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Conheça nove formas de tornar sua empresa a melhor para trabalhar

Fundador do Great Place to Work Institute, Robert Levering, apresenta nova metodologia para ajudar empresas a transformar seu ambiente trabalho

Por COMPUTERWORLD

06/03/2007 às 17h04

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Fundador do Great Place to Work Institute, Robert Levering, apresenta nova metodologia para ajudar empresas a transformar seu ambiente trabalho

Jornalista por formação, o fundador do Great Place to Work Institute, Robert Levering, foi, por muitos anos, repórter na área de carreira. Sua experiência acabou por levá-lo a conhecer um mundo até então pouco noticiado – o das empresas onde trabalhar é um prazer – e a criar a pesquisa que indica, em todo o mundo, aquelas companhias que se destacam por sua excelência como empregadoras.

Em sua mais recente visita ao Brasil, Levering falou ao COMPUTERWORLD sobre seu novo livro, Giftwork Culture, que deve ser lançado no próximo ano e sobre os 9 passos para transformar uma organização em uma Melhor Empresa para Trabalhar. A seguir, os melhores momentos da entrevista:

COMPUTERWORLD – Como nasceu a idéia da pesquisa das Melhores Empresas para Trabalhar?
Robert Levering – Durante muitos anos eu trabalhei como repórter da área de carreira e empregos. No início da década de 80 uma editora me procurou com a idéia de um livro chamado “As 100 melhores empresas para trabalhar nos EUA”. Ela basicamente tinha o título do livro e convidou a mim e a Milton Moskowitz para escrevê-lo. Eu confesso que não acreditava que existiam tantas boas empresas para trabalhar nos Estados Unidos assim e jurava que seria mais fácil escrever sobre as 100 piores companhias.

CW – Bom, certamente seria mais fácil escrever esse livro.
Levering – É, eu também achava. Mas a editora me garantiu que a empresa não tinha advogados suficientes... (risos) Na verdade, a pesquisa mostrou que eu estava errado e, falando como um jornalista, o que aconteceu é que ninguém tinha feito a cobertura dessa história. Todo mundo queria só olhar o que havia de ruim nas empresas.
Enfim, o livro foi publicado em 1984 e em 1988 eu publiquei outro livro, chamado “Great Place to Work”, que basicamente mostrava o que aquelas empresas tinham de comum entre si. Foi nessa época que algumas pessoas comentaram que a idéia do livro daria uma boa pesquisa com funcionários, usando os conceitos expostos. E fazia todo o sentido, porque se você atentar, é sobre isso que uma pesquisa com funcionários tem como meta: descobrir um bom lugar para trabalhar.

CW – Mas pesquisas de satisfação são coisas corriqueiras...
Levering – Só que o conceito do Great Place to Work tem outro foco. Normalmente se olha para o que as empresas fazem para garantir um bom ambiente. E o nosso framework buscava conhecer quais eram as companhias onde os funcionários confiavam – e o que os fazia confiar na organização. É o que chamamos de Trust Index, que norteia todas as nossas ações.

Isso é importante porque você pode estar satisfeito com o seu trabalho e odiar a companhia para a qual trabalha. Em um lugar que é um Great Place to Work você não está feliz com o que faz apenas. Tudo o que o cerca, o relacionamento que as pessoas têm com o time gerencial, a existência de um alto grau de confiança são fundamentais.++++
CW – De 1988 para cá, o mundo mudou muito. E o mundo corporativo também. Há novas tecnologias chegando todos os dias, a competição é global, a pressão sobre os funcionários só cresce. Como acompanhar essa realidade e ainda assim se manter um bom lugar para trabalhar?
Levering – O que nós descobrimos depois que a pesquisa foi amadurecendo e nós criamos a metodologia do Great Place to Work Institute é que a base para o sucesso continua a mesma: confiança. Nós aplicamos, anualmente, o estudo em cerca de 3 mil empresas e ouvimos mais de 500 mil empregados. E fica muito claro que o foco principal é como as empresas criam um ambiente que estimule essa confiança. Não faz diferença se o empregado está em frente a um computador ou a uma máquina de escrever. O que o cerca e o que ele busca nisso é basicamente o mesmo.

Há, claro, mudanças que precisam ser feitas com o tempo. Por exemplo, nos últimos anos a presença feminina no mundo corporativo – e em posições gerenciais – vem crescendo. Isso levou a uma preocupação com um ambiente muito mais preocupado com questões familiares.

