários médios – e também não tinha a prestação de suporte pela Apple. Em outras palavras, era um experimento interessante, mas não pronto para o primeiro momento.

A chegada do Boot Camp

Quase imediatamente, no entanto, o mundo virou novamente de cabeça para baixo. A Apple divulgou a versão beta de uma ferramenta que viabiliza o dual-boot, chamada de Boot Camp. Com poucas perturbações ou problemas, o Boot Camp permitiu a qualquer um carregar e rodar o Windows em um Mac Intel. A próxima versão do sistema operacional da Apple, o Leopard (Mac OS 10.5) vai incluir a habilidade para rodar Windows embutido.

O Mac que roda o Windows via virtualização veio para ficar. O Boot Camp roda os sistemas operacionais Windows (XP e Vista) e as aplicações baseadas em Windows, além de fazê-las de forma mais rápida e com excelente compatibilidade. Na verdade, os testes prévios do Mac rodando o Windows mostraram que Macs executam as aplicações Windows ainda mais rápido do que fazem muitos PCs só com Windows. Esta é uma grande mudança desde os antigos tempos da emulação.

A única grande falha do Boot Camp é que você pode rodar ou o Mac OS ou o Windows, mas não ambos ao mesmo tempo. Se você precisar trocar de um para o outro, será necessário reiniciar completamente o equipamento. Estaria tudo bem se você tivesse somente um ou dois sistemas críticos em Windows – conforme a Apple pretendia. Também não existiriam transtornos a mais se você quisesse ++++ incrementar sua experiência em Mac com alguns games somente para Windows nas suas horas livres.

Mas se você precisar misturar programas do Mac com outros de Windows em bases mais regulares, todos os inícios e reinícios – e o fechamento de todas as suas aplicações abertas nesse intervalo – terão que ser uma tarefa diária.

Virtualização é um mercado muito aquecido e por boas razões. Por um lado, permite aos usuários misturar e combinar computadores e sistemas operacionais, além de, entre outras coisas, criar a flexibilidade para facilmente suportar aplicações mais antigas. As máquinas virtuais que são criadas também têm suas próprias vantagens. Máquinas virtuais dividem hardware, mas operam de forma separada, com sistemas isolados – cada qual com sua própria configuração e cada em seu próprio “sandbox” – e, dessa forma, trazem benefícios de segurança.

Máquinas virtuais podem proporcionar backups rápidos, reinstalações ágeis de versões simples de sistemas operacionais e software de aplicação. Também são capazes de retroceder um sistema em qualquer ponto, principalmente em casos de infecções por vírus, ou em situações de incompatibilidade de software. Equipamentos virtuais permitem operações simultâneas de diferentes sistemas operacionais ou múltiplas versões do mesmo sistema operacional, como o Windows 2000, XP e o Vista. Eles podem até mesmo rodar múltiplas cópias do mesmo sistema operacional.

Esta última característica pode ser enormemente benéfica para grandes organizações, desde que isso essencialmente crie mais computadores sem exigir da TI compras adicionais de hardware – ou o pagamento para manutenção também. Também é mais barato reclamar de um servidor existente e do que comprar um novo servidor inteiro novo – apesar de que as economias dependem da quantidade de máquinas virtuais que você criar.

Nas gamas mais baixas, a virtualização pode parecer um tipo de competição por servidores blade e caixas 1U mais baratas. Em outras palavras, clientes podem comprar menos, mas maiores servidores e usar a virtualização para particioná-los, ao invés de comprar mais blades menores ou servidores mais baratos para executar a mesma coisa.

Equipamentos virtuais podem ser considerados mais fáceis de gerenciar, abastecer, particionar, criar, modificar ou eliminar do que as máquinas físicas equivalentes. A facilidade de testar aplicações não confiáveis e experimentar performances (mudando a configuração do sistema para impulsionar a velocidade a tipos específicos de usuários) e ter a flexibilidade para fazer mais coisas com o hardware, faz da virtualização uma chave para o futuro.

Uma das principais diferenças entre o mercado de virtualização no mundo dos Mac e dos PCs, até agora, é que os virtualizadores Mac deixam você rodar outros sistemas operacionais, primeiramente Windows em Macs, mas não permitem que você execute versões múltiplas do sistema operacional Mac OS nativo. Seu usuário médio pode não se importar, mas para usuários corporativos isso faz uma grande diferença.

A Apple é notoriamente protetora de seu sistema operacional, porque, ao invés de criar desenfreadamente bons software, a empresa é primeiramente uma companhia de hardware. A maior parte de seu lucro operacional vem da venda de computadores e outros equipamentos que desenvolve e monta. A companhia está com medo de que, com a mágica da virtualização, esteja bem próxima a fase de execução de múltiplas cópias do OS X para Mac também em qualquer PC. Até o momento, a Apple não está nem um pouco interessada em permitir isso.

Por enquanto, você pode rodar máquinas virtuais Windows em um Mac, mas mão máquinas virtuais Mac em um PC. Embora a Apple possa alegar direitos sobre a construção de computadores mais flexíveis e compatíveis com o planeta, a pressão estará em criar rapidamente equipamentos capazes de executar soluções de virtualização para suportar múltiplas cópias de OS X nos Macs.

*Richard Hoffman é repórter do Computerworld, em Framingham.

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