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Pesquisadores criam membrana para computadores supervelozes

Cientistas europeus usam mais fino material conhecido, com apenas um átomo de espessura, para criar uma nova tecnologia

Por Redação do IDG Now!*

02/03/2007 às 10h52

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Cientistas europeus usam mais fino material conhecido, com apenas um átomo de espessura, para criar uma nova tecnologia

Um grupo de cientistas europeus usou o mais fino material conhecido para criar uma nova tecnologia, com enorme potencial, que poderá ser usada para construir computadores supervelozes ou equipamentos capazes de registrar imagens de moléculas com precisão inédita.

Os cientistas criaram um tipo de membrana com espessura ridiculamente fina, de apenas um único átomo. O estudo foi descrito em artigo publicado na edição atual da revista Nature.

A novidade, digna da ficção científica, é resultado de estudo com o grafeno, uma nova forma de carbono descoberta em 2004 e que é considerada um dos tópicos mais quentes na física atual. Por características insólitas (como a reduzida espessura) e propriedades notáveis (como a condução de eletricidade), o grafeno tem sido cotado, entre outras coisas, como possível sucessor do silício na fabricação de chips de computador.

Mas, apesar de todo o barulho que causou desde que foi anunciado por Andre Geim, da Universidade de Manchester, havia dúvidas se o grafeno poderia existir em estado livre. Foi o que o grupo liderado por Geim e Jannik Meyer, do Instituto Max-Planck, na Alemanha, acaba de demonstrar.

Os pesquisadores empregaram uma combinação de técnicas de microfabricação, usadas na produção de microprocessadores, por exemplo. Primeiro, uma plataforma metálica foi colocada por sobre uma folha de grafeno, que, por sua vez, estava sobre um chip de silício.

O chip foi dissolvido em ácidos, deixando apenas o grafeno suspenso no ar ou no vácuo da plataforma. As membranas que resultaram do processo formaram o que os pesquisadores chamaram de material mais fino possível de se obter na atualidade. Além disso, elas mantiveram as propriedades do material.

De acordo com Geim, a razão para a estabilidade de materiais com espessura de um átomo – algo até então considerado impossível ou, pelo menos, improvável – é o fato de o grafeno não ser perfeito. O material parece absolutamente plano, mas é levemente irregular. E são justamente esses “defeitos” na superfície que ajudam a estabilizar o próprio material.

Entre as aplicações imaginadas por Geim e colegas para a membrana que criaram está a fabricação de dispositivos eletrônicos muito menores do que os atuais e a produção de suportes para microscopia eletrônica. Esses suportes seriam usados no estudo de moléculas isoladas, o que teria grande implicação para o desenvolvimento de medicamentos, ao permitir análises mais rápidas das estruturas atômicas de complexos bioativos.

“Trata-se de um tipo completamente novo de tecnologia. Mesmo o termo nanotecnologia não é o mais correto para descrever essas membranas”, disse Geim, em comunicado da Universidade de Manchester. “Temos motivos para crer que a tecnologia poderá ser transferida para outras áreas sem problemas. O maior desafio é conseguir produzir tais membranas a um custo muito menor e em grande escala.”

O artigo The structure of suspended graphene sheets, Jannik Meyer, Andre Geim e outros, pode ser lido por assinantes da Nature.

*Com informações da Agência Fapesp.

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