CW – Então quais são as dicas para quem quer se tornar uma melhor empresa para trabalhar?
Levering – Baseado nos dados, listamos os 9 passos para chegar lá – são as atitudes que as melhores companhias fazem realmente muito bem: Contratar, Inspirar, Falar, Escutar, Agradecer, Desenvolver, Preocupar-se, Celebrar e Compartilhar. Vamos analisar o processo de contratações. Toda e qualquer organização precisa contratar pessoas que tenham a capacidade para fazer o trabalho.

Mas as melhores empresas fazem isso tendo em mente uma lista de características específicas que estão procurando. E, claro, há um processo para garantir que a pessoa contratada se insira na cultura da organização. Na Microsoft, por exemplo, há um lema: “contrate sempre alguém mais esperto que você”. Esse é um tipo muito particular de funcionário.

CW – É a busca pela pessoa, não apenas pela capacidade.
Levering – Sim, mas o processo de contratação não para aí. Ainda no exemplo da Microsoft, uma vez selecionada a pessoa, há um ritual para que ela seja recebida na companhia. Em Redmond (sede da companhia), eles têm um programa de primeiro dia de trabalho, no qual um dos executivos seniores sempre está presente. E por executivo sênior entenda [Steve] Ballmer ou [Bill] Gates, ou alguém do mesmo nível, caso eles não estejam lá. Isso mostra quão importante é para eles a contratação de novos funcionários.

Cada um dessas áreas, desses 9 passos, devem ser realizados com esse tipo de preocupação. É assim que se cria um alto nível de confiança nos funcionários.

CW – Parece simples.
Levering – E é mais fácil do que as empresas acreditam. As táticas para atender a essas áreas são diferentes. Tudo se resume a uma cultura e às formas de incentivar sua criação.++++
CW – Um funcionário feliz é sinônimo de mais e melhores negócios para a empresa?
Levering – Sim se o termo feliz for utilizado no sentido de satisfeito. Algumas pessoas estão felizes com seu trabalho, suas tarefas. Mas isso não as vai fazer trabalhar com força total, cooperar com os outros funcionários da companhia. E não é isso que define uma Melhor Empresa para Trabalhar.

CW – O mercado brasileiro, especialmente o de TI, vive uma realidade cruel. Há muitas vagas em aberto, muitas oportunidades de negócios esperando para ser atacadas e não se encontra pessoas capacitadas para assumir todos esses postos de trabalho. Como as companhias podem fazer para equilibrar a necessidade de acrescentar novos funcionários e evitar perder as características de uma melhor empresa para trabalhar?
Levering – Eu visite algumas companhias da área de tecnologia aqui no Brasil e sei dessa realidade. Mas também posso te garantir que aquelas organizações que se esforçam para ser um lugar agradável para as pessoas trabalharem conseguem atrair bons profissionais. A reputação de ser um boa empresa faz que as pessoas queiram trabalhar lá.
Claro que quando se vive um momento de expansão muito rápido isso se complica. Eu me lembro de uma empresa com sede na Califórnia, a Network Appliance, que afirma categoricamente que prefere não contratar uma pessoa a colocar em risco sua cultura corporativa. Eles sabem que sua capacidade de competir vem dos talentos e da criatividade de seus funcionários.

No mercado de TI, provavelmente, estão as companhias mais avançadas na percepção da relação entre uma cultura de ponta e a tecnologia de ponta. O significado maior da confiança corporativa está aí. Como você espera que seus funcionários inovem se eles não confiam em seus líderes. Quem dará as melhores idéias em uma ambiente assim? Ninguém. Todos vão apenas fazer seu trabalho, sem entregar aquele extra que faz a diferença.

CW – Viajando ao redor do mundo e conhecendo diferentes empresas, em diferenças cultura, quais são as diferenças mais claras entre as companhias que o Great Place pesquisa?
Levering – Essa é uma pergunta para a qual eu tenho uma resposta desapontadora... Isso porque eu vejo mais semelhanças do que diferenças entre as Melhores Empresas para Trabalhar.

CW – A cultura local não faz muita diferença, é isso?
Levering – A cultura local é um fator, mas não o faz a diferença, aquele que define uma melhor empresa. As pessoas tendem a dar à cultura regional uma importância muito grande. Mas se você pensar no trabalho do dia-a-dia, faz muita diferença o que um funcionário faz aqui no Brasil do que um funcionário da mesma função faz em qualquer outro país? Há mais coisas em comum do que se costuma atentar para.

CW – Bom, imagino que os 9 passos serão objeto de um novo livro. Quando ele sai?
Levering – O livro está no forno, deve chegar ao mercado em mais ou menos um ano e vai se chamar Giftwork Culture. É um termo que eu criei para explicar, em uma palavra, o novo conceito.

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